segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Preconceitos e homofobias implícitos entre “confrades” (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
Brasília.DF


Existem muitos “confrades” que, declarada ou veladamente homofóbicos, são intolerantes a homossexualidade e/ou qualquer sentimento/relacionamento homoafetivo. Obviamente, para um povo místico, preconceituoso e homofóbico que até hoje vê com esguelha um casal inter-racial, não seria diferente com a união estável entre homossexuais.

Tragicamente há “confrades” discriminadores, para os quais a homossexualidade é a maldição de Deus.  Anunciam essas vertentes (sempre generalizando) como se impuras fossem. Não ignoro que não será de uma hora para outra que esses preconceitos e aversões serão extirpados do imaginário individual e coletivo.

Vários jovens foram banidos de seus lares e até assassinados pelos próprios pais, tão somente porque eles são homossexuais. Infelizmente as concepções e crenças desses progenitores consideram a homossexualidade abjeta ou impura; creem que não conseguem conviver, amar e perdoar o próprio filho.

O “confrade” homofóbico, discriminador, racista etc. é aquele que ainda não aprendeu a lidar com as próprias frustrações em relação a si mesmo. Ele luta cegamente para manter suas ideias deturpadas, porque entende que jaz “doutrinariamente” puro num mundo “pecaminoso” que já se perdeu. Por isso, quando o “confrade” preconceituoso se une a outro “confrade” discriminador, habitualmente eles se tornam impetuosos em defender as suas ideias porque, sem a lógica KARDEQUIANA, é a agressão que prevalece para IMPOR uma “verdade” unilateralmente.

Tais “confrades” com vieses homofóbicos altercam a questão da distorção sexual no corpo físico pela fonte espiritual deturpada. Invariavelmente sob argumentos reducionistas afirmam que os núcleos em potenciação sexual mesclada e desarmônica, traduzido na morfogênese humana, a transmutação sexual redunda numa extensa patologia, em que a homossexualidade ocupa lugar de destaque.

Os enviesados pela homofobia asseguram que os casos patológicos acima citados jamais deverão ser confundidos com “almas femininas” em corpos masculinos ou corpos femininos com “almas masculinas”. Nas suas impetuosidades afirmam que a homossexualidade é caso típico de desvio patológico quando os indivíduos procuram atender às solicitações sexuais com o parceiro do mesmo sexo, em atitudes ativas ou passivas.

Creem que na homossexualidade há a prática sexual deformada com todas as sequelas doentias para o psiquismo, que resvalam para os desvios psicológicos do intersexualismo e transexualismo que podem oferecer campo propício para deságues patológicos na organização sexual periférica, com absorção das desarmonias para a estrutura da alma ou inconsciente.

Sob o guante do viés homofóbico, “confrades” chegam ao ápice ao ressaltarem que na “grande lei dos desvios sexuais” há as perversões do sadismo, masoquismo, exibicionismo e violências de toda ordem. Nesse grupo, a grande percentagem está na homossexualidade, condição de extenso campo de avaliação psicológica.

Para tais “confrades” homofóbicos a personalidade homossexual, em grande número de casos, tem mostrado, ao lado da amabilidade, incontida egolatria, algumas vezes acompanhando posições narcisistas, contribuindo com certo grau de hostilidade para ambos os sexos. São pessoas mais tendentes à ansiedade e a outros sintomas neuróticos, tais como fobias e depressões. Quase sempre são portadoras de esquemas mentais complicados, tornando-se prolixos e enfadonhos no diálogo.

Certa vez um “confrade” me disse com todas as letras: “temos o caso do Chico – clássica inversão [sexual] a serviço do bem”. Mas sempre generalizando com a “autoridade heterossexual”, entende que os homossexuais não estão satisfeitos com a situação de inversão - são em sua maioria revoltados ou insatisfeitos – isso por si só denota a situação expiatória imposta.

Para Emmanuel, na obra Vida e Sexo, a homossexualidade não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível à luz da reencarnação.

Observada a ocorrência, mais com os preconceitos da sociedade, constituída na Terra pela maioria heterossexual do que com as verdades simples da vida, a homossexualidade vai crescendo de intensidade e de extensão com o próprio desenvolvimento da Humanidade, e o mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às criaturas heterossexuais.

