sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

“TERRORISMOS” E “FUNDAMENTALISMOS” CONSUMEM OS HUMANOS “IRRACIONAIS” (Jorge Hessen)

Jorge Hessen

Dois homens vestidos de preto, encapuzados e armados com fuzis automáticos abrem o fogo na redação de Charlie Hebdo, em plena reunião de pauta, aos gritos de "Allah akbar" (Alá é grande). Matam 11 pessoas na sede do jornal e um policial na saída, antes de fugir de carro rumo à zona nordeste de Paris. A maioria das capas de jornais pelo mundo têm a cor dominante preta em sinal de luto, e anônimos colocam flores, lápis, velas e mensagens perto da sede de Charlie Hebdo. Toda França respeita um minuto de silêncio, enquanto os sinos dobram na catedral Notre Dame de Paris. As luzes da Torre Eiffel, outro cartão postal da cidade, são desligadas por alguns instantes às 20h. 

Não há, ao menos por enquanto, uma definição oficial no plano internacional sobre o que é propriamente o terrorismo, mas se pode considerar como terrorista todo e qualquer ato ou organização que utilize métodos violentos ou ameaçadores para alcançar um determinado objetivo político. Assim, sequestros, atentados a lugares públicos e privados, ataques aéreos, assassinatos ou outras formas de agressão podem ser relacionados com o terrorismo. Embora as definições de terrorismo sejam imprecisas a atuação dessas organizações é antiga, a exemplo do atentado de Sarajevo, em 1914, constituído pela organização Mão Negra e que culminou na morte do herdeiro do Império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando (estopim da Primeira Guerra Mundial).

Os maiores grupos terroristas da atualidade são de origem islâmica. Como a Al-Qaeda, majoritariamente composta por muçulmanos fanáticos e tem por objetivo erradicar a influência ocidental sobre o mundo árabe; O Boko Haram , organização antiocidental que objetiva implantar a sharia (lei islâmica) no território da Nigéria; O Hamas (sigla em árabe para “Movimento de Resistência Islâmica”) é temido pela maioria das organizações internacionais e Estados. Atua nos territórios da Palestina, tendo como objetivo a destruição do Estado de Israel e a consolidação do Estado da Palestina; O Estado Islâmico (EIIS), grupo terrorista jihadista que age no Iraque e na Síria, tendo surgido em 2013 como uma dissidência da Al-Qaeda, inspirando-se nesse grupo e o Talibã que atua no Paquistão e no Afeganistão, também preocupado com a aplicação das leis da sharia (é o nome que se dá ao Direito Islâmico). 

Os discursos psicopatológicos e religiosos são apontados como fatores de compreensão causais da questão terrorista na atualidade. Na difusão midiática, esses elementos são a base para a compreensão do fenômeno, eliminando, praticamente, fatores sócio-políticos e econômicos do seu discurso. Contudo, a busca pelo entendimento mais amplo do problema envolve conhecimento das Relações Internacionais, História, Política e Sociologia e Antropologia, aos quais o jornalista atualizado pode recorrer, sempre que se reportar ao terrorismo islâmico contemporâneo.

Muitas vezes temos a impressão de que a forma da religiosidade armada e eventualmente violenta, conhecida como "fundamentalista", é um fenômeno puramente islâmico (ideia imposta por Israel e os Estados Unidos). Porém, o fundamentalismo é um fenômeno mundial e, em algumas religiões, e, até mesmo, em partidos políticos, tem surgido como resposta aos problemas de nossa modernidade. O termo terrorismo islâmico é abundante nas páginas de jornais e revistas. Reducionista, esta denominação não permite uma compreensão da complexidade que envolve o terrorismo, suas causas sócio-políticas, e deixa implícito que o problema do terrorismo está na religião, portanto, em todo o mulçumano, quando na realidade é um recurso de pequenos grupos que fazem uma leitura extremista da religião e/ou de partidos políticos.

Para o terrorismo sustentado no fanatismo, os inocentes devem pagar pelos inimigos; a destruição deve ser a única linguagem possível. O fanatismo parece surgir de uma estrutura psicótica. O fato do sujeito se ver como o único que está no lugar de certeza absoluta, de ter sido escolhido por Deus para uma missão qualquer, já constitui sintoma suficiente para muitos psiquiatras diagnosticarem, aí, uma loucura ou psicose. Seguindo o raciocínio de Sigmund Freud, vemos que aquilo que o psicótico paranoico vivencia na própria pele, o parafrênico experimenta na pele do outro, ou seja, somos levados a supor que o fanatismo está mais para a parafrenia [1] que para a paranoia.

Temos a convicção de que, por trás dos novos fanatismos religiosos - católicos, evangélicos, espíritas, muçulmanos, hinduístas etc. - há o pendor místico do religioso que leva a uma cristalização da fé, desembocando numa falsa doutrina das virtudes. A base dos fanatismos é o medo: medo à liberdade, medo à vida, medo à cultura, medo, medo, medo, enfim, medo do mundo, que é encarado de um modo suspeito e hostil.

O fanatismo é a intolerância extrema para com os diferentes. Um evangélico fanático é incapaz de diálogo e respeito para com um católico ou um budista e vice e versa. Um fanático de direita não quer diálogo com os de esquerda e este com aquele. Organizações como a Ku Klux Klan são intolerantes, igualmente, com negros adultos, mulheres e crianças. Destarte, são tão fanáticos os terroristas-suicidas muçulmanos como os fundamentalistas cristãos norte-americanos que atacam clínicas de abortos, perseguem homossexuais, proíbem o ensino da teoria evolucionista de Darwin, obrigando aos professores ensinarem a doutrina criacionista tal como está na Bíblia, ou ainda, os protestantes da Irlanda do Norte que atacam crianças católicas ou os bascos que querem ser um país independente, a qualquer preço, por meio do terror.

