sábado, 15 de agosto de 2015

O ESPIRITISMO SERÁ O SUFRÁGIO DA CIÊNCIA “CLÁSSICA” NOS LAPSOS DOS EVOS (Jorge Hessen)



Jorge Hessen 

Recentemente, uma notícia causou grande entusiasmo no mundo científico. Pesquisadores da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear – CERN [1], o maior laboratório de física de partículas do mundo [2], anunciaram a constatação do Bóson de Higgs , alcunhado como “partícula de Deus”, na presunção de que seria a matriz, a energia primordial que deu origem ao universo material existente no Cosmo. 

Historicamente, há algumas descobertas científicas que levaram o ser humano a experimentar, pelo menos três grandes golpes na autoestima, segundo proferia Sigmund Freud; o primeiro baque foi quando Copérnico afirmou que a Terra não era o centro do Universo. O segundo foi quando Darwin transformou o homo sapiens em tão-somente mais um animal sobrevivente da seleção natural. O terceiro desapontamento foi quando o “pai da psicanálise” sugeriu que o homem não era senhor nem mesmo de seus atos, governados, na verdade, por impulsos inconscientes. 

Ainda que sob o tacão do materialismo reconhecemos que a ciência desvenda fenômenos admiráveis. O homem chegou ao raio laser, através de técnica que permite as partículas de luz (fótons) concentradas sejam emitidas em forma de um feixe contínuo. A proeza foi criada em 1960 por Theodore Maiman. Desde então, o laser evoluiu e hoje em dia é empregado nos centros cirúrgicos, industriais, salas de aula, impressoras, leitores de código de barras, de cd’s e dvd’s, corte e solda de metais, remoção de tatuagem, cirurgia ocular, uso militar e espacial (já foram usados para medir a distância entre a Terra e a Lua), etc., etc. 

Cientistas da Universidade de Osaka, no Japão, testaram recentemente um novo laser que seria capaz de desintegrar o nosso planeta. A potência do laser LFEX é de 2 pentawatts. Para se ter uma ideia, um pentawatt (PW) é 1015 watts, o que seria mil terawatts ou um quatrilhão de watts. Apenas um pentawatt corresponde a 30 mil vezes a demanda diária de energia elétrica do nordeste brasileiro. Diante de tamanha potência, no teste realizado, o laser foi disparado durante um picossegundo, que equivale a um trilionésimo de segundo, visando não oferecer qualquer tipo de risco. O objetivo principal do experimento é aprimorar as técnicas médicas e industriais com uso de laser. Mas, apesar do sucesso na experiência, o laser preocupa cientistas devido à possibilidade de ser usado para o desenvolvimento de armas de destruição em massa. [3] 

Sem profetismos , cremos que em menos meio século o ser humano poderá passar por uma quarta lesão “narcísica” (baque na autoestima como dizia Freud, diante dos históricos golpes da revolução científica). E ela virá pela astrofísica, sobretudo quando o homem realizar viagens interplanetárias. Estimativas, baseadas em dados concretos da sonda espacial “Kepler”, são de que há muitos mundos em condições de abrigar vida biológica para cada estrela análoga ao Sol. 

Mas, uma questão que permanece em aberto é a característica de vida que pode ter surgido em outras esquinas do Universo, adverte Ansgar Reiners, professor de astrofísica na Universidade de Göttingen, na Alemanha. O pesquisador diz que devem existir muitos lugares fora da Terra onde processos biológicos estão acontecendo, mas não sabemos se há formas de vida complexas como a terrena (plantas, mamíferos e/ou inteligência). Essa questão permanece uma questão totalmente aberta, ainda não sabemos o suficiente sobre o ambiente de outros planetas. 

Na esperança de localizar vidas noutros orbes, a NASA já tem projetos para levar humanos para Marte, por exemplo. Ficção? Merchandising trapaceiro? Será que podemos duvidar da idoneidade científica ? Presumindo ou não, o desenhista-industrial Mark Rademaker e o cientista da NASA Harold White apresentaram o projeto de uma nave espacial capaz de transportar pessoas pelo universo a uma velocidade superior à velocidade da luz.[4] White é um físico que passou anos para conseguir obter a velocidade da luz das naves espaciais. Em 2011, ele publicou um relatório em que apresentou, pela primeira vez, o conceito de movimento com velocidade superluminal [5]. Agora, a sua equipe apresentou o projeto da nave que incorpora este conceito. 

Quando se trata de viagens interestelares, devido às grandes distâncias envolvidas, a única solução viável para se chegar a outros planetas e estrelas é um método de transporte que viaje próximo ou mais rápido do que a velocidade da luz. O sistema estelar mais próximo, Alpha Centauri, está a pouco mais de quatro anos-luz de distância – a uma velocidade de 62136 km/h (a velocidade na qual a Voyager-1 voa através do espaço), uma nave espacial levaria cerca de 67 mil anos para chegar lá. [6] 

Será possível o homem construir tais “carros voadores”? Há evidências, pelos menos nos relatos de testemunhas, que irmãos de outras instâncias da “Casa do Pai” já alcançaram construir tais máquinas voadoras de propulsão completamente desconhecida e têm insistentemente abeirados da Terra conforme narrativas de avistamentos de supostos “ovnis”. Será possível? 

Assestando aqui a nossa prosa para o universo espírita, reconhecemos que a despeito de toda sabedoria humana, infelizmente a ciência tão-somente estuda a natureza do micro e do macro cosmo numa perspectiva materialista. Em face disso a realidade do homem espiritual não tem sido do campo da ciência “oficial “e nem objeto de suas investigações. Até mesmo a filosofia tem formulado, teses contraditórias, que vão desde a mais pura espiritualidade, até o materialismo e ateísmo, sem outras bases, senão as ideias pessoais dos seus teóricos. 

