domingo, 17 de março de 2013

ADDE PUBLICOU "A TERCEIRA REVELAÇÃO SIMBOLIZA O RETORNO DO CRISTO À TERRA

http://adde.com.br/
A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação; a do Novo Testamento tem-na no Cristo. O Espiritismo é a Terceira Revelação da Lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, sim pelos Espíritos, que são as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra, com o concurso de uma multidão inumerável de intermediários.
É, de certa maneira, um ser coletivo, formado pelo conjunto dos seres do mundo espiritual, cada um dos quais traz o tributo de suas luzes aos homens, para lhes tornar conhecidos esse mundo e a sorte que os espera.(1) Sabemos que a Lei de Deus foi expressa no Sinai a Moisés, as Lições de Jesus em Israel e a Terceira Revelação a Allan Kardec na França de 1857. Cada uma dessas revelações foi a expansão das idéias apresentadas anteriormente, obedecendo a inequívoca lei do progresso. Obviamente toda Revelação tem por característica a Verdade. Se for desmentida por fatos, deixa de ter origem Divina, pois Deus não se engana nem mente.Observemos que com Moisés temos o impacto da força e do temor, para arrancar os homens da idolatria (bezerro de ouro) e da submissão ao paganismo.
Com Jesus temos o exercício da fé e do amor, para livrar o homem do aguilhão dos formalismos, da tradição, inspirando-o à prática da fraternidade. Com os Espíritos concretiza-se o emprego da verdade, que ilumina a fé pelo raciocínio, para que o espírito humano possa amar compreendendo sua transcendência. O homem já não deve temer, nem apenas crer e amar, mas também e, sobretudo saber para que crê e porque ama.Uma importante revelação se cumpre na época atual: a que nos mostra a possibilidade de se comunicar com os seres do mundo espiritual, pela mediunidade.
Esse conhecimento não é novo, sem dúvida; mas permaneceu, até os nossos dias, de certa forma, no estado de letra morta, quer dizer, sem proveito para a Humanidade. (2)O mestre Lionês explica que o Cristo, tomando da lei antiga o que era eterno e divino, e rejeitando o que não era senão transitório, puramente disciplinar e de concepção humana [leis mosaicas], acrescentou a revelação da vida futura, a das penas e recompensas que esperam o homem depois da morte. Dando-nos a conhecer o mundo invisível, as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a natureza e o estado dos seres que o habitam e em conseqüência, o destino do homem depois da morte. A idéia vaga da vida futura acrescenta a revelação do mundo invisível que nos cerca e povoa o espaço, e, com isto, fixa a crença, dá-lhe um corpo, uma consistência, uma realidade no pensamento. (3)
Um dos pontos altos da Terceira Revelação é a lei das vidas sucessivas, objetivando demonstrar que o Espírito não encarna uma só vez, mas, tantas e quantas forem necessárias a fim de se tornar um Espírito perfeito e portador das mais nobres qualidades morais e espirituais. A reencarnação, cujo princípio o Cristo colocou no Evangelho, mas sem definí-lo, é, sem dúvida, uma das leis mais importantes reveladas (relembradas) pelo Espiritismo, no sentido de que lhe demonstra a realidade e a necessidade para o progresso.
A Terceira Revelação, bem longe de negar ou de destruir o Evangelho, vem ao contrário, confirmar, explicar e desenvolver, pelas novas leis da Natureza que revela, tudo o que o Cristo disse e fez; traz a luz sobre o ponto obscuro dos seus ensinamentos, de tal sorte que aqueles para quem certas partes do Evangelho eram ininteligíveis, ou pareciam inadmissíveis, as compreendem sem esforço, com a ajuda do Espiritismo, e as admitem, vêem melhor a sua importância e podem separar a realidade da alegoria. Não resta dúvida de que, os Evangelhos têm sido entendidos, ao longo dos séculos, precipuamente em sua feição literal; mas, com a Revelação dos Espíritos, a interpretação literal, tendo em vista o estádio evolutivo das gerações, de há muito não prevalece. O Espiritismo - Terceira Revelação -, com suas raízes mais profundas fincadas no Evangelho do Cristo, não deixa de apresentar-se como doutrina essencialmente dinâmica, evolutiva. (4)Para André Luiz a Terceira Revelação entroniza a certeza que a mediunidade atual é, essencialmente, a profecia das religiões de todos os tempos. Com a diferença de que a mediunidade hoje é uma concessão do Senhor à Humanidade em geral, considerando-se a madureza do entendimento humano, à frente da vida. (5)
A mediunidade em si não é coisa recente, a diferença atualmente dela é tão-somente a forma de mobilização, porque a liderança religiosa de várias procedências jaz, há muitos séculos, engessado no estéril culto exterior, espetaculizando indebitamente o conjunto das revelações metafísicas.Sobretudo a religião Cristã de várias denominações, que deveria ser a mais consistente e a mais simples das propostas de fé, há vários séculos se embutiu no superficialismo dos templos de pedra. Era mister, transferir-lhes os princípios, a benefício do mundo que, cientificamente, hoje se banha no clarão de nova era. (6)
Motivo pelo qual, pela Terceira Revelação, o Senhor da Vida deliberou que a mediunidade fosse trazida do colégio sacerdotal à praça pública, a fim de que a noção da eternidade, através da sobrevivência da alma, desperte a mente narcotizada do povo.O próprio Cristo, Instrumento de Deus por excelência, se utilizou da mediunidade para acender a luz da sua Doutrina de Amor. Seja aliviando as dores de enfermos e asserenando os que estavam sob o impacto da aflição, e não raro, comunicou-se com os desencarnados, alguns dos quais Espíritos sofredores a subjugarem obsedados de diversas gradações. E, além de surgir em colóquio com Moisés materializado no Tabor, Ele mesmo é o grande ressuscitado, legando aos homens o sepulcro vazio. (7)
A Terceira Revelação, sem quaisquer arrogâncias, simbolicamente, é Jesus que retorna ao mundo, instando-nos ao crescimento espiritual. À Revelação Espírita deveremos, acima de tudo, a luz para vencer os tenebrosos enigmas da desencarnação, a fim de que nos consorciemos, afinal, com as legítimas noções da consciência cósmica. E como ressalta André Luiz: será pouco revelar a excelsitude da Justiça? Será desprezível descortinar a vida em suas ilimitadas facetas de evolução e eternidade?(8)
Portanto, através da Terceira Revelação observaremos embevecidamente, dos cimos da consciência de realidade, os estreitos compartimentos das cogitações terrenas, compreendendo racionalmente, por fim, que o esplendor reservado ao homem é excelso e infinito, no Reino Divino do Universo.Com a certeza na vida futura que o Espiritismo comprova de modo tão claro, o homem adquire força para seguir sua caminhada, certo de que um dia esse Deus interno que existe dentro de nós resplenderá inteiramente e ofuscará de vez o homem velho que ainda faz morada em nossa alma.



