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  • domingo, 15 de janeiro de 2017

    Chacotas inconsequentes - Jorge Hessen


    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com
    Brasília.DF



    Paulo escreveu aos Gálatas: “Não vos enganeis; Deus não se deixa zombar; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. [1] Alguns humoristas impiedosos, armados de repertórios controvertidos, costumam debochar das desgraças alheias (bêbados, homossexuais, analfabetos, jagunços, idosos, aleijados etc.), a fim de bancarem os seus estúpidos shows. 

    Há dois mil anos Jesus foi ridicularizado. Notemos: Nisso os soldados do governador levaram Jesus ao pretório, e reuniram em torno dele toda a coorte. E, despindo-o, vestiram-lhe um manto escarlate; e tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e na mão direita uma cana, e ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus! E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e davam-lhe com ela na cabeça. Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto, puseram-lhe as suas vestes, e levaram-no para ser crucificado. [2]

    Ridicularizar, segundo o dicionarista, é aquele que tira "onda" zomba; que vive caçoando, causando riso com a intenção de debochar de algo ou de alguém; fazendo chacota com palavras, expondo-a ao ridículo. Que trata alguém com escárnio. Que exprime, demonstra e utiliza sarcasmo. Procurar tornar ridículo por meio de gestos, atitudes ou palavras irônicas. 

    Os motivos podem ser muitos, dentre eles: Por diferenças raciais, doenças deformantes, forma de ser (personalidade), características regionais. Na verdade muitas pessoas são ridicularizadas pelo fato de não estarem enquadradas no atual perfil psicossocial, que parece eleger as pessoas "normais" e as "estranhas" que são alvos de zombarias cruéis.

    Cientistas da Universidade de Leiden (Holanda) concluíram que rir dos problemas dos outros – um hábito muito comum entre os seres humanos – é sinal de baixa autoestima. Isso significa que, cada vez que alguém faz chacota ao ver alguma pessoa em desventura está mostrando que tem sérios problemas de auto aceitação.

    Os estudos foram liderados pelo professor Wilco W van Djik e analisaram 70 pessoas. A grande maioria delas confessou ficar ditosa quando sabe que outra pessoa cometeu alguns deslizes ou se machucou. Van Djik afirmou para a revista LiveScience que “pessoas com menor autoestima se sentem melhor quando observam a desgraça alheia”. E esse sentimento (de gostar de ver os outros sofrendo) tem um nome: Schadenfreude. [3]

    Raciocinando, dialogando ou trabalhando, “a força de nossas ideias, palavras e atos alcança, de momento, um potencial tantas vezes maior quantas sejam as pessoas encarnadas ou não que concordem conosco, potencial esse que tende a aumentar indefinidamente, impondo-nos, de retorno, as consequências de nossas próprias iniciativas”. [4]

    Nos anos 1940, Chico começava a ser conhecido nacionalmente, e também era processado pela família do jornalista Humberto de Campos , que exigia na justiça o pagamento dos direitos autorais pela venda dos livros psicografados. Nessa mesma época, desembarcou em Pedro Leopoldo, David Nasser[5] e Jean Manzon, respectivamente, repórter e fotógrafo da revista O Cruzeiro, a revista de maior circulação no Brasil nessa época. O objetivo era entrevistar e achincalhar Chico Xavier.

    A dupla expôs ao extremo ridículo a vida de Chico, justamente no momento mais crítico de sua vida, faltavam apenas alguns dias para que o juiz proferisse a sentença no caso Humberto de Campos. Com o título de “Chico Xavier, detetive do além” e dez páginas, a reportagem foi publicada na revista no dia 12 de agosto de 1944. Em meio a elogios, David aproveitava também para colocar em contradição os dons mediúnicos de Chico, sua ingenuidade em alguns momentos e sua esperteza em outros. 

    Chico ficou indignado ao ler a reportagem. Ao ver sua vida e sua imagem (dentro de uma banheira) sendo manipulada daquela maneira, teve a certeza de que seria condenado. Chico chorava desesperadamente, não acreditava que havia sido enganado, e se perguntava porque Emmanuel não o alertou, se assim tivesse feito toda aquela humilhação não estaria acontecendo. 