Até quando a ciência “clássica” e a filosofia academicista vão deixar sem resposta os mecanismos do mundo espiritual ? Sem a coparticipação dos princípios espíritas, apesar das conquistas científicas, os senhores dos laboratórios continuarão sem saber donde vieram e para onde irão, se já viveram e se ainda viverão noutras reencarnações e qual sua sorte após a morte física. No futuro, sem sombra de dúvida, com o sustentáculo da revelação espírita a ciência esquadrinhará todos os universos possíveis. 

Aguardemos pois o tempo, apesar de ser o tempo um tirano criterioso, porém, o tempo é sempre senhor da razão! ... 


Notas e referências bibliográficas: 

[1] Antigo acrônimo para Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire 

[2] Localizado em Meyrin, na região em Genebra, na fronteira Franco-Suíça 

[3] Pesquisadores da Universidade de Illinois, garante que um laser de tamanha potência pode explodir o planeta em questão de segundos. 

[4] Disponível em http://br.sputniknews.com/portuguese.ruvr.ru/news/2014_06_14/NASA-publica-projeto-de-nave-capaz-de-viajar-mais-r-pido-que-a-luz-v-deo-6785/ acesso em 08/08/2015 

[5] Há uma variedade de sistemas de propulsão propostos, como propulsores de íons, mas nenhum deles realmente se aproxima das velocidades necessárias para permitir a exploração de outros planetas em menos de alguns milhares de anos. Motores de dobra, enquanto a anos de distância de até mesmo testes em pequena escala – se eles forem mesmo possíveis – são uma das poucas exceções que permitem viagens espaciais dentro do tempo de uma vida humana. Alguns cientistas descobriram com um experimento denominado Efeito Casimir, onde as chamada partículas virtuais presentes no vácuo quântico ajudariam a contrair e expandir o espaço. Em um experimento onde duas placas de metais são colocadas lado a lado, as partículas virtuais expandem o espaço em volta da placa e contraem o espaço interno entre as placas . Com este fato poder-se-ia criar um motor de dobra espacial. Para tanto bastaria aproveitar as partículas virtuais presentes no vácuo quântico. Um motor de dobra espacial absorveria partículas virtuais encolhendo o espaço a frente e expeliria partículas virtuais atrás expandindo o espaço atrás. 

[6] Disponível em http://www.universoracionalista.org/tag/superluminal/ acesso 08/08/2015

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

REVERENCIEMOS OS ANIMAIS, POIS ELES SÃO NOSSOS IRMÃOS (Jorge Hessen)


Jorge Hessen 
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A Safari Club International é uma organização que luta pelos “direitos dos caçadores”. Qual o objetivo e o que leva uma pessoa a gastar muito dinheiro para caçar um animal selvagem? Será apenas uma demonstração de poder e prestígio ? Isso é psicopatia e selvageria! O antropólogo Michael Gurven, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, estuda tribos de caçadores e coletores na Amazônia e ressalta o paradoxo entre caça “esportiva” e as caça para sobrevivência. Os nativos caçam animais por necessidade de alimentação. Portanto, há uma brutal diferença para caçadores que chegam a pagar US$55 mil dólares para matar um animal da selva meramente por prazer.[1]

Allan Kardec ao indagar dos Benfeitores sobre o “direito” de destruição sobre os animais, foi esclarecido que tal “direito”[caça] se acha regulado pela necessidade, que o homem tem, de prover seu sustento e sua segurança. O abuso jamais constitui um direito. [2] Quando a caça ultrapassa os limites que as necessidades e a segurança traçam e quando não objetiva senão o prazer de destruir sem utilidade há “predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais só destroem para satisfação de suas necessidades; enquanto que o homem, dotado de livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Terá que prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois isso significa que cede aos maus instintos.” [3]

Compondo aqui uma síntese de O Livro dos Espíritos a respeito do universo animal e humano inteiramo-nos de que os animais possuem uma espécie de inteligência instintiva e limitada. Eles detêm a consciência de sua existência e de suas individualidades. Alguns animais agem denotando acentuada vontade, porque apresentam inteligência, embora que restrita. Há seres “irracionais” que praticam atos combinados que denunciam vontade de agir em determinado sentido e de acordo com as circunstâncias. Há, pois, neles, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício quase que se circunscreve à utilização dos meios de satisfazerem às suas necessidades físicas e de proverem a própria conservação. 

Os animais se comunicam entre si, conservando uma espécie de linguagem circunscrita às suas necessidades. Até mesmo os peixes se entendem entre si. Como dito, a linguagem do animal é instintiva e circunscrita às suas necessidades biológicas e ideias, os peixes que, como as andorinhas, emigram em grupos (cardumes), obedientes ao guia que os conduz. Certamente possuem meios de se avisarem, de se entenderem e combinarem ações conjugadas. É possível que disponham de uma visão mais penetrante e esta lhes permita perceber os sinais que reciprocamente imitem. 

Portanto, os animais não são simples autômatos, a despeito de a liberdade que têm permanecer limitada aos atos da vida material e após a morte conservam sua individualidade. No entanto não mantêm a consciência de si mesmos, inobstante sua vida inteligente lhes permaneça em estado latente em face da ausência do livre-arbítrio. Desta forma, eles permanecem numa espécie de erraticidade após a morte , sendo distribuídos pelos Espíritos incumbidos dessa tarefa e “aproveitados” (no processo reencarnatório) quase imediatamente. Não lhes sendo dado tempo de entrar em relação delongada com outras criaturas no além.