Sabemos que a desordem devastadora de hoje é a guerra aterrorizante da treva contra a claridade do amor. “A vitória do Bem reclama espíritos fortalecidos de Coragem e Fé, acima de tudo. O mundo cheio de sombras do mal não oferece lugar a espectadores. A guerra de nervos traz ameaças, gritos, terrores, bombas, incêndios, metralhadoras, mas o defensor do Bem traz o caráter firme, solidificado na confiança em Deus e em si mesmo. Nestas horas de apreensões justas, recordemos as palavras serenas do Mestre: - "E quando ouvirdes de guerras e sedições, não vos assusteis".[2]

A Doutrina Espírita nos faz entender quem somos, efetivamente, quem realmente é o ser humano em sua vocação e circunstância, visão que possibilita, por sua vez, a compreensão e a vivência de uma vida social, moralmente correta, a partir da qual podemos julgar com retidão se determinadas atitudes e ideias propostas por grupos políticos e/ou religiosos correspondem àquilo que o próprio Criador espera de nós.

A Terra é um mundo de expiações e provas, razão pela qual a paz absoluta ainda não se encontra aqui no Planeta, só em mundos mais evoluídos. Em nosso orbe, a tranquilidade social é relativa. [3] É verdade! Ao Espiritismo cristão está reservada a tarefa de alargar os horizontes dos conhecimentos, nos domínios da alma humana, contribuindo para a solução dos enigmas que atormentam as sociedades contemporâneas de todas as culturas, projetando luz nas questões quase que indecifráveis do destino e das dores morais do homem contemporâneo.


Nota e referências bibliográficas:

[1] Parafrenia é um composto erudito constituído pelos elementos gregos 'para' ("junto, ao lado de") e 'phrenía' ("estado mental patológico") e significa "conjunto de problemas mentais que inclui a demência precoce e a paranóia".
[2] Xavier, Francisco Cândido. Harmonização, ditado pelo Espírito Emmanuel, São Paulo: Ed. GEEM. Lição nº 19. Pág.101
[3] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 20, capítulo V, RJ: Ed. FEB, 2000.

PRESIDIÁRIAS E OS “BEBÊS CATIVOS” – UM DILEMA MODERNO (Jorge Hessen)

Jorge Hessen

Muito se discute a situação dos presos no Brasil, mas poucos voltam seu olhar à parcela feminina dessa população. As encarceradas normalmente são abandonadas pela família. A maioria das presas enfrenta dificuldades sociais e econômicas – contexto definidor para entrada delas no mundo do crime. No Brasil, o tema surgiu com a Lei de Execução Penal de 1984, que determina aos presídios femininos a construção de berçários para a condenada cuidar dos filhos e amamentá-los por um mínimo de seis meses. Outro artigo garante creche para crianças maiores de 6 meses e menores de 7 anos. A Constituição Federal assegurou à mulher presa o direito de ficar com o filho durante a amamentação. No Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, ficou determinado que “o poder público, instituições e empregadores propiciarão condições adequadas ao aleitamento, inclusive aos filhos de mães submetidas à privação de liberdade.

Porém, os direitos das presidiárias são demolidos em face do sistema penitenciário brasileiro ser muito problemático, com raras exceções. Tais cidadãs vivem dramas mormente quando são mães de bebês. Infelizmente a situação é muito pouco debatida pelos estudiosos. Informações do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, revelam que 75 presídios, dos quase 1.500 existentes no Brasil, têm creche. Como se observa, há muita carência, o que culmina privando as crianças de um maior convívio materno. A lei determina que as crianças podem ficar com as mães na prisão até a idade máxima de 7 anos.

O Centro de Referência da Gestante Privada de Liberdade, em Vespasiano, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), abriga todas as detentas do Estado com filhos de até doze meses de idade. Atualmente, são dezenas de mulheres divididas em sete alojamentos, que em vez de trancas e paredes escuras, têm bercinhos e paredes repletas de desenhos infantis. Isso evita que a criança passe seus primeiros anos de desenvolvimento sob a cultura do sistema carcerário. Por isso, nenhum juiz deixa as crianças ficarem com as mães até os 7 anos.

O Centro de Referência da Gestante condenada é um ambiente anômalo. É mais humanizado. Não tem portas nem grades e as mães podem criar laços com as crianças e acompanhar os primeiros meses. Há um pátio circulado por muros rosados, repleto de árvores e brinquedos. Dezenas de mães exibem bebês rechonchudos e risonhos. O ar bucólico no entanto não camufla a presença de policiais armados de rifles e da cerca de arame farpado. É tudo muito sugestivo, mas não se pode olvidar de que é um presídio, e há presas condenadas por envolvimento com tráfico de drogas ou roubo e até por sequestro, latrocínio e homicídio.

São centenas de bebês que vivem em presídios no País. Nessas circunstâncias indagamos: como deve ser o impacto que os primeiros meses de vida dentro de um presídio tem na consciência de uma criança? Quando mais velha, será que se lembrará do que se passou? Como ela assimilará a separação da mãe? O bebê, a partir de um ano, começa a se movimentar, a caminhar pelas instalações prisionais e a falar. Evidentemente nessa situação ela pode incorporar muitos hábitos contraproducentes da prisão, inclusive o vocabulário, linguajar, expressões etc. Por isso, não se pode permitir que uma criança permaneça mais de um ano na prisão com a mãe, até porque isso não traria nenhum benefício para essa criança.