    Em meio à crise de choro Emmanuel surgiu no quarto e perguntou:

    - Por que você chora?

    - Por quê? É muita humilhação, uma vergonha, um vexame.

    E Emmanuel respondeu:

    - Chico você tem que agradecer. Jesus foi para a cruz, você foi só para “O Cruzeiro”. [6]

    Toda a brecha de sombra em nossa personalidade retrata a sombra maior. Qual o pequenino foco infeccioso que, abandonado a si mesmo, pode converter-se dentro de algumas horas no bolo pestífero de imensas proporções, o deboche, a zombaria, “a maledicência pode precipitar-nos no vício, tanto quanto a cólera sistemática nos arrasta, muita vez, aos labirintos da loucura ou às trevas do crime”. [7]



    Em suma, se zombarem de nós, sigamos o sábio conselho de Emmanuel - façamos do limão uma limonada e prossigamos em paz.

    Referências bibliográficas:

    [1]Gálatas 6:7
    [2] Mateus, 27: 27-31
    [3] A palavra deriva do alemão Schaden “dano, prejuízo” e Freude “alegria, prazer”.é um empréstimo linguístico da língua alemã também usado em outras línguas do Ocidente para designar o sentimento de alegria ou satisfação perante o dano ou infortúnio de um terceiro.
    [4] Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e Vida, cap. 8, ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 1977
    [5] Na década de 1970, David Nasser, em uma reportagem publicada no jornal carioca O Dia, se mostrou arrependido ao definir Chico Xavier como “o maior remorso da minha vida”.
    [6] http://www.acaminhodaluz.net.br/v2/momentos-com-chico-xavier/103-chico-na-revista-o-cruzeiro.html
    [7] Idem

    segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

    Sentimento e moralidade precedem à intelectualidade (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com
    Brasília.DF


    Será que há uma tarefa especializada da inteligência no orbe terrestre? Emmanuel ilustra que “assim como numerosos Espíritos recebem a provação da fortuna, do poder transitório e da autoridade, há os que recebem a incumbência sagrada, em lutas expiatórias ou em missões santificantes, de desenvolverem a boa tarefa da inteligência em proveito real da coletividade. Todavia, assim como o dinheiro e a posição de realce são ambientes de luta, onde todo êxito espiritual se torna mais porfiado e difícil, o destaque intelectual, muitas vezes, obscurece no mundo a visão do Espírito encarnado, conduzindo-o à vaidade injustificável, onde as intenções mais puras ficam aniquiladas. [1]

    Há aqueles que possuem o chamado QI elevado, que entretanto desconhecem os cruciais problemas sociais. James Flynn, professor da Universidade de Otago, Nova Zelândia, pesquisador no campo de investigações sobre a inteligência, afirma que os resultados médios em testes de inteligência vêm aumentando em todas as raças humanas. Todavia, em que pese o enorme potencial intelectual, muitos “inteligentes” não têm noção da história complexa do mundo que os cerca. Em seu mais novo livro, Does Your Family Make You Smart?, Flynn discute as maneiras como o pensamento humano mudou ao longo dos tempos, incluindo um aumento misterioso no quociente de inteligência (QI).

    Alguns pesquisadores argumentam que “aumento misterioso no quociente de inteligência” reflete a completa educação atual sob a crescente dependência da linguagem e inteligência tecnológica. Tempos atrás, lembram, nossos bisavós padeceram com máquinas de escrever, e nossos pais com o primeiro videocassete, mas as crianças atuais aprendem a usar com extrema facilidade um tablet ou um smartphone ainda em tenra idade. Com isso, a atual geração talvez pense de forma rápida e abstrata, o que pode resultar em aumentos médios de percentuais no QI, mas esse aumento não significa perspectiva de melhora social.