Outro aspecto importante sobre os animais é que eles evoluem tanto quanto os homens, embora não por ato da própria vontade (não têm livre arbítrio), mas pela força das circunstâncias, razão por que não estão sujeitos à expiação. Em verdade os animais só possuem a inteligência rude da vida material, enquanto no homem, a inteligência essencialmente proporciona a vida moral. [4] Para maiores detalhamentos sobre o tema, os próprios Espíritos estão longe de tudo saberem e, ressalte-se que acerca do que não sabem, também podem ter opiniões pessoais mais ou menos sensatas. É assim, por exemplo, que nem todos pensam da mesma forma quanto às relações existentes entre o homem e os animais no aspecto evolutivo. 

Considerando a lei de evolução, para alguns Espíritos, o Princípio espiritual não chega ao período humano senão depois de se haver elaborado e individualizado nos diversos graus dos seres inferiores da Criação. Segundo outros Benfeitores espirituais, o Espírito do homem teria pertencido sempre à raça humana, sem passar pela fieira animal. Diante disso, cabe a indagação: Qual a origem do Espírito? Onde o seu ponto inicial? Forma-se do princípio inteligente individualizado?

Para Allan Kardec tudo isso são mistérios que seria inútil querer devassar e sobre os quais nada mais se pode fazer do que construir hipóteses. Quanto às relações misteriosas que existem entre o homem e os animais são mistérios de Deus, como muitas outras coisas, cujo conhecimento atual é pouco importante para o progresso humano e sobre as quais seria inútil nos deter. 

Referências bibliográficas:

[1] Disponível em http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2015/07/o-que-motiva-alguem-cacar-um-animal-por-esporte.html acesso 05/08/2015

[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espírito, RJ: Ed. FEB, 2001, questão 734.

[3] Idem questão 735

[4] Idem pergs.585 a 602 

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A “CARNE NUTRE A CARNE” – REFLEXÕES DE UM “ONÍVORO” (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
Não é o que entra na boca do homem, mas o que sai
Um leitor e amigo sugeriu-me comentar sobre a alimentação carnívora. A princípio, não ignoro que a ingestão de carne deriva dos nossos vícios milenários de nutrição. Alega-se também que a nossa atual constituição física ainda depende da alimentação carnívora para a manutenção da saúde e, por consequência, da vida, pois a carne é proteína e proteína é necessária para boa formação muscular, inclusive a cardíaca. Contudo, sei que as substâncias que o nosso corpo necessita também podem ser retirados dos vegetais. 

É importante saber a princípio se a alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza. Os Benfeitores disseram a Kardec que em razão “da nossa constituição física, a carne nutre a carne, do contrário morremos. A lei de conservação nos prescreve, como um dever, que mantenhamos nossas forças e saúde, para cumprir a lei do trabalho. Temos que nos alimentar conforme exige a nossa organização fisiológica.” [1] Como observamos o ser humano é onívoro [2] e inclui a necessidade de carne em sua alimentação. Foi o Criador que nos constituiu fisiologicamente necessitando de carne. O complexo é nos autoconvencermos de que um dia  não necessitaremos mais da carne. 

Sem dúvida que a frase “a carne nutre a carne” justifica a alimentação carnívora sem remorsos. Porém, há os que defendem que podemos nos esforçar para diminuir a ingestão da carne paulatinamente. Concordo!  Para tais vegetarianos há indícios  de que a dieta carnívora potencializa o advento de inúmeras doenças que provavelmente têm menores chances de evoluir   em pessoas que fazem uso da dieta vegetariana. Este é um bom argumento para a abstenção(da carne), até porque , segundo sustentam os Espíritos, "permitido é ao homem alimentar-se de tudo o que lhe não prejudique a saúde”.[3] Os abstêmios da carne afirmam que há estudos sobre o risco cardiovascular em vegetarianos e onívoros  . Constatou-se que a alimentação onívora, com excessos de proteínas e gorduras de origem animal, potencializa eventos cardiovasculares. Ao passo que as dietas à base de ovo, leite e vegetais ou só vegetais apresentaram menores riscos cardiovasculares. 

Entretanto os cientistas alertaram que ainda é muito cedo para se estabelecer uma relação entre o consumo de carne vermelha e laticínios e o câncer de próstata, por exemplo, embora afirmem  que as descobertas fornecem pistas para o estudo da ligação com a doença. Os abstêmios da carne garantem que a adrenalina produzida no estresse da morte, as toxinas (lixo metabólico) e a ureia que circulavam no organismo quando o animal é morto, se impregnam na carne. Fora os micro-organismos patogênicos: bactérias, vírus, protozoários (nenhum boi ou porco faz check-up antes de morrer).  Lembrando que quase a metade da carne consumida no Brasil provém de abatedouros clandestinos, portanto as condições sanitárias são uma roleta- russa, porém com todas as balas no tambor. 

Será que a prática do vegetarianismo é uma demonstração de evolução espiritual e ser onívoro é, por si só, um sinal de inferioridade moral? Respondo com Chico Xavier que não dispensava um bife acebolado com arroz e feijão. Isso não é lenda, é fato! Pela narrativa dos evangelistas o próprio Cristo comia peixe. O Mestre nunca desaprovou alimento algum. Comumente recorria à figura do pastor e suas ovelhas. Ora, pergunto aqui, para que um pastor criava ovelhas? Seria só para adorno caseiro ou para engordá-las e em seguida comê-las? Se tal situação fosse censurável perante a vida, o Sublime Senhor não usaria essa metáfora, pois o pastor seria pior que o lobo. 

Sim, Jesus comia peixes, portanto comia carne (peixe não é vegetal), por isso Ele mesmo advertiu que o importante não é o que entra na boca do homem, mas o que sai dela.  O que não significa aqui que a frase deva ser interpretada ao pé da letra e de modo extemporâneo para justificar o abuso da ingestão de carne, até porque o abuso é ilícito em tudo.