Referências bibliográficas::
1- Kardec, Alan. Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB,2003, Cap I
2- Kardec, Alan. A Gênese, RJ: Ed. FEB,2001, Cap I
3- Idem
4- Artigo de Juvanir Borges de Souza, publicado em Reformador - abril de 1977
5- Xavier, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, RJ: Ed FEB, 1999, Cap "Apontamentos à Margem"
6- Idem
7- Idem ibidem
8- Idem ibidem

quinta-feira, 14 de março de 2013

EVOCAR OU NÃO ESPÍRITO, UMA BREVE REFLEXÃO ESPÍRITA.

EVOCAR OU NÃO ESPÍRITO, UMA BREVE REFLEXÃO ESPÍRITA.
Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

Qual a importância da evocação dos Espíritos nos dias de hoje? Será inadmissível ou errada a evocação dos desencarnados? É incontestável não haver qualquer dispositivo que impeça a evocação (1) dos Espíritos na Codificação. Porém, Kardec faz ressalvas sobre o tema:  “frequentemente as evocações oferecem mais dificuldades aos médiuns do que os ditados espontâneos, sobretudo quando se trata de obter respostas precisas a questões circunstanciadas. Para isto, são necessários médiuns especiais, ao mesmo tempo flexíveis e positivos”. (2) Portanto, sem esse discernimento, se alguém evocar uma pedra ela responderá, pois “há sempre uma multidão de Espíritos prontos a tomar a palavra sob qualquer pretexto.” (3)
Atualmente há cauteloso exercício da não evocação dos Espíritos. Como interpretar o empecilho evocatório nos grupos mediúnicos? Cremos que inexista qualquer proibição pelos dirigentes; o que acontece são apenas critérios de aconselhamentos para que tal prática seja evitada, em face das precipitações que proporciona. Em que pese não ser totalmente favorável à evocação dos Espíritos, não analisamos tal método como “coisa demoníaca”, desde que sejam aferidos os relevantes desígnios a que se propõem e, sobretudo, os valores morais dos evocadores.
A propósito das manifestações mediúnicas espontâneas, será que são menos perigosas do que as evocações? O Codificador afiança que a evocação traça laços entre o evocador e o evocado, que impedem ou pelo menos limitam a interferência de um mistificador. Todavia, Kardec também assegura que “as comunicações espontâneas não apresentam inconveniente algum e que por esse método se podem obter coisas admiráveis.”. (4)
Em verdade, no transcurso dos anos adveio uma mudança no método de intercâmbio com o além. Entre os importantes pontos que avalizam a restrição da prática evocatória atual, consta a desconfiança da indução, do sugestionamento ou do animismo do médium, além do quê, este acabaria quase que na obrigação de “receber espírito tal ou qual”, sobretudo para atender ao dirigente e ao grupo.
Outros aspectos a considerar são a sujeição e a inibição que, via de regra, escoltam esse tipo de exercício mediúnico (evocação), originários da perspectiva quase sempre mística cultivada em torno do médium. Cremos que a modificação do processo evocatório nas reuniões mediúnicas ocorreu porque não surtiu, após a Codificação, os efeitos almejados. Ou o mais provável, por não se obterem médiuns “desenvolvidos” com qualidades adequadas ou, em última análise, ambas as condições.
Do exposto, e considerando as graduais etapas da programação espírita na Terra, será que atualmente deveríamos promover (como ocorreu durante a codificação), um diálogo escancarado e direto com os recém-desencarnados, visando obter notícias dos mesmos para seus familiares que aqui ficaram? Quantas pessoas procuram grupos espíritas querendo notícias dos entes que “partiram”? Será que a finalidade da mediunidade é essa?(5) Há pessoas (pasmem!) que “orientam” médiuns através de cursos “avançados”, ensinando algum tipo de “técnica” para “receberem recém-desencarnados”. Tais “mestres de Espiritismo” afirmam com bazófia que alguns jovens e outros “formandos” estarão dentro em breve prestando [através da evocatória mágica] os “serviços” de consolação para os parentes que por aqui ficaram!...(?!?!?) Acredite se quiser!!!!(6)
Reafirmamos a opinião de Emmanuel – “qualquer comunicação com o invisível deve ser espontânea, e o espírita cristão deve encontrar na sua fé o mais alto recurso de cessação do egoísmo humano ponderando quanto à necessidade de repouso daqueles a quem amou, e esperando a sua palavra direta, quando e como julguem os mentores espirituais conveniente e oportuno”. (7) O bom senso nos impõe a certeza nas lições aqui consignadas pelo Mentor de Chico Xavier. O lembrete não pode ser atribuído à opinião pessoal do Benfeitor, como soi apostilar alguns, até porque não há qualquer contradição doutrinária no seu discurso.
Um grupo espírita prudente trabalha com a espontaneidade das comunicações e recorre às evocações tão só nas situações extraordinárias. Até porque "no curso do trabalho mediúnico, os esclarecedores não devem constranger os médiuns psicofônicos a receber os desencarnados presentes, repetindo ordens ou sugestões nesse sentido, atentos ao preceito de espontaneidade –  fator essencial ao êxito do intercâmbio."(8)
Notemos que não temos domínio sobre o mundo dos Espíritos que, para desagrado dos evocadores, têm suas próprias normas de conduta. Quanto aos principiantes na mediunidade, Kardec adverte energicamente “para que não se adote a evocação direta de um Espírito explicando as dificuldades do processo e aconselhando um apelo geral.”. (9)
Há circunstâncias reais que inibem ou obstam aos Espíritos atender os evocadores quando lhes são dirigidas as evocações. Observemos algumas situações que tornam a evocação impossível: quando o desencarnado está envolvido em missões ou ocupações de que não pode afastar-se; quando o Espírito não estiver mais no além, porém já (re)encarnado (só excepcionalmente pode acontecer evocação de um encarnado), mas isso é impossível se estiver reencarnado em planetas inferiores à Terra; quando o evocado etéreo se encontra em locais de punição e não tem permissão para dali se afastar; quando o médium evocador, por sua natureza ou aptidão, não consegue entrar em sintonia mediúnica com o Espírito evocado.
Além disso, como pronunciou Kardec, “as evocações oferecem mais dificuldades aos médiuns.”.(10) Certa vez, alguém nos disse o seguinte: “os dirigentes que estão propondo atualizar suas casas espíritas necessitam abdicar o entendimento contrário às evocações, pois se não houver evocações o centro espírita ficará impedido de curar obsessões (!?...), deixando de realizar uma das mais importantes obras do Espiritismo: a libertação obsessiva” (!!!???). Expliquei ao distinto evocador que o tratamento de desobsessão não é a “obra” mais imperiosa da instituição espírita. A mais importante missão do centro espírita é difundir os conceitos doutrinários, visando colaborar na reforma moral do homem. Outra coisa: o Espiritismo jamais recomendará a propagação dos impróprios métodos de exorcismo batizados de desobsessão através de ingênuas evocações.
Para Leon Denis, não é indispensável fazer evocações definidas. No grupo que dirigiu, raramente ocorreram evocações, pois “preferia dirigir um apelo aos guias e protetores habituais, deixando a qualquer Espírito a liberdade de se manifestar sob sua vigilância.”. (11) Denis legou-nos modelos excelentes de reuniões onde se cultivava a reverência intensa aos mentores do além, em que a mediunidade era desempenhada com amor, sem que houvesse perda ao estudo e à investigação.
Ademais será que impedindo ou sugerindo a não evocação de Espíritos, o campo de pesquisa na instituição se fecha e tudo fica entregue ao “Deus dará”? Será que sem as evocações de Espíritos advirá a pobreza de revelações “avançadas” do além? Há opiniões extravagantes atestando que as manifestações espirituais espontâneas são fonte de improdutividades doutrinárias, o que torna o centro espírita inerme e de onde se faz necessário sair com urgência. (Pasmem!)
Evocar ou não um Espírito é assunto que necessita, assim, ser bem ponderado, tendo sempre em mente a intenção a que ela se presta. André Luiz reafirmou o parecer firmado por Emmanuel, aconselhando a supressão, em nosso meio, “da prática da evocação nominal dos Espíritos.”. (12)
A técnica evocativa dos Espíritos teve sua época, como tiveram as mesas girantes, as pranchetas, as tiptologias, as pneumatografias e pneumatofonias, as materializações etc. Como também teve sua época “o diálogo com os Espíritos através da psicografia. O retorno ao método da evocação, inclusive, não dinamizaria as atividades mediúnicas e nem propiciaria o surgimento de médiuns mais aptos e seguros. No caso destes é exatamente o contrário: o surgimento de médiuns mais adestrados é que possibilitaria (talvez) as condições para as evocações.”. (13)
Em síntese, a evocação pode ser empregada eventualmente, priorizando-se, porém, as comunicações espontâneas. Óbvio que nenhum dos dois métodos deve ser rejeitado radicalmente, até porque isso ocasionaria prejuízos nas atividades da mediunidade nos seus vários aspectos, seja na eventual terapêutica dos quadros obsessivos, na assistência aos espíritos sofredores ou nas investigações dos fenômenos extrafísicos.