    Nesse debate, cientistas se apresentam convictos de que, independentemente dos antecedentes familiares, as pessoas têm o poder de cuidar do próprio desenvolvimento intelectual e moral, pois os estudos mostram que circunstâncias tecnológicas atuais influenciam o QI no presente mais do que a tradicional e histórica experiência educativa da família. Dizem! Porém, James Flynn não concorda com isso. Seguimos o pensamento de Flynn, pois cremos que a família é o fator principal para o desenvolvimento da moralidade e da inteligência.

    “Temos no instituto familiar uma organização de origem divina, em cujo seio encontramos os instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para a edificação do Mundo Melhor”. [2] Destacando aqui que “de todos os institutos sociais e educacionais existentes na Terra, a família é o mais importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida”. [3] Porquanto, no sagrado instituto da família há a base mais elevada para os métodos de educação, das noções religiosas, com a exemplificação dos mais altos deveres da vida.

    Considerando que o colégio familiar tem suas origens sagradas na esfera espiritual, preponderam nesse instituto divino os elos do amor, fundidos nas experiências de outras eras. Obviamente os valores intelectivos representam a soma de muitas experiências, em várias vidas do Espírito, no plano material. Uma pessoa de QI elevado significa um imenso acervo de lutas planetárias. Atingida essa posição, se o homem guarda consigo uma expressão idêntica de progresso espiritual, pelo sentimento, então estará apto a elevar-se a novas esferas do Infinito, para a conquista de sua perfeição. [4]

    Lamentavelmente, a inteligência humana sem desenvolvimento moral e sentimental tem sido arma letal, porque nesse desequilíbrio do sentimento e da razão é que repousa atualmente a dolorosa realidade do mundo de guerras. O grande erro das criaturas humanas foi valorizar historicamente apenas o intelecto, olvidando os valores legítimos da moralidade e do coração nos caminhos da vida.

    Referências bibliográficas: 

    [1] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 208, RJ: Ed FEB, 2000

    [2] Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, cap. 2, RJ: Ed FEB, 2006

    [3] Idem cap. 17

    [4] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 42, RJ: Ed FEB, 2000

    segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

    Extinção, prejuízo, abandono e “luto” (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com
    Brasília.DF


    Um estudo da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, descobriu que aqueles que viveram recentemente um quadro de luto [1], especialmente idosos, podem passar por um processo de redução das funções dos neutrófilos.[2] Mas apesar do peso do conhecimento científico sobre o relacionamento entre luto e a doença física, os sintomas costumam ser completamente inesperados.

    Para Jessica Mitchell, gerente do serviço de apoio telefônico da ONG Cruse Bereavement Care, as pessoas ficam bastante assombradas com a notícia da morte de um parente e se sentem atormentadas achando que há algo errado com elas. As pessoas realmente não entendem, porque não se discute mais sobre a morte, explica Susan Hughes, da ONG Compassionate Friends, que presta suporte aos familiares após a morte de crianças. [3]

    A falta de compreensão do tema “morte e o luto” reflete a dificuldade da sociedade em falar francamente sobre a deserncarnação de alguém da família. Para alguns trata-se de um grande tabu. As pessoas não querem nem ouvir ninguém falar sobre esse assunto.

    Ora, em verdade o luto não é essencialmente tão insuportável quanto se imagina. Sabe-se que grande parte dos enlutados consegue suplantar bem a “perda” de um parente; entretanto por que razão algumas pessoas não conseguem superar o trauma? Muitas pessoas atravessam anos sobrevivendo como nos primeiros e mais complicados períodos do luto. Elas não conseguem retomar a vida. Cultuam a dor, em uma espécie de luto crônico, chamado pelos psiquiatras de “luto patológico” ou “luto complicado”. Nas mortes traumáticas, como acidente, suicídio ou assassinato, pode haver uma fase de negação mais prolongada; a culpa e a revolta podem aparecer com mais intensidade.

    Para alguns o luto pode provocar uma grave crise doméstica, pois exige a tarefa de renúncia, de excluir e incluir alguns papéis da cena familiar. Percebe-se então que existe aí uma confusão, pois essa crise pode estancar o desenvolvimento dos parentes, fator que pode definir o processo de um luto crônico coletivo.