Apesar dos nossos vícios milenários de nutrição e os intransigentes debates em torno do assunto, não creio que comer carne possa acarretar expiações futuras. Contrariamente, a carne ainda serve de base alimentar para muita gente. Além disso a atual tecnologia tem produzido a carne em laboratório, isso sinaliza um futuro sem frigoríficos, abatedouros e  matadouros que não serão mais necessários.
Sem adentrar no mérito da decisão particular daqueles que não ingerem carne, que eu respeito profundamente, recorro a Kardec quando inquiriu aos Espíritos se era importante abster-se o homem da alimentação animal, ou de outra qualquer, por expiação. Os Benfeitores explanaram que “era meritório se tal abstenção fosse em benefício dos outros. Aos olhos de Deus, porém, só há mortificação, havendo privação séria e útil. Por isso é que qualificamos de impostores os que apenas aparentemente se privam de alguma coisa.” [4]

A Doutrina Espírita não proíbe nada; orienta com o apelo que faz à razão. É uma questão de bom-senso! Se a “carne nutre a carne” nada me obriga a parar de comê-la. Até mesmo porque não são muitas as pessoas que se despojam de alguma coisa em benefício do próximo. Os motivos de alguns abstêmios da carne, raramente são muito convincentes; os discursos tangem para filosofias espiritualistas que não têm maior aproximação com o Espiritismo. 
Faço aqui uma ajuizada advertência considerando os médiuns que lidam com serviços mediúnicos de desobsessão. Segundo André Luiz, “a alimentação, durante as horas que precedem o serviço de intercâmbio espiritual, deve ser leve. Nada de estômago cheio. A digestão laboriosa consome grande parcela de energia, impedindo a função mais clara e mais ampla do pensamento, que exige segurança e leveza para exprimir-se nas atividades da desobsessão.”[5] 

“Aconselháveis os pratos ligeiros e as quantidades mínimas, crendo-nos dispensados de qualquer anotação em torno da impropriedade do álcool, acrescendo observar que os amigos ainda necessitados do uso do fumo e da carne, do café e dos temperos excitantes, estão convidados a lhes reduzirem o uso, durante o dia determinado para a reunião, quando não lhes seja possível a abstenção total, compreendendo-se que a posição ideal será sempre a do participante dos trabalhos que transpõe a porta do templo sem quaisquer problemas alusivos à digestão.”[6] 


Referências bibliográficas:

[1] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: ed. FEB. 2001, perg 723
[2] O termo onívoro vem do latim omnis, que significa todos, e por isso alguns dizem que os onívoros são aqueles capacitados para consumir qualquer tipo de alimento. Seguindo a definição de que onívoro é o ser que se alimenta de carnes e vegetais, podemos dizer que o ser humano é onívoro, embora o hábito de comer carne seja mais ligado a fatores culturais, uma vez que o aparelho digestivo humano se assemelha mais ao dos seres herbívoros. 
[3] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: ed. FEB. 2001, perg 722
[4] Idem , perg.724
[5]  XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Desobsessão, Cap. II, RJ: Ed. FEB, 1973
[6]  idem

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O SERMÃO DAS COLINAS DE KURUN HATTIN (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
Consta na tradição do Evangelho que o Cristo antes de começar a sua vida pública, após   ter passado alguns dias de silêncio e meditação no deserto,  dirigiu a Sua primeira mensagem ao povo através do sublime “Sermão do Monte”, pronunciado nas colinas de Kurun Hattin, à sudoeste do lago da Galiléia.  O Discurso tornou-se a pedra angular do edifício cristão. Representa uma síntese perfeita dos ensinos do Mestre, a legítima Carta Magna da Boa Nova que um dia será implantado na Terra.  

A “advertência do Monte”  representa o mais impetuoso contraste entre os padrões do homem mundano e o ideal do ser espiritual. Na belíssima mensagem, avaliada por Mahatma Gandhi como a mais pura essência do cristianismo, o “Iluminado da Índia” pronunciou que se um cataclismo extinguisse toda a sabedoria humana, com todos os seus livros e bibliotecas, se restasse apenas o Sermão do Monte, as gerações futuras teriam nele toda a beleza e sabedoria necessárias para a vida. 
O preleção do Mestre na encosta do monte galileu não é, na realidade, um mero “Sermão”.   A fileira das oito afirmações, pungentes e paradoxais, narradas por Mateus , devem ter caído como raios sobre aqueles judeus orgulhosos do primeiro século. Não são provérbios independentes, que se aplicam a oito diferentes circunstâncias e grupos de homens, mas são uma prescrição perfeita para cada indivíduo.

Por incapacidade de interpretação das lições do Cristo, no decorrer dos anos, surgiram dogmas cristalizadores da fé travando o uso da razão.  Idealizou-se na história do “cristianismo oficial” conduta incompatível com o Evangelho a exemplo da infalibilidade papal, do batismo, da confissão auricular, da eucaristia, do pecado original, em seguida, em face da reforma luterana abrolham as inconciliáveis promessas da salvação pelo “sangue” de Jesus, a unicidade e infalibilidade da Bíblia, o mercantilismo do dízimo, o enriquecimentos dos líderes cristãos,  a fé sem compromisso com as obras do bem, teologias de predestinações,  prosperidade [material] etc. 

Como resposta desses trágicos desmandos surgem alguns intelectuais evidenciando grande aversão ao abatido e bizarro cristianismo. Até mesmo sobre o excelso Sermão aqui considerado George Bernard Shaw  descreveu-o como "uma explosão impraticável de anarquismo e de sentimentalismo". O filósofo alemão Friedrich Nietzsche dizia que a moralidade cristã é a mais maligna forma de toda a falsidade. Em 1929, o humanista John Herman Randall estranhava como um Carpinteiro da Galileia pudesse ter enunciado a última palavra em ética humana.