Referências Bibliográficas:

(1) A palavra "evocar" deriva do latim "evocare" que significa atrair “alguém” de algum lugar.
(2) Kardec, Allan. O Livro dos médiuns, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1971,cap. 25 item 272
(3) Idem,  item 283a
(4) Idem , item 269
(5) Hessen, Jorge. Artigo “Técnicas para  notícias de desencarnados”, publicado no site http://aluznamente.com.br/tecnicas-para-noticias-de-desencarnados-lembremos-que-o-telefone-toca-de-la-para-ca/ acessado em 12/03/2013
(6) Idem , acessado em 13/03/2013
(7) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB,  Questão 380
(8) Xavier, Francisco Cândido: Desobsessão ditado pelo Espírito: André Luiz cap. Manifestação do enfermo espiritual III, RJ: Ed. FEB, 1980
(9) Kardec, Allan. O Livro dos médiuns, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1971,cap. 17 item 203
(10) Idem , item 272
(11) Denis, Leon, No invisível RJ: Ed FEB, 1990, disponível em http://vademecumespirita.com.br/goto/store/texto/611/orientacoes-de-leon-denis-para-novos-grupos-e-iniciantes-de-reunioes-mediunicas
(12) Xavier, Francisco Cândido e Vieira, Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, cap 25
(13) Shubert, Suely Caldas. Artigo – “Da evocação dos Espíritos nas reuniões mediúnicas”, Disponível em http://suelycaldasschubert.webnode.com.br/artigos/ acessado em 12/03/2013





quarta-feira, 13 de março de 2013

DIFUSÃO ESPIRITA PUBLICADA NA REVISTA ESPIRITISMO E CIENCIA



Considerando a imprensa laica, Emmanuel advertiu: “nunca os círculos educativos da Terra possuíram tanta facilidade de amplificação, como agora, em face da evolução das artes gráficas; jamais o livro e o jornal foram tão largamente difundidos; entretanto, a imprensa, quase de modo geral, é órgão de escândalo para a comunidade e centro de interesse econômico para o ambiente particular, enquanto que poucos livros triunfam sem o bafejo da fortuna privada ou oficial, na hipótese de ventilarem os problemas elevados da vida.” (1)
A divulgação espírita atual faz jus ao apoio e o incentivo de todos nós? Sim! Não há como desconhecermos a importância da divulgação doutrinária para a manutenção da chama viva da Terceira Revelação. "O conhecimento espírita, na essência, é tão importante no reino da alma, quanto a alfabetização nos domínios da vida comum".(2)
A imprensa espírita é um notável canal de divulgação, capaz de conduzir o leitor às informações fundamentais da nossa realidade doutrinária, balizando-o, vigorosamente, em efetivos projetos de espiritualização. Destarte, é mister que os meios de comunicação estejam compromissados com a ética, com a verdade revelada pelos Espíritos Superiores e com a melhor qualidade dos temas difundidos.
Sendo poderoso meio de disseminação das verdades eternas e por dirigir-se a dois públicos – o espírita e o não espírita – a mídia kardeciana não deve ultrapassar os limites dos interesses doutrinários e imiscuir-se em altercações políticas ou disputas de lideranças pelo movimento espírita institucionalizado.
Para lograr os ideais de convivência pacífica na disseminação das verdades eternas entre pessoas de diferentes convicções, é forçoso fugir do egocentrismo. O Espiritismo é uma doutrina transcendente, destinada a influir na transformação social; por isso, deve tornar-se alteritária, para possibilitar o diálogo fraterno e não-excludente. Não se pode imaginar uma divulgação espírita desatenta ao mundo, enclausurada em si mesma.
Não é difícil averiguar que falecem meios de comunicação arejados (jornais, revistas, sites, televisão, rádios), que se pode confiar sem a sensação desagradável de asfixia, de sujeição servil a lideranças extravagantes. A coordenação do movimento espírita coevo estabeleceu um clima de autocensura, reduzindo a divulgação espírita a uma insensibilidade inerme, como se jazesse abafada a uma administração clerical.
Nos centros espíritas surgem palradores “estrelas”, funcionais e irrequietos, que transformam tribunas em ribaltas para os holofotes das mídias espíritas, quase sempre expondo a doutrina com superficialidade, aventurando uma cultura de aluguel. Não perdem a menor oportunidade de teatralizarem a palestra com surtos oratórios para extraírem dilúvios de palmas da plateia.
Outra realidade é: quanto mais se expande o ciberespaço, mais se amplia o universo da disseminação espírita na sociedade. Daí urge toda cautela para que a veiculação dos preceitos doutrinários, sobretudo virtuais, não venha a se converter em ingente esforço de propagação ideológica, a fim de converter a todos, sob o tacão da insensatez dos espiritismos à moda brasileira. Qual inumana expiação, notamos muito personalismo na difusão do Espiritismo; há muita presunção, prevalecem muitos interesses pessoais sobrepondo-se ao coletivo.
Poucos são os articulistas e oradores que têm a audácia e a consistência de se assentarem em amparo do restabelecimento da verdade revelada pelos Espíritos e do comportamento crítico no círculo doutrinário. Infelizmente, a massa popular ainda não entendeu a Doutrina Espírita. O nível baixo da cultura do povo não permitiu o desenvolvimento coerente da doutrina entre os “ilustres” excluídos do sistema elitizante. Quiçá não haja interesse da elite cultural pelo despertar das consciências vulgares, porque senão os aduladores desaparecem. Isso é muito evidente, até porque quanto mais esclarecimentos doutrinários, menos idolatrias, e como se busca shows e aplausos, é preferível "afagar" a todos, a "desgostar" o grande público de idólatras inscientes. E nessa direção a divulgação Espírita vai abafando a orientação do Evangelho Redivivo.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net/blog