    É importante destacar aqui que o luto não advém apenas pela morte de um ente querido. Há diferentes tipos de lutos, às vezes mais intensos, que acontecem depois da perda de um objeto ou abandono afetivo de alguém a que se tinha apego. É verdade! Muitos adoecem fisicamente, totalmente apegados a algo, circunstância ou alguém. Eis aí a razão de suas desditas e o entrave para a ascensão espiritual.

    Talvez o grande preceito da vida, que experimentamos severamente, é desapegarmos de coisas, situações e pessoas. Obviamente desapegar não é desamar ou abater a valor do objeto, da coisa, mas compreender e acolher o fato da transitoriedade das circunstâncias, dos objetos e pessoas. É importantíssimo irmos desapegando do passado remoto ou recente e sintonizarmos as emoções no presente, sobretudo naquilo que é essencial dentre as coisas e pessoas.

    O Espiritismo nos esclarece bem sobre a imortalidade. Jesus, há dois mil anos, reafirmou a realidade da sobrevivência do espírito após a morte e a continuidade da vida em outras dimensões. Por isso, alivia-nos os corações sofridos no luto pelas grandes “perdas”, seja pela visita da desencarnação, seja pelo abandono de alguém querido, seja pela perda de ilusórios haveres ou de posição social. Tudo passa! Até mesmo o luto.

    Referências:
    [1]                   Luto [do latim luctu] – 1. Sentimento de pesar ou de dor pela morte de alguém. 2. A exteriorização do referido sentimento ou o tempo de sua duração. 3. Consternação, tristeza.
    [2]                 A parte mais abundante dos glóbulos brancos do sangue, responsáveis por combater bactérias como a da pneumonia

    [3]                 Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/geral-37030767. Acessão 08/12/2016

    quarta-feira, 23 de novembro de 2016

    Na ética cristã ou no “jeitinho brasileiro" - onde nos identificamos? (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    Brasília – DF

    Um estudo inédito realizado pela consultoria BrandAnalytics, empresa ligada à Millward Brown Optimor, um dos maiores grupos de pesquisa do mundo, revela o que os brasileiros pensam do País. Se o Brasil fosse “uma pessoa”, a principal característica, aquela que se vê logo de cara, seria a desonestidade. 

    Segundo Dulce Critelli, professora de filosofia da PUC de São Paulo, os resultados da pesquisa demonstram que grande parte da população não confia nem no País nem no compatriota. No clássico “Raízes do Brasil”, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, ao falar do “homem cordial” destaca igualmente o que chama de “personalismo” do cidadão brasileiro. No Brasil, diz Holanda, as pessoas cultuam o mérito pessoal (o “cada um por si”), em vez do trabalho coletivo. [1]

    Isso realmente corresponde à realidade? Olhemos para o lado e pensemos bem: a maioria das pessoas de nosso convívio é desonesta? Elas querem levar vantagem sobre nós? Ou como se diz: querem nos “passar a perna”, nos enganar, ludibriar, “dar o cano” ? 

    Desde a Proclamação da República, construida sob os anseios dos valores da ordem e do progresso, até os nossos dias, ainda não nos ajustamos rigorosamente à honradez e à honestidade. 

    Os brasileiros (ressalvadas as honradas exceções) necessitamos modificar a cultura da desonestidade, a fim de que nossa pátria progrida em ordem. Até porque, enquanto prosseguirmos conectados à tradição do “corrompido jeitinho”, o futuro desta pátria estará comprometida pela desordem e decadência geral. 

    No cinismo das vis tendências desonestas trouxemos abaixo alguns cenários e práticas dos trágicos “jeitinhos” , a fim de que avaliemos se nos identificamos ou não como protagonistas. 

    Vejamos, são os conterrâneos que furam a fila de carros em frente do colégio para pegar os filhos ou que colocam a viatura na vaga reservada para deficientes e idosos nos estacionamentos dos hospitais, supermercados, shopping. 