Por outro lado, muitos sábios têm apreciado o Sermão do Monte com grande reverência, até mesmo quando não o conheceram nem o entenderam muito bem. Pode-se dizer, com segurança, que o Sermão  de Kurun Hattin é o mais popular, menos apreendido e menos exercitado de todos os mandamentos de Jesus. Portanto, seria possível evitar todas as controvérsias se todos os setores do mundo cristão fizessem do aludido Sermão do Monte o seu código de ética  único e universal. 

Compreendemos que “o Discurso do Monte” refere-se a júbilos e felicidades procedentes da aflição. O que pode indicar para os céticos uma filosofia sádica, originária de um raciocínio desviado. Ocorre, contudo, que a aflição, nesse caso, é intrínseco ao processo de mudança no padrão mental do ser em evolução. No dito “Sermão”, o contraditório para alguns está no que ele significa: uma revogação incondicional com o modelo sócio político, econômico e psíquico vigente na Terra, a fim de que se possa construir nela um novo padrão de sociedade. Não existem caminhos alternativos para isso. O “Mundo” [físico], como mencionava o Cristo , é inconciliável com o "Reino” [espiritual], pois são reciprocamente excludentes. A adesão a um, implica alheamento necessário do outro. O Sermão do Monte é a bandeira da Nova Era que o Evangelho veio hastear na Terra. Mas, só será possível, quando assimilarmos e vivermos o seu conteúdo universalmente.  Para isso é indispensável um esforço sincero de cada um para fazer da mensagem do Cristo uma realidade.

Na   era da cibernética, da realidade quântica e da cosmonáutica em que  viajamos a velocidades estupendas nos aviões , e não mais em frágeis barquinhos ou carroças de jegues, há os que creem que o acesso ao plano  espiritual também deva ser “modernizado”; Os  costumes arcaicos do primeiro século do Cristianismo, afiançam  os visionários, perderam a sua razão de ser. Destarte , tais utopistas religiosos  ingerem  alguns comprimidinhos  de “mandinga mental” ou “ritualismo místico”, a fim de acessarem  narcotizados e ou de muamba nas dimensões das altas esferas  do além , desconsiderando a “porta estreita e caminho apertado”, como admoestava o Mestre galileu. Atualmente, se Jesus retornasse, expõem tais religiosos, Ele não mais reproduziria as palavras rigorosas do Sermão do Monte, mas se amoldaria ao mercantilismo da religião e mostraria ao mundo o modo de alcançar o céu [salvação] viajando de Ferrari, lamborghini ou aviões particulares com cabine de luxo.

Para uma sociedade estruturada nessas ilusões e concepções errôneas sobre a realidade da vida além do túmulo ,  as bem-aventuranças fazem duas afirmações básicas. Primeiro, que a paz no mundo dos mortos não está aberto aos que se julgam virtuosos e aos presunçosos, mas aos arrependidos sinceros e suplicantes que ambicionam serviços nas dimensões extrafísicas.  Segundo, que o além-túmulo de paz não é para os "poderosos" que obtêm o que desejam pela oratória religiosa, pela fama, pela riqueza ou pela agressividade, mas para um  grupo de homens resignados, que abdicam, não somente de suas vontades, mas até dos seus "direitos", em prol das necessidades dos outros.

Kardec, por fim, assenta no Evangelho Segundo o Espiritismo o transcende o Sermão das colinas de Kurun Hattin, colocando-o na linguagem da razão, com explicações racionais, filosóficas e científicas, sem contudo abdicar do aspecto sensível da emoção que é posto na sua expressão profunda, demonstrando que o sentimento e a razão podem e devem caminhar juntos, pois constituem as duas asas de libertação definitiva do homem de bem.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

SOMOS LEGATÁRIOS DAS NOSSAS OBRAS (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
Pesquisando aqui e ali esbarrei com histórias curiosas. Uma delas foi o recente reencontro entre dois amigos (ex-jogadores de futebol) que se uniram deslumbrados pela bola e após abandonarem os gramados seguiram rumos opostos. Seus nomes? Ronaldo Souza e Carlos Eduardo se conheceram na década de 1990 no pequeno time da Portuguesa da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Contudo a vida dos dois tomaria caminhos diferentes: Carlos virou magistrado e Ronaldo traficante de drogas. Decorridos quase 20 anos, o caminho dos dois se cruzou outra vez e, graças à intervenção de Carlos (o magistrado), Ronaldo (o criminoso) ganhou o benefício de trabalhar fora da cadeia. [1]

A história dos dois começou na juventude. Além da Portuguesa, a dupla atuou junto em outros times pequenos do Rio. Carlos jogava mais pela ala esquerda e Ronaldo era centroavante. Posteriormente, separados, eles passaram por vários clubes do Brasil. Carlos jogou no Vila Nova, Aracruz e União Barbarense, mas percebeu que o futebol não lhe daria equilíbrio financeiro. Estudou muito e se formou em direito e em seguida passou no concurso de juiz. Hoje, é o titular da vara de Execuções Penais e cuida dos cerca de 25 mil presos do Estado do Rio.

Ronaldo, porém, nos últimos anos de carreira, já desmotivado, começou a se envolver no submundo do crime. Foi preso em 2003. O processo criminal de Ronaldo caiu na mesa de Carlos em dezembro de 2014. Com um atestado de bom comportamento na prisão, Ronaldo solicitava o benefício de trabalhar fora da cadeia. Carlos, impedido de decidir por ter laços de amizade com Ronaldo, deixou o processo nas mãos de outro juiz. Mas, como titular da vara, foi ele quem assinou o documento que oficializou o benefício.