A separação é necessária, pois o ambiente carcerário em que vivem não tem o mínimo de condições para o desenvolvimento saudável desses pequenos. É um ambiente perturbador e traumático que os privam desde o nascimento dos direitos fundamentais que deveriam ser invioláveis: a dignidade da pessoa humana e a liberdade. Óbvio que surge outro dilema: quais as vantagens de se retirar a criança das mães detentas? Nota-se que o sofrimento é regra nestes casos, pois a mãe tem que deixar o seu filho partir, muitas vezes para abrigos (orfanatos), tendo em vista serem as presas na maioria vulneráveis sociais e desprezadas pela família. Os bebês ficam privados do amor fundamental para qualquer ser humano, que é o amor materno. Até porque a maternidade é sem dúvida a experiência mais plena e marcante na vida de uma mulher.

Ao refletir sobre o tema, deliberamos abrir o Evangelho Segundo o Espiritismo ao “acaso”, a fim de esquadrinhar resposta para tal situação. Considerando que nas experiências humanas não há “vítimas”, e avaliando doutrinariamente os dramas de tais espíritos encarnados (presidiária e bebê), e ainda ponderando que nos Estatutos de Deus não há espaços para injustiças, reconhecemos que as dores na terra têm duas fontes bem distintas, que importa apontar no assunto. No item 4 do Cap. V do Evangelho observamos que os sofrimentos têm sua causa na vida presente (considerando as presas); outras, em vidas passadas (considerando os bebês).

Para pacificar nosso entendimento sobre os sofrimentos impostos aos bebês e às encarceradas, urge remontarmos à origem dos erros cometidos. Nossos sofrimentos físico e moral são consequência natural das próprias culpas, portanto somos servos das imprevidências, orgulhos e ambições. Quantos se arruínam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder ou por não terem sabido limitar seus desejos! Quantas dissensões e funestas disputas se teriam evitado com um pouco de moderação e menos suscetibilidade! Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o princípio as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem os germens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles. [1]

Urge que todos nós vasculhemos friamente as próprias consciências, todos os que somos feridos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida; remontemos passo a passo à origem dos males que nos torturam e verificaremos se, as mais das vezes, não poderíamos dizer: Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição. A quem responsabilizar por todas essas aflições humanas senão a nós mesmos? Somos, pois, em grande número de casos, causadores dos nossos próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, achamos mais simples, menos humilhante para a nossa vaidade, acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a nossa incúria.” [2]

Façamos nossa parte a fim de minimizar as dores dos que sofrem, entretanto não olvidemos que os insondáveis mecanismos das Leis de Deus são definitivamente justos.

Referência bibliográfica:

[1] Kardec Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 4 Cap. V, Rio de Janeiro: Ed. FEB. 1977
[2] Idem

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A NICOTINA SATURA O COPO ESPIRITUAL DOS FUMANTES (Jorge Hessen)

Jorge Hessen

Há meio século os cantores Roberto e Erasmo Carlos lançaram a música “É proibido fumar”. Passados cinco décadas, a canção é oportuna e pode ter soado como premonição naqueles momentos tão afastadas dos anos de 1960, considerando que hoje está em pleno vigor no Brasil a lei federal antifumo, que “proíbe fumar” em locais fechados de uso coletivo – públicos e particulares – de todo o país. Em resumo, assegura lugares completamente livres de cigarros e do cheiro de fumaça. Está terminantemente proibido cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos, narguilés [1] e similares em locais como hall e corredores de condomínios, restaurantes e clubes, mesmo que o ambiente esteja apenas parcialmente fechado por parede, divisória, teto ou toldo. 

A lei extingue os nefandos fumódromos e extingue a propaganda comercial de cigarros até mesmo nos pontos de venda, onde era permitida publicidade em displays. Fica permitida a exposição dos produtos, acompanhada por mensagens sobre os males provocados pelo fumo. Além disso, os fabricantes terão que aumentar os espaços para os avisos sobre os danos causados pelo tabaco, que deverão aparecer em toda a face posterior das embalagens e de uma de suas laterais.

Todavia, como estamos na pátria do “jeitinho” a lei tem as suas brechas e consente fumar em áreas ao ar livre, parques, praças, espaços abertos de estádios de futebol, vias públicas e em tabacarias, que devem ser voltadas especificamente para esse fim. Entre as exceções (pasme) estão cultos religiosos, onde os “fiéis” podem fumar (sic), caso isso faça parte do ritual. Conquanto inconcebível, em nosso país um ritual pode permanecer acima da lei, afinal de contas é “constrangedor” não permitir que os “Espíritos” deem cachimbadas, charutadas, tragadinhas, portanto, “eles” não precisam obedecer as leis dos reles mortais. 

Devemos pautar as nossas atitudes e as nossas regras de conduta, na sociedade, pelos resultados de pesquisas científicas bem conduzidas. Gostem ou não os fumantes daqui e do “além túmulo”, o século XX testemunhou as importantes descobertas sobre os malefícios do fumo para a saúde. Graças ao aprimoramento das técnicas de investigação epidemiológica, muito se sabe sobre o assunto. No ano 2000, um Relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), considerou o tabagismo a maior pandemia de todos os tempos.