    Compatrícios que furtam toalhas, roupões, talheres e outros utensilhos de hotéis, clubes, repartições públicas etc.; há os que surrupiam sinais de Internet e tv a cabo do vizinho; que oferecem dinheiro (propina) para subornar o policial, a fim de fugir da multa; que não emitem nota fiscal ao cliente; que não declaram Imposto de Renda; que bolam doenças para fraudar o INSS.

    Há os conterrâneos que falsificam carteirinha de estudante (para meia entrada); que assinam a “folha de pontos” do colega; que compram produtos “pirateados”; que não restituem troco recebidos a maior; que batem o ponto pelo colega; que compram diplomas falsos para participação em concursos públicos e, mais comum ainda, há os que recorrem a falsos atestados médicos, para justificar ausências mais prolongadas no trabalho. 

    Não haverá futuro promissor para um país com uma sociedade assim estruturada. É urgente uma higienização moral, aproveitando o momento histórico que estamos atravessando no Brasil, para que sejam exaltados os valores da Ética Cristã e consagrada a honestidade. 

    É inconcebível um espírita desonesto. Um seguidor fidedigno do Cristo e de Kardec tem que ser fiel ao Evangelho e aos princípios que a Doutrina dos Espíritos impõem e ter noção de que honestidade é prática obrigatória para todo ser humano, principalmente para um “espírita cristão”(*). 

    Cabe-nos viver e exemplificar a honestidade no lar, na vida profissional, nos negócios, na política, na administração pública, bem como nas outras situações, consultando sempre a consciência, onde estão inscritos os códigos da lei de Deus. 

    O Brasil será um país bem-sucedido se cada compatriota banir da própria cultura o conspurcável “jeitinho brasileiro”.

    (*). Hão “espíritas” que não se consideram cristãos

    Referência:

    [1] Disponível em http://istoe.com.br/360834_O+DESENCANTO+COM+O+BRASIL/ Acesso 23/11/2016

    sábado, 19 de novembro de 2016

    Eras esperançosas! Brasil -corrupções ancestrais e as novas gerações (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    Brasília.DF

    Nestes inquietantes tempos de desonra moral desabando sobre o povo brasileiro, em que políticos geram supostas manobras sorrateiras, dispondo rebaixar as atuais estruturas investigativas no âmbito policial e judicial, é urgente permanecermos em estado de vigília e oração ininterrupta em favor da paz social no Brasil. 

    Mas a despeito do preocupante cenário social, político e econômico, enxergamos um horizonte promissor de uma nova geração que vem surgindo em nosso país composta de executivos, professores, médicos, advogados, engenheiros, historiadores, delegados, procuradores e juízes, todos trabalhando com entusiasmo e intrepidez pela consagração da ética em nosso país. Isto nos pacifica sob a expectativa decisiva de transformação dos valores morais que tem manchado esta nação dilacerada pela corrupção destruidora. 

    Tal conjuntura nos envia ao último capítulo do livro A Gênese de Allan Kardec. Aí arranjamos algumas adequações para fins de comparação com a realidade supra descrita. Vislumbramos uma nova geração de brasileiros, desenfaixados dos detritos do velho sistema corrupto. Observamos pessoas mais moralizadas e possuídas de ideias e de sentimentos muito diferentes da velha geração que está sendo deportada para mundos afins. [1]

    As sociedades se modificam, como já se transformaram noutras épocas, e cada transformação se distingue por uma crise moral. Contudo, nessas ebulições sociais, a fraternidade deve ser a pedra angular da nova ordem social; mas, inexiste fraternidade real, sem o avanço moral. Somente o progresso moral pode fazer que entre nós reinem a honestidade, a concórdia, a paz e a fraternidade. 

    A velha geração (daqueles atolados nas arapucas da corrupção) que está se despedindo (da Terra) levará consigo seus erros e estragos sociais; a geração que surge, imprimirá à sociedade o progresso moral que assinalará a nova fase da evolução geral no Brasil e no mundo.