No dia do reencontro no fórum, Ronaldo parecia tenso, constrangido, mas a gratidão no rosto e nas palavras prevaleceram. Pronunciou ao amigo e então meritíssimo juiz que “na lei da semeadura colhemos o que semeamos, então temos que procurar plantar coisa boa, pra colher coisa boa, sei que infelizmente não plantei o melhor”. Após agradecer a oportunidade e relembrar os momentos de jogador, o tão esperado momento de sair do carceragem enfim aconteceu. 

Outro episódio singular ocorreu na corte de justiça de Miami nos EUA, quando dois ex-colegas do “ginasial” se reencontraram em situações de vida bastante adversas. Em uma sessão, a juíza Mindy Glazer reconheceu Andy Booth (acusado de assalto e distúrbios na ordem de trânsito) – como seu ex-colega de turma. O acontecimento (difundido pelo You Tube) e citado pela imprensa internacional foi ainda mais impactante quando a juíza pronunciou, em palavras francas, que Booth era “o cara mais legal da escola”. Entretanto, diferente do desfecho entre o juiz Carlos e o traficante Ronaldo, ocorrido no Rio de Janeiro, lá nos EUA o assaltante Booth chorou muito diante da ex-colega de ginásio quando a reconheceu. A juíza Glazer lastimou a situação do ex-colega de escola e aplicou-lhe a penalidade cabível, emitindo sinceros votos para que Andy conseguisse mudar o próprio futuro.[2]

Tais fatos incomuns e inesperados foram amplamente divulgados, e valem como uma sentença para reflexões: a todo momento devemos fazer opções na vida e as alternativas cotidianas edificam nossa história. Gradativamente vamos bancando nossa caminhada e cada dia em que preenchemos os espaços da experiência com boas decisões precisa ser celebrado. A conquista de uma situação social digna e segura é erigida palmo a palmo, dia após dia, insistindo no caminho do esforço e do bem.

Na Lei de Causa e Efeito estão compendiadas as dinâmicas que harmonizam as demandas ético-morais. Compreendemos que a justiça humana está apoiada na legislação terrestre, sob códigos judiciais instituídos pelos juristas. Quando há uma demanda qualquer, os conhecedores desses códigos analisam o processo, julgam e decidem os corretivos aplicáveis ao réu. A justiça dos homens se alicerça no arbítrio e segundo a visão dos meritíssimos.

Contudo, considerando a justiça divina a apreciação das infrações tem outra conotação. Os efeitos dos atos se dão de forma direta e natural, sem intercessores. Numa falta, a punição se situa de modo adequado e interrompe espontaneamente, com os mecanismos do arrependimento eficaz, da expiação e da reparação do erro. 

Nos códigos da justiça divina não há dois pesos e duas medidas. Inexiste espaço para injustiças e as leis são inabaláveis e não podem ser burladas. As leis divinas não admitem exceções, nem concessões. Todavia, como reconhecer essas leis? Ora, auscultando a consciência, que é onde está escrito o código divino. 

Se sabemos que as consequências dos nossos atos ocorrerão, que somos herdeiros das nossas obras, podemos suscitar, se quisermos, efeitos suaves para o futuro. Se hoje padecemos as sequelas de atos equivocados já cometidos, basta enfrentar os efeitos, sem nos queixar dos sofrimento, e agir com um comportamento ético-moral harmônico com o resultado que aspiramos conseguir amanhã. 

No campo moral a justiça divina rege a vida humana, distribuindo a cada um segundo as próprias obras, sem intermediários. Destarte, se desejamos um futuro próspero, procuremos acertar nossos passos em consonância com a consciência, que é sempre um guia infalível onde estão grafadas as leis do Criador. 

E, se não tivermos certeza de como agir corretamente, recordemos aquela regra de ouro: “façamos aos outros o que gostaríamos que os outros nos fizessem” [3], e não há como errar.

Referências:

[1] Disponível em http://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/2013/08/o-traficante-e-o-juiz-um-reencontro-anos-apos-abandonarem-o-futebol.html acesso 28/07/15

[2] Disponível em http://revistamarieclaire.globo.com/Web/noticia/2015/07/suspeito-de-roubo-chora-em-julgamento-ao-reconhecer-que-juiza-era-sua-amiga-de-escola-assista.html acesso em 28/07/15

[3] Mateus 7:12

segunda-feira, 27 de julho de 2015

REENCARNAÇÃO - GURIS E GURIAS GENIAIS SANCIONAM O RENASCER (Jorge Hessen)


Jorge Hessen


Quem são os guris e gurias prodigiosos? O que é a genialidade, o virtuosismo? O que faz na Terra um supertalentoso? Qual é o seu futuro? Perguntas essas que somente podem ser respondidas tendo a pluralidade das existências como verdade inconteste e mecanismo natural de evolução do Espírito. Sem a pluralidade das existências não há como explicar os fenômenos dos gênios mirins.

Pesquisadores acadêmicos, por mais que investiguem e arrisquem explicar as atuações de crianças e jovens com inteligências muito acima da média, oferecem frágeis hipóteses, discorrendo sobre causas obscuras, influências enigmáticas, recalcamentos e complexos mágicos. Os teólogos, laborando na inaptidão de elucidação racional e experimental, adjudicam tudo aos insondáveis mistérios da vontade do Altíssimo. Em verdade, a temática sobre reencarnação, sob o ponto de vista espírita, não foge à ciência, não teme debate, não se enlaça a dogmas e repele o materialismo. A Doutrina dos Espíritos está inteiramente habilitada para explicar o admirável fenômeno das crianças e jovens prodígios pelas considerações reencarnacionistas.