Referência bibliográfica:

(1) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, questão 206, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001
(2) Vieira, Waldo. Sol Nas Almas, ditado pelo espírito André Luiz, São Paulo: Ed. Boa Nova, 2010

segunda-feira, 11 de março de 2013

JORNAL FRATERNO PUBLICOU


Para alguns confrades, o Espiritismo, no início do século XX no Brasil, ganhou uma tonalidade que o fez diferente daquele existente na Europa. Sofreu uma deformação ou determinada construção original, sobretudo pelas relações entre ele e os cultos afro-brasileiros. 
À época, o Espiritismo possuía, na Europa, um caráter mais científico e filosófico e, no Brasil, ganhou características mais religiosas. Atribui-se, a esse fator, o pendor místico da tradição cultural brasileira.Para esses estudiosos, o "abrasileiramento" do Espiritismo o levou a uma perda do caráter experimentalista e científico de sua origem, e isto correspondera a um abastardamento do Espiritismo no Brasil. Evidentemente, discordamos dessa tese que considera o Espiritismo brasileiro uma simples deturpação do europeu. 
Tais teóricos acreditam, até, que não seria possível ao Espiritismo manter uma "pureza" para onde quer que fosse difundido.Será que o termo Espiritismo inclui as crenças afro-brasileiras? É óbvio que não! Porém, desde sua chegada ao Brasil, seus adversários tentam igualá-los. Contudo, reconhecemos que a Umbanda, por exemplo, mais se parece com o Catolicismo do que com o Espiritismo, devido aos rituais, aos atos sacramentais e à hierarquia sacerdotal, os quais não existem no Espiritismo.Kardec não enfrentou este tipo de problema à época. Entretanto, no Brasil, com as peculiaridades da índole brasileira, tudo tem que ter conotação especial. Para alguns, seríamos espíritas kardequianos e eles, "espíritas" umbandistas. Para outros, somos espíritas "mesa branca" e eles, de terreiros. Os termos não têm razão de ser, mas a urgência em nos diferençarmos de outras seitas religiosas tem levado certos espíritas a utilizarem essas inadequadas adjetivações.O Espiritismo é uma Doutrina religiosa que tem Jesus como guia e modelo de conduta. Não há como compreender o Espiritismo sem Jesus e sem Kardec, para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe.
Como diferença fundamental na prática doutrinária, o Espiritismo não adota em suas reuniões: paramentos ou quaisquer vestes especiais; vinho, cachaça, ou qualquer outra bebida alcoólica; incenso, mirra, fumo ou quaisquer outras substâncias que produzam fumaça; altares, imagens, andores e velas; hinos ou cantos em línguas mortas ou exóticas; danças ou procissões; atendimento a interesses materiais, terra-a-terra, mundanos; pagamento de qualquer espécie; talismãs, amuletos, orações miraculosas, bentinhos e escapulários; administração de sacramentos, concessão de indulgências, distribuição de títulos nobiliárquicos; horóscopos, cartomancia, quiromancia e astrologia; rituais e encenações extravagantes; promessas e despachos; riscar cruzes e pontos; praticar, enfim, a extensa variedade de atos materiais oriundos de velhas e primitivas concepções religiosas.
Outro fator relevante, a palavra "espírita" foi criada por Allan Kardec em 1857 e designa, tão-somente, os adeptos do Espiritismo, cujas atividades estão sempre voltadas à prática da caridade em seu sentido mais amplo. Portanto, a denominação "espírita" não deve ser associada a práticas com bases em quaisquer rituais, pela incoerência que isso representa. Rejeitamos, pois, assim, qualquer associação do Espiritismo com práticas distanciadas das orientações de Allan Kardec, da ética e dos preceitos codificadas por ele.Seria a Umbanda o mesmo que Espiritismo? Com todo respeito que os umbandistas merecem, respondemos que não! Umbanda é, basicamente, prática religiosa surgida entre os africanos bantos e sudaneses, trazidos para o Brasil como escravos. É o resultado do amálgama com o Catolicismo, reunindo ainda folclore, superstições e crendices, sem doutrina codificada.
Com a vinda dos escravos africanos para o Brasil, o sincretismo religioso se tornou uma prática comum entre os escravos, pois os senhores de engenho não permitiam nenhuma outra religião, exceto a católica. Desta forma, surgiu a Umbanda, amplamente difundida em todas as camadas sociais do país. Sua entronização no país teve razões variadas. Uma delas é essa bagagem religiosa atávica que nos liga ao passado do negro e do índio (pretos-velhos e caboclos). Outro fator foi a de desenvolver junto ao povo, uma prática mediúnica mais voltada para os interesses imediatistas e populários.No meio religioso convencional, os pastores e padres colocam como adeptos da Doutrina Espírita, as pessoas que "mexem" com os Espíritos, com macumba. Para tais religiosos os seguidores da Umbanda, do Candomblé, os jogadores de búzios, de tarô, os ledores de sorte, etc., são todos praticantes do Espiritismo. Por causa dessa suprema ignorância, temos o dever de procurar esclarecer essas distorções, sempre que a confusão se estabelecer. Sabendo, porém que o termo já está popularizado na linguagem comum, é aconselhável que se utilize o termo Doutrina Espírita em lugar de Espiritismo, quando a ocasião exigir. Vai aqui apenas uma singela sugestão.
A Umbanda é um culto com identidade específica e suas práticas, embora tenham alguns pontos de convergência com o Espiritismo, de um modo geral, as contradizem, por serem antagônicas. Em se tratando de prática doutrinária, não se pode ser umbandista e espírita ao mesmo tempo. A Umbanda tem público e finalidade apropriados. Seus cultos são voltados a rituais e procedimentos que em nada se compatibilizam com a Doutrina Espírita. Estranhíssimos são os santuários que, em alguns dias trabalham com o "Espiritismo" e em outros com a Umbanda. Seria possível existir uma roda quadrada?Se for de bom alvitre que os lídimos espíritas não trabalhem em duas casas espíritas simultaneamente, imagine então a confusão espiritual que se forma quando se participa de dois cultos que não possuem afinidade entre si. Isso tem sido fonte de desequilíbrio psíquico e emocional de praticantes pouco esclarecidos quanto a esse aspecto.O Espiritismo (Doutrina Espírita) codificado por Allan Kardec nos traz princípios racionais inobservados em outras doutrinas filosóficas e morais. 
É ele o Consolador Prometido por Jesus para ajudar na edificação do futuro da humanidade. Cremos que nossa incapacidade de minimizar certas dificuldades de interpretação entre Doutrina Espírita e Doutrinas afro-brasileiras está na falta de estudo e de preparo moral e intelectual adequados de muitos líderes espíritas. Por razões diversas, algumas pessoas tornam-se dirigentes de centros espíritas sem possuírem condições doutrinárias para isso. Portanto, fundamentalmente, o grande mal ainda é o pouco interesse que os adeptos têm pelo estudo sério das Obras Básicas.Religião científico-filosófica, o Espiritismo não pretende demolir as bases de outras crenças. Antes, reconhece a necessidade da existência delas para grande parte da humanidade, cuja evolução se processa lentamente.
A mediunidade, presente em ambas as doutrinas, é patrimônio comum a todos. Entretanto, cada seguidor registra-lhe a evidência a seu modo. De nossa parte, é possível praticá-la com a simplicidade evangélica, baseados nos ensinamentos claros do Mestre, que esteve em contacto incessante com as potências invisíveis ao homem vulgar, curando obsedados, levantando enfermos, conversando com os grandes instrutores materializados no Tabor, ouvindo os mensageiros celestiais em Getsemani e voltando Ele próprio a comunicar-se com os discípulos, depois da morte na cruz.O bom senso nos sussurra que não importa que os aspectos da verdade religiosa recebam vários nomes, conforme a índole dos seguidores. Vale a sinceridade com que nos devotamos ao bem. Muitos estudiosos espíritas consideram lícito trabalhar, tão-somente, com espíritos superiores, relegando as manifestações mediúnicas vulgares à fossa da obsessão e da enfermidade, que, na opinião deles, devem ser entregues a si mesmas, sem qualquer atenção de nossa parte. Há estudiosos espíritas que não suportam qualquer manifestação primitivista. Se o médium incorpora espíritos primários, afastam-se dele, agastadiços, responsabilizando-o por fraude ou mistificação. Isso é um contra-senso sem respaldo no Evangelho. Importa considerar, nesse debate, que cultos afro-brasileiros e Doutrina Espírita devem estar, cada qual, em seu devido lugar sem miscelâneas, respeitando-se mutuamente sempre. 
Até porque, o Espiritismo nos remete ao tesouro da fé raciocinada, esclarecendo-nos e habilitando-nos a estender o bem, a partir de nós mesmos. Sabemos que uma religião digna, qualquer que seja o Templo em que se expresse, é um santuário de educação da alma, em seu gradativo desenvolvimento para a imortalidade.