    Essa fase já se revela atualmente no Brasil, em razão do conjunto de práticas revolucionárias no combate à improbidade, à imoralidade, à falcatrua através de efetivas e duras punições. Nesse contexto, os espíritas estamos sendo convocados para irradiarmos compreensão, amor e paz em favor dos cidadãos de bem, a fim de facilitar o movimento de regeneração em nosso Pais. 

    Grande, é ainda o número dos ímprobos; que nada poderão contra a ética da nova geração que surge. Os desonestos irão desaparecer aos poucos, mas ainda defenderão palmo a palmo os seus obscuros interesses de poder e tramoias. 

    Não nos enganemos, haverá, um embate moral inevitável, desigual da geração degradada e já envelhecida, a cair em frangalhos, contra o futuro da nova geração de seres audazes e incorruptíveis. Hoje no Brasil vemos com clareza quem é quem nesse cenário. 

    Para que haja paz em nosso país, preciso é que somente a povoem espíritos bons, encarnados e desencarnados. É chegado o tempo das grandes debandadas dos que praticam o mal pelo mal. Serão excluídos, para não ocasionarem perturbação e obstáculo ao progresso. 

    Após a desencarnação, muitos irão expiar em mundos inferiores, outros em raças terrestres ainda atrasadas. A época atual é sem dúvida de transição; confundem-se os personagens das duas gerações. Assistimos à partida de uma e à chegada da outra. Têm ideias e pontos de vista opostos as duas gerações que se sucedem. Pela natureza das disposições morais, porém sobretudo das disposições intuitivas e inatas, cabendo-lhe (nova geração) fundar a era do progresso moral. 

    A nova geração se distingue por coragem, inteligência e talentos precoces, tem sentimento inato da honestidade. Já os corrompidos ainda trazem a maldade, a malícia, a mentira. Em face disso têm de ser expurgados porque são incompatíveis com o império da honradez, da fraternidade e porque o contacto com eles (os corruptos e corruptores) constituirá sempre um sofrimento para os bons. 

    Quando o Brasil se achar livre dos desmoralizados, os homens de bem caminharão sem óbices para o futuro melhor. Opera-se presentemente um desses movimentos gerais dos tempos que chegaram, destinados a realizar uma higienização e remodelação moral da sociedade brasileira. 

    Referência bibliográfica:

    [1]            Kardec, Allan. A Gênese, cap. 18, RJ: Ed. FEB, 1977

    sábado, 12 de novembro de 2016

    A sexualidade ante o imperativo da educação, da disciplina e do emprego digno (Jorge Hessen)



    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com
    Brasília.DF

    Atualmente estamos atravessando períodos instáveis na área da sexualidade e do sentimento humano. Em um artigo publicado no Mail, David Levy, autor de ‘Love and Sex With Robots’ (Amor e sexo com robôs, em tradução livre), diz: “Os robôs sexuais serão muito semelhantes aos humanos em tamanho e aparência. Eles terão órgãos genitais como os dos humanos, e será possível práticas sexuais com eles de acordo com a orientação e as preferências sexuais do dono.” “As máquinas em questão estão sendo desenvolvidas pela empresa Abyss Creations em sua fábrica na Califórnia. O preço estimado para o varejo é de U$ 15 mil (cerca de R$ 48 mil). [1]

    Noticia-se horríveis casos de pedofilia, zoofilia, necrofilia, febofilia, pederastia, entre outros intermináveis tipos perversões sexuais. Atualmente há ativistas que copulam literalmente com a natureza para “salvá-la” da destruição(!...?...) Isso mesmo! Apareceu uma nova modalidade de comportamento sexual, o ecossexualismo, que está se disseminando especialmente no hemisfério Norte. 

    Narram que os ecossexualistas praticam o coito com árvores. Se penduram desnudos nos galhos e arriscam chegar à descarga orgástica. Se auto-excitam debaixo de cachoeiras ou rolam no chão, ou na grama até atingirem o ápice do prazer.