São vários os estudos científicos baseados em evidências que não deixam qualquer sombra de dúvida de que o tabaco é cancerígeno. Desde 1964, quando foi feita a primeira descoberta em relação ao câncer de pulmão, outros cânceres tiveram seu aparecimento relacionado ao tabaco como, por exemplo, câncer de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rins, bexiga, colo de útero, estômago e fígado. Três equipes de pesquisadores, que publicaram estudos nas revistas Nature e Nature Genetics, "apontaram duas áreas de variações no cromossomo 15. Fumantes ou ex-fumantes que têm as duas cópias das duas variantes, uma herdada do pai e outra da mãe, que são cerca de 15%, têm um aumento entre 70% e 80% de risco de desenvolver câncer pulmonar".[2]

Sabemos que a ação negativa do cigarro sobre o perispírito do fumante prossegue após a morte do corpo físico. Segundo ensina o Espirito Emmanuel - O problema da dependência continua até que a impregnação dos agentes tóxicos nos tecidos sutis do perispírito ceda lugar à normalidade, o que, na maioria das vezes, tem a duração correspondente ao tempo em que o hábito perdurou na existência física do fumante. Quando a vontade do interessado não está suficientemente desenvolvida para arredar de si o costume inconveniente, o tratamento dele, no mundo espiritual, ainda exige cotas diárias de sucedâneos dos cigarros comuns, com ingredientes análogos aos dos cigarros terrestres, cuja administração ao paciente diminui gradativamente, até que ele consiga viver sem qualquer dependência do fumo [3]

É evidente que há pessoas que fumam e conseguem alimentar pensamentos de bondade no cotidiano (a despeito de estar aniquilando o corpo físico) e há aqueles que, embora não fumem, são viciados no dinheiro, no sexo, no álcool, na maledicência e noutras iniquidades. Deste modo, via de regra,  é "menos lesivo" para a sociedade um fumante bondoso do que um não-fumante depravado. 



Notas e referência bibliográfica:

[1] Narguilé é um cachimbo de água utilizado para fumar tabaco aromatizado. Além desse nome de origem árabe também é chamado de hookah (na Índia e outros países que falam inglês), shisha ou goza (nos países do norte da África), narguilê, narguila, nakla, maguila, arguile, naguilé etc. Há diferenças regionais no formato e no funcionamento, mas o princípio comum é o fato de a fumaça passar pela água antes de chegar ao fumante. É tradicionalmente utilizado em muitos países do mundo, em especial no Norte da África, Oriente Médio e Sul da Ásia

[2] Segundo dados colhidos num trabalho sobre saúde, da jornalista Magaly Sônia Gonzales, publicado na revista "Isto É", de julho de 2000, "o vício do fumo foi adquirido pelos espanhóis, junto aos índios da América Central, que o encontraram nas adjacências de Tobaco, província de Yucatán. Um dos primeiros a cultivar o tabaco na Europa foi o Monsenhor Nicot, embaixador da França, em Portugal, de onde se derivou o nome nicotina, dado à principal toxina nele contida.

[3] Nobre, Marlene R.S. Lições de Sabedoria, São Paulo: Ed Folha Espírita, 1997, Resposta de Emmanuel, através do Chico Xavier, dada a entrevista feita pelo jornalista Fernando Worm, em agosto de 1978

Momentos de conciliação

Antonio Cesar Perri de Carvalho


Antonio Cesar Perri de Carvalho
Presidente da Federação Espirita Brasileira

A passagem de ano assinala o mundo com variadas conturbações, mas surgem notícias alvissareiras que representam esforços para o bem geral e para a paz.

Nos últimos dias vieram à tona informações sobre o reatamento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba, simultaneamente informado pelos presidentes Barack Obama e Raúl Castro, depois de 18 meses de negociações (1), e após 53 anos de terríveis isolamento e contendas.

Na mensagem de Natal dirigida à nação, a rainha Elizabeth II destaca a importância da reconciliação com a Escócia, depois do plebiscito sobre a independência do Reino Unido: “muitos se sentiram desapontados, enquanto outros se sentiram aliviados, e unir essas diferenças vai levar tempo”. E também lembrou o centenário do momento de confraternização num jogo de futebol que uniu espontaneamente soldados britânicos e alemães, durante a 1ª. Guerra Mundial: “Sem nenhum comando ou instrução, os tiros cessaram e os soldados e encontraram na terra de ninguém para tirar fotos e trocar presentes. Isso foi uma trégua de Natal.”(2) .

O papa Francisco – que luta por grandes transformações e por simplicidade – em viagem à Turquia visitou a principal autoridade da Igreja Ortodoxa na Mesquita Azul de Istambul. Seu esforço é pelo diálogo entre as religiões. (3) O papa renovador protagonizou um momento surpreendente no evento de confraternização de Natal com os líderes da Igreja Católica. Durante o encontro, Francisco fez duas críticas à Cúria Romana: “falou da ‘doença do lucro mundano’, da ‘rivalidade’, da ‘glória vã’, do ‘terrorismo das fofocas’, que destrói reputações; a ‘doença dos covardes’, que falam por trás; ‘daqueles que tratam os chefes como seres divinos para subir na carreira’ e citou o ‘mal do poder e do narcisismo’. O papa Francisco surpreendeu ao pedir que os cardeais façam um exame de consciência.” (4,5)

Em síntese, exceção feita à postura do Papa que claramente sinaliza para uma real conciliação com os valores evangélicos, as demais recentes manifestações, por motivos variados, também acabam por reforçar a ideia da conciliação e, quiçá, do respeito e da solidariedade.