Jorge Hessen

sábado, 9 de março de 2013

BRASÍLIA ESPÍRITA PUBLICOU



“BRASÍLIA ESPÍRITA” 40 ANOS DISSEMINANDO ESPIRITISMO NA PÁTRIA DO EVANGEHO
Jorge Hessen

Em tempos recuados a população brasileira consistia em um arraial incorporado no litoral, lançando um olhar nostálgico para o solo de outros continentes (africano e europeu). Na percepção de que o Brasil jazia de costas para o Brasil, surgiram os amplos clamores para advogar a interiorização do país, opinião primeiramente defendida por Sebastião José de Carvalho e Melo – o Marquês de Pombal – em 1761. Em seguida, em 1789, os inconfidentes, liderados por Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes – demonstravam um manifesto anseio por um processo de interiorização do Brasil.
Na Assembleia Constituinte de 1823, José Bonifácio – o Patriarca da Independência – no documento intitulado "Memória sobre a necessidade e meios de edificar no interior do Brasil uma nova capital", defendeu a construção da nova cidade, sugerindo dois nomes para o que seria a nova capital do país, idealizada no Planalto Central: Petrópolis e Brasília.
Na Proclamação da República do Brasil, em 1889, a constituição republicana estabelecia a mudança da capital do Rio de Janeiro para o Planalto Central. Mais tarde, o Presidente Epitácio Pessoa, amparado na constituição de 1891, lançou a pedra fundamental da nova capital do Brasil, no Morro do Centenário, em Planaltina, estado de Goiás. Meio século após, mergulhado no arroubo profético, Juscelino Kubitschek registrou: "deste Planalto Central, desta solidão em que breve se transformará em cérebro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino", inaugurando a 21 de abril de 1960 a Capital de todos os brasileiros.
Carlos Torres Pastorino, 13 anos após a fundação de Brasília, assinalou na primeira edição do jornal BRASÍLIA ESPÍRITA que a fronteira do Distrito Federal “é a atmosfera brilhante e límpida de um céu que se perde no infinito, conectando-a apenas com o sol durante as horas do dia, e com as estrelas semeadas pela imensidão sideral nas horas silenciosas e meditativas das noites serenas que refrigeram as almas. Por sua natureza, Brasília é um apelo para todos que voltem seus olhares para o Alto, numa ascensão sem fim, fora do espaço e do tempo, na subida evolutiva mais rápida e mais firme, para a eternidade e para o infinito.” (1)
Naquele áurico 21 de abril de 1973, data escolhida para o lançamento do jornal BRASÍLIA ESPÍRITA, duas motivações fundamentais planavam no imaginário dos fundadores: “o martírio de Tiradentes e a “inauguração de Brasília”. À época, Mário de Almeida, diretor secretário do jornal, enunciava que o periódico era consagrado para a divulgação espírita cristã na Capital da Pátria do Evangelho, enquadrado “no desígnio da evangelização das almas e no estudo pacífico das verdades espirituais aclamadas por Kardec. Seu escopo é o de unir todos os esforços na Doutrina Espírita e construir a frente única da espiritualidade acima e além das controvérsias e dos desentendimentos.” (2)
BRASÍLIA ESPÍRITA tem desempenhado seu compromisso doutrinário convidando seus leitores para a reverência da liberdade de crença de cada qual, até porque é um predicado constitucional e um direito do indivíduo.
A Terceira Revelação abanca seus alicerces na composição de todos os princípios religiosos: Deus, justiça divina, imortalidade da alma, caridade e amor. Considerando os distintos graus em que estagiam as pessoas no campo da consciência e do pensamento, tornam-se cogentes formulações, não exclusivamente religiosas, todavia, igualmente de condutas ajustadas com o estágio de desenvolvimento em que cada ser humano se encontra.
Almejamos que pelo pensamento construtivo e pelo progresso moral e espiritual da geração nascida no Distrito Federal, o brasiliense, que já é uma espécie de síntese nacional, transforme Brasília na Capital do Evangelho ante a Pátria do Terceiro Milênio. Até porque é forçoso rememorarmos que “o Brasil facultará ao mundo inteiro uma expressão consoladora de crença e de fé raciocinada, e será o maior celeiro de claridades espirituais do orbe inteiro” (3), embora compreendamos não ser uma programação para imediato, e nem será antecipada ao desdobramento dos ensinos de Jesus apenas no Brasil, visto que a lição doutrinária do pensamento do Cristo é Universal.