    Fomos informados sobre um tipo de relacionamento afetivo em regime de poliamor ou seja, os poliamantes praticam, o desejo, ou a aceitação de ter mais de um relacionamento íntimo simultaneamente com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos. O praticante defende a possibilidade de se estar envolvido de modo “responsável” em relações íntimas, profundas e eventualmente duradouras com vários parceiros simultaneamente.

    Existem os “relacionamentos abertos”, isto é relação afetiva “estável” (habitualmente entre duas pessoas) em que os participantes são livres para terem outros parceiros. Se for casado, se diz que é um “casamento aberto”. Parece que que, o “relacionamento aberto” e o “poliamor” não são a mesma coisa. Em termos gerais, afirma-se que "relacionamento aberto" refere-se a uma não exclusividade sexual na união, enquanto o poliamor envolve a extensão desta não exclusividade para o campo afetivo ao permitir que se criem laços emocionais exteriores à relação primordial com certa estabilidade.

    Sabemos que o comportamento na área da sexualidade é essencial para o desenvolvimento individual, interpessoal e social. Também sabemos que os direitos sexuais são direitos humanos universais baseados na liberdade inerente, dignidade e igualdade para todos os seres humanos. 

    Conhecemos as leis humanas e sabemos do direito à liberdade sexual, à autonomia, à integridade, à segurança do corpo, à privacidade, à igualdade, à expressão sexual, à livre associação sexual, às escolhas reprodutivas livres e responsáveis, à informação baseada no conhecimento científico, à educação, à saúde sexual. 
    Não estamos aqui para lançar censuras a tais “direitos”, mas cumpre-nos lembrar e advertir que no Livro do Levítico, a Lei de Moisés constrói o estatuto referente às práticas sexuais, determinado as proibidas, as abomináveis e as impuras [2] Sem embargo, contudo, compreendemos que as Leis de Deus estão inscritas na consciência de cada um.

    Sobre o tema sexualidade Emmanuel desenvolve conceitos doutrinários a fim de explicar que as teorias, ao redor do sexo, foram objeto de sensatas explicações por Kardec no Século XIX, na previsão dos choques de opinião, em matéria afetiva, que a Humanidade de agora enfrenta. O mentor de Chico Xavier sintetizou todas as divagações nas regras seguintes: Não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina, mas controle. Não impulso livre, mas responsabilidade. Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. [3]

    Portanto, sem educação, sem controle, sem disciplina, sem emprego digno, será enganar-nos, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, até porque o emprego do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um. 

    Admoesta o autor de Vida e Sexo que em matéria de comportamento sexual todos nós nos achamos muito longe da meta por alcançar. Se alguém nos parece cair, sob enganos do sentimento, devemos silenciar e esperar. Se alguém se nos afigura tombar em delinquência, por desvarios do coração, devemos esperar e silenciar. [4]

    Devemos calar as nossas possíveis acusações, ante as supostas culpas alheias, porquanto nenhum de nós, por agora, é capaz de medir a parte de responsabilidade que nos compete a cada um nas irreflexões e desequilíbrios dos outros. Não dispomos de recursos para examinar as consciências alheias e cada um de nós, ante a Sabedoria Divina, é um caso particular, em matéria de amor, reclamando compreensão. [5]

    Diante de toda e qualquer desarmonia do mundo afetivo, seja com quem for e como for, coloquemo-nos, em pensamento, no lugar dos acusados, analisando as nossas tendências mais íntimas e, após verificarmos se estamos em condições de censurar alguém, escutemos, no âmago da consciência, o apelo inolvid

    quinta-feira, 3 de novembro de 2016

    Hillary, Trumpp , Putin, seria plausível guerra de extermínio? Na dúvida, oremos!! (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    Brasília.DF

    Hoje assistimos dois candidatos à presidência dos EUA com os mais preocupantes discursos. Hillary afiança que manterá o direito ao aborto. Trumpp, conquanto contra o aborto, promete construir um muro de proteção na fronteira americana. Pronuncia que admira Putin, que tem um forte controle na Rússia.