Por cabível, citemos a título de ilustração alguns nomes para lá de prodigiosos. Mozart e Chopin, por exemplo, trouxeram de reencarnações anteriores um nível de habilidade para a música extremamente superior aos músicos comuns. Quando tais virtuoses reencarnaram, simplesmente complementaram os conhecimentos e habilidades que permitiram acrescentar aquele degrau que passaria a habilitá-los à classe de Gênios. Assim, tais espíritos, em vez de trazerem somente um potencial latente, apresentam no cérebro físico a porta aberta do setor da memória espiritual. Recordando não como intuição, mas como lembrança concreta daquela habilidade desenvolvida no passado.

Miguel Ângelo, aos doze anos já era um magistral artista; Balzac, aos oito já compunha pequenas comedias; Wagner, aos 6 já havia lido a história de Mozart; Carlyle aprendeu a ler aos 4; Alexandre Dumas, aos 4 lia a História Natural de Buffon. Walter Scott aprendeu a ler entre 3 e 4 anos. Voltaire, educado por um padre, aprendeu a ler aos 3. Antes dos 12 versejava com admirável fluência; Goethe, aos 7 compunha versos em latim e, antes dos 9, fazia um poema, parte em latim, parte em grego e parte em alemão; Hermógenes, aos 15 ensinava retórica ao imperador Marco Aurélio; Victor Hugo, aos 13 ganhava um prêmio nos jogos florais de Toulouse; Stuart Mill, aos 8 já conhecia o grego perfeitamente e aos 10 aprendeu o latim.

Há diferentes talentos presentes nos gênios mirins contemporâneos. Vejamos: Kim Yong-Ung frequentou a Universidade aos 4 de idade e no seu quinto aniversário resolveu um complicado cálculo diferencial e integral; doutorou-se aos 15 anos. Kevin Michael Kearney falou suas primeiras palavras aos quatro meses, e quando tinha seis meses disse ao seu pediatra: "eu tenho uma infecção na orelha esquerda", e aprendeu a ler aos 10 meses. Mikaela Irene Fudolig entrou para a Universidade das Filipinas aos 11 anos. Fez bacharelado em Ciências Físicas aos 16 anos e era a melhor aluna de sua turma de formandos.

Akrit Pran Jaswal (da Índia) se tornou conhecido quando realizou sua primeira cirurgia, com apenas sete anos de idade. Entrou na universidade de medicina aos 12 anos, e aos 17 já estava graduado em Química Aplicada. Taylor Ramon Wilson é a pessoa mais jovem do mundo a construir um fusor nuclear. Aos 10 anos, Taylor construiu uma bomba e aos 14, o fusor. Em maio de 2011, ganhou o prêmio International Science and Engineering Fair Intel, graças ao seu detector de radiação. Cameron Thompson é um prodígio da matemática do norte do País de Gales. Quando tinha quatro anos de idade corrigiu seu professor sobre sua afirmação de que zero é o menor número. Jacob Barnett, aos 10 anos de idade se matriculou na Universidade de Indiana. Enquanto estudava, afirmou que um dia poderia refutar a Teoria da Relatividade de Einstein. Atualmente ele está trabalhando em seu PhD em Física Quântica.

March Tian Boedihardjo nasceu em Hong Kong e é a pessoa mais jovem a se matricular na Universidade de Hong Kong, aos nove anos de idade. Balamurali Ambati nasceu em 29 de julho de 1977, e foi a pessoa mais jovem do mundo a se formar na carreira de medicina. Aos 13 anos já tinha se graduado da Universidade de Nova Iorque, e aos 20 terminou sua residência na Universidade de Harvard e se graduou como oftalmologista.

Gregory R. Smith, pode parecer brincadeira, mas aos 14 meses já sabia as 4 operações aritméticas e aos dois anos já lia perfeitamente, inclusive corrigindo os erros gramaticais que encontrava. Ruth Elke Lawrence, aos 8 anos já tinha atingido o nível intelectual de matemática mais alto que se pode obter – "Grau A em Matemática Pura". Aos 11 anos, Ruth entrou na universidade de Oxford, onde se graduou com honras 3 anos mais tarde. Continuou seus estudos até obter seu doutorado, com 18 anos, sendo professora da Universidade Hebreia de Jerusalém. William Hamilton conhecia treze línguas em sua infância, e aos dezoito anos foi proclamado o melhor matemático de sua época.

Só a pluralidade das existências pode explicar a diversidade dos caracteres, a variedade das aptidões, a genialidade, a desproporção das qualidades morais; enfim, todas as desigualdades que alcançam a nossa vista. Fora dessa lei, indagar-se-ia, inutilmente, por que certos homens possuem supertalentos, sentimentos nobres, aspirações elevadas, enquanto muitos outros só manifestam paixões e instintos grosseiros. A influência do meio, a hereditariedade (privilégios biogenéticos) e as diferenças de educação não bastam, obviamente, para explicar esses fenômenos. Vemos os membros de uma família, semelhantes pela carne, pelo sangue, pelo histórico genético, e educados nos mesmos princípios, diferençarem-se ao infinito em muitos pontos.