Referências:
(1)           Pastorino, Carlos Torres. Artigo intitulado “21 de abril” , publicado na primeira edição do Jornal Brasília Espírita em 21/04/1973
(2)          Mário de Almeida, Diretor Secretário do Jornal Brasília Espírita, publicado na primeira edição do Jornal Brasília Espírita em 21/04/1973
(3)           XAVIER, F. C. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (pelo Espírito Humberto de Campos). 11. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.

quinta-feira, 7 de março de 2013

O CÉREBRO HUMANO NUMA CONCISA ANOTAÇÃO ESPÍRITA


Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br


O cérebro é um complexo órgão composto de ligações, filamentos e redes bem estabelecidas que formam uma conexão transportando informações para todas as partes do corpo físico. Na “massa cinzenta” não há somente uma célula individual que decifra uma função distintiva, mas um grupo admirável delas vinculadas numa “rede neural”. A atividade comum dos múltiplos espaços do cérebro está abrangida com todas as funções cerebrais, incluindo as experiências de consciência, como os pensamentos, a visão, a audição, as destrezas.
A cada dia, a neurociência depara com vastos desafios (expostos ou ocultos) nas entranhas cranianas. “O cérebro assemelha-se a complicado laboratório em que o espírito – prodigioso alquimista – efetua inimagináveis associações atômicas e moleculares, necessárias às exteriorizações inteligentes.” (1) É a máquina ("hardware humano") que expressa a inteligência no mundo material; por isso, muitos estudiosos da mente humana fazem da inteligência um predicado do cérebro. São fascinantes as transformações encefálicas que sobrevêm diante dos esforços de aprendizagens de idiomas, música, ciências exatas, artes em geral. Até mesmo nos transes mediúnicos há alterações cerebrais. Pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Thomas Jefferson, da Filadélfia, EUA, monitorou os fluxos sanguíneos em diferentes regiões do cérebro durante a psicografia, sendo observada a atividade cerebral através de tomografia computadorizada por emissão de fótons únicos a áreas ativas e inativas. Foi constatado que a mediunidade altera a dinâmica cerebral. (2) Contudo, conforme Andrew Newberg, diretor de pesquisa do Myrna Brind Center of Integrative Medicine, “a reação cerebral à mediunidade recebe pouca atenção científica.” (3)
Admirável e insólito conjunto conexo de dezenas de bilhões de neurônios em rede específica e complexa, o cérebro é comparado ao mais extraordinário computador que o homem ainda não pode edificar. Suas secreções governam as reações de todo o cosmo fisiológico, trabalhando pela vida física e psíquica. Há semelhanças notáveis com a cibernética, pois os computadores contemporâneos são legítimos “cérebros artificiais”, conquanto extremamente elementares e restritos em analogia com o encéfalo psicossomático. São simples bancos de dados que resolvem entre duas opções, segundo um código preestabelecido e de acordo com o acervo de dados que têm registrado em suas memórias. É óbvio que não desejamos afirmar que o computador seja inteligente, e muito menos que tenha intuição, porém é exato expor que se aproveita de uma das qualidades da inteligência humana, ou seja, a memória.
Os resultados das pesquisas sobre as reações cerebrais, quando se estuda idiomas por exemplo, apontam para a expansão do hipocampo, dentre outros fenômenos encefálicos. Mas será que da influência dos órgãos se pode inferir a existência de uma relação entre o desenvolvimento do cérebro e o das habilidades e inteligências? Advertem os Benfeitores Espirituais para “não confundirmos o efeito com a causa. O Espírito dispõe sempre das faculdades que lhe são próprias. Ora, não são os órgãos que dão as faculdades [aptidões e inteligências], e sim estas que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos.”(4)
O Espiritismo e a Ciência se completam, os princípios do mundo espiritual e as leis do mundo material são faces de um evento comum. A Ciência necessita do Espiritismo, tanto quanto o Espiritismo precisa da Ciência; isolados, não chegarão a um saldo final e submergirão no labirinto de suposições arriscadas. A neurociência é de viés essencialmente mecanicista, e logicamente, nesse caso, há uma diferença basilar entre uma ciência materialista e a ciência espírita, pois, enquanto a primeira faz do cérebro o excretor da habilidade e inteligência, a segunda faz do encéfalo apenas um instrumento do espírito, que é o ente inteligente individualizado.
Para alguns especialistas, um dos aspectos perturbadores do tema sintetiza-se nas indagações: “Cérebro menor é sinônimo de habilidade e inteligência mínimas?”; “Cérebro grande é garantia de uma inteligência e habilidade maiores?” Entendemos que habilidade (aptidão) e inteligência são atributos essenciais do espírito, portanto o corpo físico é simplesmente um envoltório que serve de instrumento para o exercício das capacidades espirituais. Entretanto, será que a massa cerebral maior realmente pode ser indício de maior aptidão e inteligência? E cérebro menor pode ser indicativo de inteligência e competência menor? As pesquisas de alguns neurocientistas garantem que sim.
Mas não podemos prever categoricamente a habilidade e inteligência de uma pessoa medindo o tamanho do seu cérebro. “Um dos alunos que estuda na universidade (Sheffield University) tem um QI de 126, ganhou prêmios como melhor aluno de matemática e tem uma vida social normal. Mas não tem cérebro, literalmente falando... Quando foi submetido a um exame, verificou-se que em vez de um cérebro normal de espessura de 4,5 centímetros entre os ventrículos e a superfície cortical, havia apenas uma fina camada de tecido de pouco mais de um milímetro de espessura. Seu crânio é preenchido apenas com fluido cerebrospinal.” (5)
É bastante difícil explanar sobre esses curiosos elementos a fim de apreciar a função desempenhada pelo cérebro; ir mais adiante, visando levantar pontos para melhor compreensão do assunto é desafiador. É interessante indagar aos neurocientistas: onde a sede da consciência e do pensamento? Do que são feitas as “vozes” e imagens da lembrança? Onde enxergamos as imagens produzidas pela imaginação? O que é o inconsciente e de onde brotam as lembranças antes de as termos conscientemente? O que é a mente e o que anima o corpo? São pontos que a neurociência não dá conta de explicar.
Conforme o Espírito André Luiz, o cérebro “se divide em três regiões distintas, onde, na primeira região, situamos a “residência de nossos impulsos automáticos”, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados; na segunda, localizamos o “domicílio das conquistas atuais”, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando; na terceira, temos a “casa das noções superiores”, indicando as eminências que nos cumpre atingir. Numa delas, moram o hábito e o automatismo. Na outra, residem o esforço e a vontade; e, na última, moram o ideal e a meta superior a ser alcançada. E assim distribuímos o subconsciente, o consciente e o superconsciente. Como vemos, possuímos em nós mesmos o passado, o presente e o futuro.” (6)
Mesmo que permaneça aparentemente estacionária, a mente (espírito) prossegue seu caminho, sem recuos, sob atuação das forças visíveis ou invisíveis. Na vontade, “temos o controle que a dirige nesse ou naquele rumo, estabelecendo causas que comandam os problemas do destino. Sem ela, o desejo pode comprar ao engano aflitivos séculos de reparação e sofrimento; a inteligência pode aprisionar-se na enxovia da criminalidade; a imaginação pode gerar perigosos monstros na sombra, e a memória, não obstante fiel à sua função de registradora, conforme a destinação que a natureza lhe assinala, pode cair em deplorável relaxamento.” (7)
Ainda sob o enfoque espírita, “o cérebro é o dínamo que produz a energia mental, segundo a capacidade de reflexão que lhe é própria. A mente (espírito) é a mestra desse mundo microscópico, em que bilhões de corpúsculos e energias multiformes se aplicam a seu serviço. Dela procedem os fluxos da vontade, produzindo vasta rede de estímulos, reagindo ante as exigências da paisagem externa, ou atendendo às sugestões das zonas interiores. Posta entre objetivo e subjetivo, é coagida, pela lei divina, a aprender, verificar, escolher, repelir, aceitar, recolher, guardar, enriquecer-se, iluminar-se, progredir sempre.