    Trumpp é apaixonado pelas guerras, incluindo as armas nucleares. Promete instituir leis e ordens “fortes”, “rápidas” e “justas”. Garante que suspenderá a imigração de zonas do mundo onde existe um histórico comprovado de terrorismo contra os Estados Unidos, e afirma que pode consertar isso rápido.

    Nosso planeta jaz na UTI. Os governantes atuais permanecem moral e espiritualmente gravemente enfermos. Nesta semana, a Rússia mostrou um novo míssil nuclear que supostamente poderia devastar uma área do tamanho do estado do Texas, nos Estados Unidos.

    No início de outubro de 2016, 40 milhões de cidadãos russos participaram do maior “teste” nuclear desde o fim da Guerra Fria,usando máscaras de gás e se preparando para fugir para bunkers. As tensões entre a Rússia e os Estados Unidos têm se mantido altas desde que os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções econômicas ao país devido às ações da Rússia na Ucrânia em 2014.

    Neste mês de outubro, o Zvezda, um serviço de TV nacional controlado pelo Ministro da Defesa russo, disse: “Esquizofrênicos dos Estados Unidos estão afiando suas armas nucleares para Moscou.” Os laços entre Washington e Moscou se deterioraram ainda mais recentemente, após o colapso do cessar-fogo na Síria e a intensificação dos bombardeios em Aleppo por aeronaves sírias e russas.

    O General Richard Shirreff, comandante supremo da OTAN na Europa entre 2011 e 2014, descreveu a guerra nuclear com a Rússia em 2017 como algo “inteiramente plausível”. Cristina Varriale, do Royal United Service Institute (RUSI), disse ao The Sun que Putin está “pronto” para colocar as forças nucleares russas em alerta.

    Não desejando ser pessimista, porém na condição de historiador não posso deixar de refletir que há menos de 100 anos o mundo experimentou duas guerras devastadoras na Terra.

    Em A Caminho da Luz Emmanuel adverte que as teorias sociológicas continuam seu caminho, de extremismo, sem embargo das revelações do além-túmulo que descem às almas, como orvalho imaterial, preludiando a paz e a luz de uma nova era.

    A Europa e o Oriente formam um campo extenso de agressão e terrorismos. “Em face de tanto extremismo, onde estão os valores morais da Humanidade? As igrejas estão amordaçadas pelos interesses de ordem econômica e política. Somente o Espiritismo executa o esforço tremendo de manter acesa a luz da imortalidade. Porém, o esforço do Espiritismo é quase superior às suas próprias forças, e o mundo não está à disposição dos ditadores terrestres.” [1]

    Espíritos falam-nos de uma “nova reunião da comunidade das potências angélicas da qual é Jesus um dos membros que se reunirá, de novo, pela terceira vez, na atmosfera terrestre (...), decidindo novamente sobre os destinos do nosso mundo.” [2]

    Em nome do Evangelho, se perpetram todos os absurdos nos países ditos cristãos. “Porque a civilização ocidental não chegou a se cristianizar. São chegados os tempos em que as forças do mal deverão abandonar as posições de domínio. Ditadores, exércitos, hegemonias econômicas, povos instáveis e inconscientes, guerras inglórias e organizações seculares passarão com a vertigem de um pesadelo.” [3]

    Condenada pelas sentenças irrevogáveis de seus erros sociais e políticos, a superioridade européia desaparecerá para sempre, como o império romano, entregando à américa o fruto das suas experiências, com vistas à civilização do porvir.

    Era véspera da Segunda Guerra Mundial quando Emmanuel avisou que “a noite não tardaria e, no bojo de suas sombras compactas, não nos esqueçamos de Jesus, cuja misericórdia infinita, como sempre, será a claridade imortal da alvorada futura, feita de paz, de fraternidade e de redenção.” [4]

    Que Jesus nos resguarde nestas horas decisivas do mundo atual!

    Oremos!

    Referências bibliográficas:

    [1]           Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, Cap. 24, RJ: Ed. FEB 1977
    [2]           idem
    [3]           idem
    [4]           idem