Durante recente Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional da FEB, Bezerra se manifestou pela psicofonia de Divaldo alertando para o “Momento decisivo” que vivemos no mundo, no país e no Movimento Espírita:

“Nosso amado planeta, ainda envolto em sombras, permanece na sua categoria de inferioridade, porque nós, aqueles que a ele nos vinculamos, ainda somos inferiores, e à medida que se opera nossa transformação moral para melhor, sob a égide de Jesus, nosso modelo e guia, as sombras densas vão sendo desbastadas para que as alvíssaras de luz e de paz atinjam o clímax em período não muito distante. [...] É um momento de siso, de decisões, para a paz no período do porvir. [...] Recordai-vos de que o Cristianismo nascente experimentou também inúmeras dificuldades. A palavra revolucionária do apóstolo Paulo, a ruptura com as tradições judaicas ainda vigentes na igreja de Jerusalém, geraram a necessidade do grande encontro, que seria o primeiro debate entre os trabalhadores de Jesus que se espalhavam pelo mundo conhecido de então. [...] No momento grave, quando uma ruptura se desenhava a prejuízo do Bem, a humildade de Simão Pedro, ajoelhando-se diante da voz que clamava em toda parte a Verdade, pacificou os corações e o posteriormente denominado Concilio de Jerusalém se tornou um marco histórico da união dos discípulos do Evangelho. [...] Abençoados servidores! Abençoadas servidoras da Causa! Amai! Amai com abnegação e espírito de serviço a Doutrina de santificação, para que os vossos nomes sejam escritos no livro do Reino dos Céus e possais fruir de alegrias, concluindo a etapa como o Apóstolo das Gentes, após haverdes lutado no bom combate. [...] O mundo necessita de Jesus, hoje mais do que ontem, muito mais do que no passado, porque estamos a caminho da intuição, após a conquista da razão, para mantermos sintonia plena com Aquele que é o nosso guia de todos os dias e de todas as horas.”

Mas, logo no início incita-nos: “Que o espírito de união, de fraternidade, leve-nos todos, desencarnados e encarnados, à pacificação, trabalhando essas anfractuosidades para que haja ordem em nome do progresso.” (6)

O notável exegeta Emmanuel, comenta no texto “Conciliação”, o trecho de Jesus: “Concilia-te – depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz e o juiz te entregue ao oficial de justiça, e te encerrem na prisão.” (Mateus. Cap. 5, v. 25.),edestaca: “Muitas almas enobrecidas, após receberem a exortação desta passagem, sofrem intimamente por esbarrarem com a dureza do adversário de ontem, inacessível a qualquer conciliação. A advertência do Mestre, no entanto, é fundamentalmente consoladora para a consciência individual. Assevera a palavra do Senhor – “concilia-te”, o que equivale a dizer “faze de tua parte”. [...] Trabalha, pois, quanto seja possível no capítulo da harmonização, mas se o adversário te desdenha os bons desejos, concilia-te com a própria consciência e espera confiante.” (7)


“Senhor Jesus! Ante as promessas do ano que se inicia, não nos permitas que esqueçamos aqueles com nos honraste o caminho iluminativo…” (8).


Referências:






(6) Franco, Divaldo Pereira. Pelo espírito Bezerra. Momento decisivo. Reformador. Ano 132. N. 2.229, dezembro de 2014, p.710-12; http://www.souleitorespirita.com.br/reformador/destaque/momento-decisivo/;

(7) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Pão nosso. Cap. 120. FEB: Brasília. 2012, p. 253-4.

(8) Franco, Divaldo Franco. Pelo espírito Joanna de Ângelis. Florações evangélicas. Salvador: Ed.LEAL, cap.60.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

ESPIRITISMO E INTERNET, PERIGOS E POTENCIALIDADES (Jorge Hessen)