No século XIX, numerosos pensadores renderam-se à reencarnação: Dupont de Nemours, Charles Bonnet, Lessing, Constant Savy, Pierre Leroux, Fourier, Jean Reynaud. A doutrina das vidas sucessivas foi vulgarizada para o grande público por autores como Balzac, Théophile Gautier, George Sand e Victor Hugo. Pesquisadores como Ian Stevenson, Brian L. Weiss, H. N. Banerjee, Raymond A. Moody Jr., Edite Fiore e outros trouxeram resultados notáveis sobre a tese reencarnacionista. É possível que, em um futuro próximo, os estudos nessa direção cheguem aos mesmos resultados já afirmados pelo Espiritismo. Grande parte das tentativas de estudar prodígios mirins, sem levar em conta a pré-existência do Espírito, esbarra em resultados nada satisfatórios ou em dificuldades insuperáveis, em face da necessidade de se considerar essa hipótese. Caso contrário, entra-se em um beco sem saída e o progresso da Ciência nessa área permanecerá na inércia.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

A HONESTIDADE NÃO NECESSITA DE ELOGIOS – É OBRIGAÇÃO HUMANA (Jorge Hessen)


Jorge Hessen

Não experimento qualquer regozijo quando leio as notícias sobre pessoas que são festejadas por atos de honestidade. Isso significa que ser honesto é ser exceção numa maioria desonesta. Despertou-nos a atenção um recente roubo ocorrido em Canna, uma pequena ilha da Escócia. O imprevisto ocorreu em uma loja gerenciada pelos próprios fregueses , que vendia comidas, produtos de higiene pessoal e outros utensílios. Produtos como doces, pilhas e chapéus de lã artesanais foram roubados, sendo a loja revirada pelos ladrões. Parece coisa pequenina para nós brasileiros, mas o roubo assombrou os residentes de Canna, que não viam nada parecido acontecer por ali havia meio século. 

A loja permanece aberta em tempo integral e o pagamento da compra dos produtos é feito na “boa fé” ou "caixa da honestidade": os fregueses deixam o dinheiro junto com um bilhete descrevendo o que compraram. Se confrontarmos a realidade do Brasil, seja na educação, na saúde, na ética, na honestidade com outros países sérios, surgem desculpas sempre esfarrapadas quais: o Brasil é “especial”, é a “pátria do Evangelho”(!??...) , é continental, tem uma história “mística” etc... A cantilena é incansavelmente repetida. 

Não obstante saibamos que o Brasil como território é um paraíso, um lugar formoso; de uma natureza exuberantemente cativante, com rios, cachoeiras, florestas, ilhas e mares de nos fazem suspirar. Mas, inventamos “trocentas” desculpas para nossos déficits e barbáries morais. Em face disso, é urgente uma insurreição moral, entronização do cultivo da honestidade, destruição do status do embuste, o fim da vulgaridade inebriante, notadamente a que tange para a degeneração ética através de permissões para a pilhagem, a falcatrua, a corrupção em todas os covis institucionais do País.

Acredite se puder, mas recentemente decifrei uma “pesquisa” garantindo que os brasileiros, na sua maioria, são “honestos”. Isso mesmo, honesto! Seria cômico se não fosse trágico tal resultado. É risível confiar em tal “pesquisa”! Os questionários abordavam circunstâncias como não devolver o troco recebido a maior, sonegar imposto de renda, estacionar na vaga destinada a idosos e deficientes físicos, apossar-se de canetas, lápis, borrachas, elásticos e envelopes da empresa ou órgão público onde trabalha, ficar com o dinheiro de uma carteira achada na rua, “furar” a fila no embarque do ônibus, exceder o limite de velocidade ou avançar o sinal de trânsito, usar cópia ilegal de softwares de computador, dirigir quando bebeu acima do limite permitido, etc, etc, etc, etc, etc.... 

Tal “pesquisa” realizada no “Coração do mundo”(!?) concluiu que os brasileiros são mais honestos que os europeus submetidos à mesma “pesquisa”. É óbvio que tal “pesquisa” no Brasil não é a radiografia da realidade: os brasileiros, com as justas ressalvas, são capazes de múltiplos atos desonestos. Ora, num país em que ainda impera a chamada “Lei de Gerson” em que o fim é obter vantagem, o meio utilizado não faz diferença. As respostas dos “entrevistados” atestam um fato inquietante que além de desonestos os “entrevistados” são ao mesmo tempo mentirosos. 

Impossível negar que a grande maioria dos brasileiros praticam os pequenos atos de desonestidade contidas nas perguntas da “pesquisa”, porém, raros são capazes de admitir que o cometeriam. Diante de tantas evidências, seria justo hastearmos a bandeira de um povo incorruptível? ... E como transformar essa conjuntura? É elementar, meu caro Watson!, diria Sherlock Home, é necessário que assumamos a consciência de que não somos sinônimo de reputação “NOTA DEZ”, em seguida, cultivarmos as transformações necessárias em nossa índole comportamental. Desonestidade é, especialmente, desrespeito pelo próximo e todo ato desonesto provoca algum tipo prejuízo à sociedade.

No país em que o valor máximo da vida pode ser depositado em instituições financeiras, onde o sensualismo e o culto ao corpo físico substituiu os valores do espírito, onde a honestidade é desmoralizada sem piedade pelo indesejável “jeitinho”, continuaremos bem longe da harmonia social. Apesar disso, é preciso confiar no futuro. Importa assumirmos sincera confiança nos homens que vivem nestas plagas abençoadas e no porvir edificarmos os alicerces do edifício do Evangelho de Jesus na Pátria do “Cruzeiro do Sul”.

Tudo no universo encontra-se em constante metamorfose e aprimoramento, por isso o progresso é uma das finalidades da vida. Na natureza não ocorrem saltos. Algumas etapas devem ser percorridas para ser possível atingir-se a fase subsequente. Tais conquistas não são obras do acaso e nem brotam de um momento para o outro. Todavia, a honestidade é justamente uma das primeiras virtudes a serem conquistadas por quem deseja a paz e a felicidade na sociedade. 

Ser honesto implica confirmar fidelidade em todos os aspectos da existência. O homem honesto realiza as tarefas que lhe cabem, com ou sem testemunhas e aplausos, até porque, ao agir honestamente, ninguém faz mais do que a obrigação.