Referência bibliográfica:
(1)    Xavier, Francisco Cândido. “Emmanuel”, ditado pelo espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 1938
(2)    As áreas do lóbulo frontal estão ligadas ao raciocínio, ao planejamento, à geração de linguagem, aos movimentos e à solução de problemas, pelo que os pesquisadores acreditam que durante a psicografia “mecânica” ocorre uma ausência de percepção de si mesmo e de consciência.
(3)    Artigo divulgado pela revista Public Library of Sciences, dezembro de 2012, disponível em http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/efe/2012/11/17/cientistas-estudam-o-cerebro-de-mediuns-brasileiros-em-transe.htm , acessado em 07/02/2013
(4)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2002, questão 370.
(5)    Bruce H. Lipton. A biologia da crença - Ciência e espiritualidade na mesma sintonia, (os  estudos pioneiros de Lipton sobre a membrana celular foram os precursores de uma nova ciência, a epigenética, da qual se tornou fundador e um dos seus maiores especialistas). Disponível em http://www.guia.heu.nom.br/cerebro.htm , acessado em 06/03/2013
(6)    Xavier, Francisco Cândido. No mundo maior, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1947.
(7)    Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e Vida, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1999.

segunda-feira, 4 de março de 2013

DILÚVIO DE LIVROS “ESPÍRITAS” DELIRANTES



Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

 Como (re)agir diante dos livros antidoutrinários, supostamente “mediúnicos”, que invadem as instituições espíritas, colonizando turbas de ingênuos adeptos? Há pseudomédiuns, sem qualquer compromisso com o Espiritismo, que agem quais livres atiradores, e paradoxalmente “suas obras são vendidas nos Centros Espíritas, porque vendem muito, mas o tempo que se consome lendo seus livros é um desvio do tempo de aprendizagem da Doutrina Espírita.” (1)
Possivelmente seja perda de tempo acercar-nos desse cansativo tema. Todavia, acreditamos que sob o pálio do velho adágio “cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém”, a questão pode ser abordada de forma menos complicada. Antes, porém, reafirmamos tudo o que já registramos muitas vezes na imprensa: os livros insalubres não devem ser comercializados nas livrarias de uma instituição espírita! Nem mesmo em nome da surrada cantilena “liberdade de expressão”. “Não faz nenhum sentido as instituições continuarem comprando essa literatura [infausta]. Deveriam fazer a barreira de obstrução mesmo sem brigar com ninguém, até porque somos espíritas e é urgente saber o que é um livro genuinamente espírita.” (2)
Raul Teixeira explana o seguinte: “quanto mais descomprometido com a Doutrina Espírita é o ‘livrinho’ ou o ‘romancinho’, mais o povo gosta. Somos responsáveis por essa chuva de lodo sobre a nossa literatura espírita que dá lucros exorbitantes. Muitos clubes do livro [com honrosas ressalvas] não respeitam a Doutrina Espírita e normalmente colocam mensalmente um livrinho “baratinho” para cobrar mais caro e terem altos lucros sobre os seus assinantes.” (3)
Atualmente são vendidos a rodo esses destroços literários. “É preciso frear a entrada dessas obras nas instituições. Que os editores vendam onde quiserem, menos no centro espírita. É muito importante os espíritas assumirem posição. Nunca será falta de caridade denunciar o mal. Falta de caridade é nossa omissão ante a disseminação do mal através dos livros. Não podemos entrar na falácia de que o mal é querer o bem.” (4).
Há obstinados gênios das trevas divulgando “pérolas azuis” do tipo “o mundo espiritual é uma cópia do mundo físico e não o contrário”; “a mulher desencarnada sofre fluxos menstruais”; “os Espíritos vão ao banheiro e dão descarga”, “instrutor espiritual conta piadas pornográficas”, “mentor descreve com minúcias as curvas sensuais de jovem desencarnada”, “mentor endossa o aborto de anencéfalos”. É chocante! Nessa invasão “mediúnica” enunciam “que existem relacionamentos sexuais para promoção de ‘reencarnação’ no Além”. Ah!, por falar em reencarnação, tais livros revelam as várias “reencarnações” de Allan Kardec, culminando por encontrar o mestre de Lyon imerso num  corpo (re)nascido em Pedro Leopoldo. Seria patético se não fosse burlesco, ou o avesso?!  Seria cômico se não fosse  trágico.
Garante tal literatura que “as pretas e pretos velhos, caboclos e correlatos, são entronizados como mentores de instituições espíritas.” Óbvio que as tradições das práticas mediúnicas africanas e ameríndias não padecem de discriminação entre os espíritas estudiosos, nem avaliamos os Espíritos de índios e negros, de todo, involuídos, todavia, ignorantes. Sim! Porque se fossem mais conscientes ou se não fossem ignorantes, não algemariam a mente em atavismos de personagens do pretérito. Estamos diante de delírio e de extrema fascinação no movimento espírita doutrinário.
Os dirigentes não utilizam de forma criteriosa as barreiras para seleção doutrinária dos livros expostos ao público! Afirma Divaldo Franco que “o pudor em torno do Índex Expurgatorius da Igreja Romana tem levado muitos líderes a uma tolerância conivente [contemporização].”(5) As instituições espíritas [inclusive algumas federativas], “por interesse puramente comercial, vendem quaisquer livros “psicografados”, de autoajuda, de esoterismo, de outras doutrinas, quando deveriam preocupar-se em divulgar as obras do Espiritismo, tendo um critério de lógica.”(6)