Jorge Hessen


Cientistas do Instituto Alemão para o Estudo do Trabalho compararam as tendências nos números de casamentos e na proliferação na Internet de imagens e filmes pornográficos e concluíram que o aumento da busca da pornografia na rede mundial de computadores levou as pessoas a optarem por manterem-se longe do matrimônio. Diante disso indagamos: será que a lógica do casamento é a busca da satisfação sexual? Obviamente para os lascivos, concupiscentes, libertinos, sim, pois os seus valores estão sob os cabrestos dos apelos sexuais e se mantêm anestesiados nos narcóticos da erótica virtual, completamente aprisionados sob os aguilhões do apetite selvagem do instinto sexual.
Para os estudiosos do Instituto Alemão, “conforme cresceram as opções de “satisfação sexual” antes do casamento, a necessidade de se casar para atender a essa “satisfação sexual” diminuiu. Dessa maneira, no mesmo período que houve a invasão da pornografia na internet, o casamento perdeu o status, concluíram os estudiosos. A Internet tornou a pornografia de fácil acesso e barata e os buscadores de pornografia teriam menos chances de serem “estigmatizados” por acessar (com privacidade) um website “adulto”, do que comprando (publicamente) revistas eróticas em uma loja. A pesquisa também descobriu que consumidores de pornografia em geral frequentam menos um culto religioso e têm mais chances de trair o parceiro.”1
Obviamente não há nada de espiritual na efígie pornográfica. O abuso de conteúdo erótico de fácil e rápido acesso na web e outros meios de comunicação permite que as pessoas sejam expostas regularmente à excitação da sexualidade e tem instituído na mente incauta uma visão distorcida da carga genésica. Quem duvida que a pornografia é a exaltação da prostituição? Infelizmente há aqueles que sob o guante do delírio abonam a pornografia como sendo “boa” para a sociedade.
Atualmente a pornografia é uma indústria poderosa, que degrada e desumaniza homens e mulheres, e movimenta quantias vultosas de dinheiro. Há estudiosos que afiançam e acreditam que o uso excessivo de pornografia online está criando uma geração de "homens e mulheres desajustados.
Tanto quanto devemos prestar atenção redobrada ao atravessar uma avenida de trânsito intenso, devemos ter a máxima cautela ao navegar na web, pois os perigos são reais. Devemos estar atentos para evitar cair em arapucas cibernéticas. Mas apesar dos riscos e temeridades, não devemos demonizar a Internet tal qual fazia a Inquisição na Idade Média, queimando os livros e dilacerando a cultura.
Apoiados no bom senso doutrinário, é importante aprendermos a enfrentar os desafios cibernéticos, com a intenção de procurar a verdade e de esclarecer os interessados. É bastante salutar que saibamos separar o trigo do joio. A Internet, a despeito das informações incorretas, das agressões, das infâmias, da degradação e do crime, é sem dúvida um instrumento de grandiosas realizações que dignificam o homem e preparam a sociedade para um porvir mais promissor.
É evidente que a Internet é importante para todos nós. Com ela podemos ler a maioria dos jornais e podemos acessar um sem-número de enciclopédias e também sondar os filmes que estão em exibição nos cinemas. A rigor, utilizamos uma parte ínfima da vastidão de temas e materiais que se podem conseguir na Rede Mundial de Computadores. Por outro lado, nem sempre é tarefa fácil distinguir entre o conteúdo interessante e a mensagem perigosa e/ou ilegal. Dos riscos iminentes que estremecem a mente humana. Não faltam os sites de conteúdo racista, xenófobo, ou de puro incitamento à violência.
Mas recordemos que a Internet está presente nos hospitais, nos tribunais, nos ministérios, nas agências bancárias, nos supermercados, nas lojas, nas escolas, na segurança de nossas casas e empresas. Enfim, permite fazer uma movimentação bancária, compras, observar nota na escola, realizar trabalhos escolares e profissionais, pesquisas. Eis aqui alguns dos exemplos de como estamos mais envolvidos com a informática do que se possa imaginar.
Vivemos num estágio social em que o mundo virtual é quase o real, mas ele nos surge como sonho. Alguns sonham com cuidado, outros se perdem nos cipoais dos delírios oníricos. Em todos esses estágios há o perigo disso virar pesadelo. Esse é o preço que a sociedade contemporânea paga pelo avanço da Tecnologia da Informação, apesar de muitos cidadãos ainda não terem se dado conta de que seus atos pelas vias virtuais estão estabelecendo desastres morais de consequências imprevisíveis.
Diante do exposto indagamos: como garantir a legitimidade desse monumental instrumento de trabalho para o Espiritismo? O que fazer para explorar mais o enorme potencial de divulgação da Doutrina Espírita através da Internet? Cremos que os Departamentos de Divulgação dos Centros Espíritas, bem como Federações Espíritas, deveriam investir na área virtual. São questões importantes e devemos refleti-las para que possamos entender como aplicar a Internet corretamente no ambiente espírita. Nesse caso, a vigília equilibrada é fundamental para atingir uma abordagem balanceada, que possa assumir plenamente a tecnologia que temos disponível e, simultaneamente, projetar os objetivos maiores do trabalho espírita que está sendo desenvolvido na Terra, por permissão do Cristo.

Referência:
(1)     Disponível em http://ela.oglobo.globo.com/vida/pessoas-se-casam-menos-porque-ha-porno-de-graca-na-internet-diz-estudo-14895772#ixzz3MgFSi2jv

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

EXALTEMOS A BRASILIDADE “VERDE-AMARELA” NA “PÁTRIA DO EVANGELHO” (Jorge Hessen)