Temos observado que sob o lábaro da “liberdade cultural” há os que pugnam pelo não expurgo dos livros antidoutrinários nas prateleiras das nossas bibliotecas espíritas, desde que haja na página inicial dessas obras (avaliadas como lesivas ao programa da Codificação), sumários de análise e sugestão para a leitura de obras com contextos adversos. Interessante esse método, sem dúvida, mas cremos que o ingresso dos espíritas (menos precavidos), deve ser irrestrito tão somente nas bibliotecas que se balizem exclusivamente nas obras doutrinariamente irrefutáveis.
Logicamente, sem obrigação de pelejar com os desfavoráveis a restrições, podemos aceitar a catalogação dos atuais “entulhos-literários” e destiná-los a espaços de leitura apenas frequentados por espíritas conscienciosos e pesquisadores honestos, capazes de analisar com lucidez os conteúdos das obras. Somos partidários do ideário de “que as instituições espíritas deveriam ter uma comissão para analisar e avaliar a qualidade do livro e divulgá-los ou não, porquanto as pessoas incautas ou desconhecedoras do Espiritismo fascinam-se com ideias verdadeiramente absurdas. (7) Destarte, é importantíssimo “montar a barreira natural do exame [dos livros] consoante recomenda Kardec, até porque não se trata de reconstrução do arrepiante Índex Librorum Prohibitorum..” (8)
Se a biblioteca for acessível a qualquer pessoa, é urgente toda precaução, pois quanto maior nível de ignorância do ledor, importância máxima dará a “segurança” oferecida pela instituição ao livro a que ele tem livre acesso para leitura. Infelizmente, para os calouros e/ou incautos, o que é oferecido pelo centro espírita é interpretado como válido, fidedigno e doutrinariamente correto. Eis aí o “deus-nos-acuda” instalado! Cremos que “mesmo sem atracar com ninguém é imperioso defender o território [instituição espírita], porque quem compra [ou toma emprestada] uma obra de má qualidade no centro, sai declarando que aquela obra é espírita, pois foi adquirida no centro. Se um centro espírita comercializa uma obra de má qualidade é porque esse centro também é de má qualidade.” (9)
Sobre as bibliotecas espíritas, concordamos que as mesmas devem ser locais “intocáveis”. Porém, não há como comparar a liberalidade de uma biblioteca mundana (descompromissada com a Terceira Revelação) com uma biblioteca espírita. Nada mais desigual! Os desígnios são completamente diferentes. A primeira prima por arquivar, conservar e oferecer informações para desenvolvimento da cultura ordinária. A biblioteca espírita, entretanto, deve ser ambiente intocável, e muito mais do que isso, deve ser um templo abençoado para abrigar as obras ajuizadas e consagradas universalmente pelos Benfeitores Espirituais. A primeira propõe aclarar o intelecto, mas a segunda necessita alumiar a mente e potencializar o coração do homem.
Não podemos permitir que as instituições espíritas sejam transformadas em picadeiros, inobstante seja a “comédia o inverso da tragédia”(10), porém, na retaguarda do malfeitor campeia o bufão (protagonista do circo), e “os falsos devotos têm por acólitos seres ineptos, que só agem por imitação: à maneira dos espelhos, refletem a fisionomia de seus vizinhos. Tomam-se a sério, enganam-se a si próprios; a timidez os faz zombar daquilo em que não acreditam, exaltam o que duvidam, comungam com ostentação e acendem às escondidas pequenas velas, às quais atribuem muito mais virtude do que a transformação moral.”(11)
Os espíritas desleais são os verdadeiros descrentes da equidade, da esperança, da Natureza e de Deus; recusam o bom senso e afiançam o fanatismo. A desencarnação, porém, os arrastará encharcados de águas de cheiro e cobertos de ouropéis, que hoje os disfarçam entre os homens.
Pelo exposto, é inadmissível ficarmos temerosos de sermos classificados de anacrônicos, conservadores ou até mesmo clericais. Depende de todos nós melhorar a qualidade das práticas doutrinárias e cada qual deve fazer a sua parte. É importante sermos inexoráveis para blindar ininterruptamente a Doutrina Espírita contra os títeres das trevas (conhecidos como falsos profetas da atualidade), que tapeiam quais concessionários das Trevas. Contra eles devemos nos insurgir, a fim de expor o Espiritismo como Doutrina ajuizada, sublime e incorruptível.


Referências:
(1)    Divaldo P. Franco, http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2013/02/opiniao-do-divaldo-franco-sobre.html , acessado em 24/02/2013
(2)    Raul Teixeira  http://tanialeimig-espiritismo.blogspot.com.br/search?updated-min=2013-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2014-01-01T00:00:00-08:00&max-results=4 , acessado em 23/02/2013
(3)    idem
(4)    idem
(5)    Divaldo P. Franco, http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2013/02/opiniao-do-divaldo-franco-sobre.html , acessado em 24/02/2013
(6)    idem
(7)    idem
(8)    Raul Teixeira  http://tanialeimig-espiritismo.blogspot.com.br/search?updated-min=2013-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2014-01-01T00:00:00-08:00&max-results=4 , acessado em 23/02/2013
(9)    idem
(10)    Kardec, Allan. Revista Espirita/outubro de 1863 , mensagem ditada pelo Espírito Delphine de Girardin, disponível em   http://www.sistemas.febnet.org.br/site/indiceGeralDeRevistas/verArtigo.php?CodArtigo=575&Palavra=B%EDblia , acessado em 25/02/2013
(11)    idem