Jorge Hessen    http://aluznamente.com.br

Há exatos onze anos, na cidade mexicana de Mérida, mais de 110 países assinaram a Convenção Nações Unidas contra a Corrupção. O referido acordo prevê a cooperação para a recuperação de somas de dinheiro desviado dos países e a criminalização do suborno, lavagem de dinheiro e outros atos de corrupção. Nas celebrações do “Dia Internacional contra a Corrupção”, o procurador-geral da República do Brasil defendeu a punição de todos os envolvidos no esquema de corrupção que acontece há décadas no âmbito de esplêndida instituição petrolífera brasileira.
Na Europa existem empresas que dispõem em seus orçamentos de uma parcela para gorjeta (propina) de auditores ou de gerentes de empresas que lhes compram os produtos. A cultura da desonestidade chegou a tal ponto que na Alemanha era prática normal que o dinheiro gasto em gratificação (propina) no exterior pudesse ser declarado e ser abatido no Imposto de Renda. E a justificativa era o total “respeito” à cultura nativa: se a corrupção faz parte do cotidiano de um determinado país, não seriam os alemães a lutar contra a maré, prejudicando seus próprios negócios. Nesse caso, os fins justificam os meios, e todos saem satisfeitos – o subornado com dinheiro extra no bolso, os funcionários com seus empregos, a empresa com seus negócios, o governo com seu imposto e o povo no charco.
Nos noticiários brasileiros percebemos que os governantes não conseguem escapar da corrupção. O noticiário político é um mar de lama; na área econômica, irrompem golpes dos mais variados tipos, com prejuízos globais em cifras de bilhões de reais. A desonestidade chega ao seu cume ante os comportamentos maquiavélicos na administração do Estado. Os nossos governantes, ao defenderem a falácia de que os fins são justificados pelos ilegítimos meios, têm contaminado a coletividade, pois a sociedade se espelha e justifica seus vícios morais nas tramoias do governo.
Diante da constrangedora deterioração da ética, da malversação do dinheiro público, do total aparelhamento de todas instâncias jurídicas e legislativas, com enfoque na sustentação da IMPUNIDADE, irrompeu-se no cenário brasileiro uma espécie de afasia da população, ganhando espaços preciosos a timidez e a omissão generalizada. Jazem reclusos ou amordaçados os segmentos midiáticos, os religiosos, os grupos familiares, as instâncias  militares, os indiferentes jovens, os agentes administrativos e outros atores públicos, sem o entusiasmo patriótico e o interesse para a reorganização da BRASILIDADE VERDE-AMARELA, visando alcançar uma Pátria totalmente livre do demagógico “jacobinismo” ideológico que confunde a humanidade desde a Revolução francesa aos alucinados gritos de protesto proferidos em 1848 sob liderança dos camaradas Carlos e Frederico (Karl e Friedrich ).
O efeito daqueles alucinantes berros originários do famoso “Manifesto de 1848” (contraditada pelos trabalhadores que mataram-se na Primeira Guerra Mundial) foi o catastrófico morticínio de dezenas de milhões seres humanos a partir de 1917, na URSS e doravante na China, Camboja, Cuba, Coreia do Norte. Quem sabe esteja faltando no Brasil o equilíbrio para o reencontro do caminho da ação pacífica e constante, por causa da descrença dos valores da honra cidadã. Estamos atravessando o apogeu de um ciclo desmoralizante que a tudo tem atingido com a alienação emocional de uma sociedade apática e visivelmente sem norte.
Como já enunciava Rui Barbosa, "de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."[1]  Dentro desse triste panorama, a população tem sobrevivido sob os escombros da má gestão pública e está diante de um horizonte emblemático na Pátria do Evangelho, considerando a anarquia da corrupção que fatalmente acarretará consequências assombrosas para a paz social. No Brasil, conquanto as rédeas do poder permaneçam desde 1990 nas mãos de determinados políticos que não têm nenhum escrúpulo e nem compromisso com a honra, não podemos jamais desanimar das virtudes, nem zombar da honestidade e muito menos nos envergonharmos de agir patrioticamente.
Por felicidade, há exemplos de cidadãos que não se envergonham de trabalhar em patamares de honestidade. Fulanos simples do povo, que ao acharem objetos perdidos como celulares, carteiras, bolsas, cheques devolvem aos seus legítimos donos quando poderiam valerem-se do famigerado “achado não é roubado” e “tirar vantagem”, mas não o fazem; Pessoas simples que devolvem altas quantias em dinheiro encontradas em pastas, bolsas ou caixas aos donos ou às autoridades.
Portanto, nem todos os cidadãos da nossa admirável Pátria são corruptos ou corruptores, por saberem que a corrupção esfola como chibata cruel e faz correr o sangue no dorso do brasileiro! Um Brasil, legitimamente nacional, é construção de todos bons brasileiros! Os filhos do Brasil não podem se ajoelhar diante da putrefação moral e da corrupção que sangra o Coração da Pátria do Evangelho. Urge orar, exorar a Ismael, pedindo-lhe que implore diretamente ao Governador do Planeta a imediata intercessão a favor BONS BRASILEIROS e das futuras gerações de brasileirinhos.
Sim! Que Jesus tenha comiseração de todos nós, filhos desta abençoada Pátria VERDE-AMARELA!

Referência:

[1] Barbosa, Rui. Trecho do discurso "Requerimento de Informações sobre o Caso do Satélite - II". Disponível no portal da Fundação Casa de Rui Barbosa http://www.casaruibarbosa.gov.br/ acessado em 10/12/2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

ESPIRITISMO PERANTE AS NOVAS TECNOLOGIAS (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

Por que será que o mundo virtual vem fascinando mais do que a vida que se levava 30 anos atrás? Permanecer neste mundo utópico, seduzidos pelas ondas eletromagnéticas da Internet, diante das novas mídias, será por desconfiança? Timidez? Sujeição? Carência de amor próprio? Insegurança? Solidão? Ou será ingênuo encantamento, necessidade de aventuras, realização de feitos inenarráveis, ultrapassar limites, provocar reações e alvoroços...? 

A rigor, a Era Tecnológica e o mundo virtual têm ampliado e facilitado a vida humana em face do rápido acesso à informação. Nesse contexto, a Internet é a maior rede mundial de comunicação, ligando centenas de  milhões de computadores, smartphones , tablets,  iPhone, iPad com enorme quantidade de pessoas de interesses variados, seja nos negócios, nas pesquisas, no lazer, na comunicação, e tantas outras áreas quanto se possa imaginar. 

Estatísticas comprovam que os britânicos passam quase metade do dia consumindo mídias; e “o Brasil tem um dos maiores índices globais de uso diário de smartphones. Os dados mais recentes do Ibope/Nielsen calculam em 54,4 milhões o número de usuários da internet em casa e no trabalho.” [1] Na Pátria do Evangelho o tempo médio de navegação na web tem sido de 65 horas e 11 minutos por pessoa e pesquisa da consultoria Accenture aponta que o Brasil liderou as compras de celulares e TVs HD em 2010. 

A psicóloga Christine Grant adverte que "os impactos negativos dessa cultura do 'sempre ligado' são que a sua mente nunca descansa, você não dá ao seu corpo o tempo para se recuperar e fica sempre estressado.” [2] Por outro lado, Chris Kozup, diretor da empresa de telecom Aruba Networks, afiança que nem tudo é negativo, pois há estudo conduzido pela própria empresa mostrando que essa ideia de estar 'sempre ligado' está, na verdade, ajudando os trabalhadores a gerenciarem o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. [3]

É evidente que o uso exagerado dos aparelhos tecnológicos torne as pessoas mais ausentes. Basta observemos que não são poucas as pessoas que se distraem de uma tarefa para checar seu perfil nas redes sociais, ou perdem uma conversa na mesa do restaurante porque vão responder mensagens no smartphone etc. Pesquisas mostram que nossa concentração média é de 3 a 5 minutos antes que acabemos nos distraindo, no estudo ou no trabalho. A maioria dessas distrações são tecnológicas (alertas de mensagem, “torpedos”, e-mails etc).

Até a mídia televisiva transformou-se. Em programas de TV dos anos 1980 e 1990, o tempo de cada cena era muito maior do que é nos programas atuais, que se adaptaram à atenção mais curta dos telespectadores. Revistas também fazem reportagens cada vez mais curtas. Muitas pessoas já não conseguem mais ler integralmente, elas apenas “passam os olhos”. Hoje em dia, os familiares vão almoçar ou jantar algemados aos seus celulares. Destarte, obstrui-se o tempo para conversas caseiras. Se cada um estiver hipnotizado em seu celular ou smartphone, que interação familiar sobrevirá e que diálogo ocorrerá? Nenhuma.

No momento as pessoas estão muito  empolgadas com a tecnologia e agem como crianças em uma loja de doces: querendo experimentar tudo. Muitos pais talvez se preocupem com o tempo gasto por seus filhos – e por eles próprios – na internet, mas provavelmente poucos (pais e filhos) ousariam passar seis meses completamente longe da web, da TV e de smartphones. Porém uma coisa é certa, qualquer família que não fica algemada nas redes sociais da web ,  que não é obcecada pela  tecnologia,  consegue atrair amigos e  parentes e acende  a chama da boa conversação presencial com pessoas queridas. 

Sem os exageros acima, e considerando que o mundo está passando por intensas mudanças, principalmente aquelas movidas pela força do instinto, em que a violência substitui o diálogo e a compaixão perde para o ódio, cremos que o espírita pode e deve recorrer às mídias tecnológicas onde encontra excelente meio de divulgação doutrinária, "em face da sua facilidade, versatilidade, abrangência, interatividade e baixo custo (é corriqueiro notarmos celulares nas mãos de cidadãos de todas as classes sociais). 

Com as novas mídias tecnológicas interligadas pela Internet consegue-se atingir uma população anônima que não pode ou nem sempre vai a um Centro Espírita. Ao ponderarmos sobre a capacidade de persuasão das novas mídias, somos compelidos a refletir sobre a antevisão de Kardec no século XIX, quando pronunciou: "uma vulgarização em larga escala, feita nos jornais de maior circulação, levaria ao mundo inteiro, até às localidades mais distantes, o conhecimento das ideias espíritas, despertaria o desejo de aprofundá-las e, multiplicando-lhes os adeptos, imporia silêncio aos detratores, que logo teriam de ceder, diante do ascendente da opinião geral."[4] 

Nos dias de hoje, existem inúmeros grupos de estudo e discussões sobre temas espíritas, na Internet, com um conteúdo magnífico. Não há dúvida de que é um excelente instrumento de divulgação, especialmente, pelo fato de atingir longas distâncias, e, até mesmo, outros países, onde a Doutrina Espírita, ainda, é pouco conhecida.  Pela rede de computadores, surge uma nova Era para o movimento espírita, sobretudo, na diretriz dada por Ismael ao Brasil. 

Há dois mil anos, Paulo de Tarso teve que andar a pé, cerca de 15  mil quilômetros, para divulgar a Boa Nova. Hoje, Deus nos oportuniza, do conforto da nossa casa, participar de estudos interativos em "salas espíritas" - a exemplo do uso do Paltalk - e, com isso, espalharmos a Terceira Revelação aos mais longínquos recantos da Terra.

Por essas relevantes razões, "é interessante que as Casas Espíritas busquem os recursos tecnológicos como retroprojetores, data shows, áudios, vídeos, filmes, microfones, caixas de som e todo ferramental disponível que seja útil e aplicável para o aprendizado das Verdades da Vida, mas, principalmente, através desse imenso e irreversível universo de utilização da Informação por meios eletrônicos." [5]

Devemos acreditar na força da realidade virtual como meio prestigioso de publicação espírita. Entendemos que em poucos anos as novas mídias tecnológicas através da Internet serão as maiores vias de interação do movimento espírita mundial. Por esses recursos tecnológicos os livros espíritas poderão ser disponibilizados em hipertexto , em versões de consulta simplificada. Relatos específicos deverão ser colecionados e indexados para pesquisa rápida. Atualmente pode ser disponibilizada nas novas mídias toda literatura das obras básicas da Doutrina dos Espíritos. Ou seja, estamos diante da possibilidade de construirmos e acessarmos instantaneamente todas as informações espiritas em todos ambientes culturais da Humanidade. 

Referências:

[1] Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/01/110106_winterdisconnect_pai.shtml acessado em 05/12/2014
[2] Psicóloga ocupacional, do centro de pesquisas em psicologia e comportamento da Universidade Coventry (Grã-Bretanha).
[3]  Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140816_smartphones_sempre_ligados_pai.shtml  acessado em 05/12/2014
[4] Kardec, Allan. Obras Póstumas -Projeto 1868, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001