A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos. [1]

·         Podemos compreender a homossexualidade nas três situações seguintes:

Processo de transição, isto é, quando o Espirito está em trânsito evolutivo, da experiência feminina para a masculina ou vice-versa, ao reencarnar demonstrará inevitavelmente os traços femininos ou masculino em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina ou feminina da atual reencarnação.

Processo de regeneração (punitivo), isto é, quando o Espírito reencarna no corpo feminino ou masculino com obrigações expiatórias, em face dos desvios das faculdades sexuais de vidas passadas (homem que abusou sexualmente da mulher e mulher que abusou sexualmente do homem), por isso é induzido a reencarnar em corpo morfologicamente contrário ao psiquismo (homem renasce em corpo de mulher e mulher renasce em corpo de homem), aprendendo, em regime de prisão e inversão, a reajustar os próprios sentimentos. [2]

Processo de elevação, isto é, quando os Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos humanos e, consequentemente, na elevação de si próprios, reencarnam em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem. Escolhem com isso viver temporariamente ocultos no corpo físico inverso ao psicológico, com o que se garantem contra arrastamentos irreversíveis, no mundo afetivo, de maneira a perseverarem, sem maiores dificuldades, nos objetivos que abraçam. [3]

Em suma, sugerimos aos “confrades” homofóbicos e discriminadores o seguinte: diante dos homossexuais é forçoso dar-lhes o amparo afetivo e educativo adequado, tanto quanto se administra educação à maioria heterossexual. E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna, os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um. [4]

Outro “confrade” assegurou-me através do seu próprio véis homofóbico que “Emmanuel” aconselha o celibato para os homossexuais. Ora, em verdade eu não sei (e ninguém sabe) o que vai na intimidade de alguém que opta pela relação homossexual. A minha natureza psicológica particularmente heterossexual não me permite invadir a privacidade homossexual de ninguém. Em face disso, quem sou eu para ajuizar o que é certo ou errado no mundo homoafetivo, considerando o relacionamento homossexual. Não consigo compreender os “confrades” que interpretam a intimidade sexual dos outros como supostamente pura ou impura, sublimada ou animalizada, equilibrada ou destrambelhada!!!

Afinal, quem tem autoridade para ajuizar a consciência do próximo? NINGUÉM! Absolutamente NINGUÉM.

Se há “confrades” que entendem que podem julgar o próximo, “que atirem a primeira pedra!”[5

Referência bibliográfica:

[1]  [1]     XAVIER, Francisco Cândido. Vida e sexo, ditado pelo Espirito Emmanuel, cap. 21, RJ: Ed. FEB. 1977
[2]       idem
[3]       idem
[4]       idem
[5]       João 8:1-11

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Aberrações biológicas diante dos engenhos da reencarnação (Jorge Hessen)


Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com
Brasília.DF

No dia 02 de julho de 1997, uma equipe médica liderada pelo Dr. Ahmed Al Fadall anunciava a retirada de um feto do abdome de Hicham Ragab, pesando dois quilos, com olhos, nariz, língua, braços e pernas, conforme notícia veiculada no Jornal Correio Braziliense de 03 de julho de l997. O jovem, de apenas quinze anos, chegou ao Hospital al-Demardache, queixando-se de fortes cólicas abdominais, o que os médicos suspeitaram tratar-se de um tumor desenvolvido naquela região. Aparentemente, o feto seria o irmão gêmeo de Ragab, arriscou o médico. [1]

Lendo as notícias do portal Yahoo constatei que Cirurgiões japoneses fizeram uma descoberta macabra ao procederem uma apendicectomia de rotina. Os médicos acharam cabelo, osso e um pequeno cérebro deformado crescendo no ovário de uma adolescente. Os profissionais disseram que o tumor retirado pelo abdômen era um teratoma cístico, no qual as células se transformam em diferentes tecidos, como ossos, nervos, cabelos e dentes.

Quando os médicos cortaram o tumor, encontraram pedaços de cabelo emaranhado e uma estrutura cerebral com um fino crânio em volta. De um lado, a massa se assemelhava a um tronco cerebral. O tumor era uma pequena versão de um cerebelo, parte do cérebro humano. O tumor era benigno e os pesquisadores do Centro Médico de Shiga, no Japão, disseram que os teratomas de ovário frequentemente contêm material cerebral. [2]

Existem algumas teorias sobre o motivo disso. Uma delas sugere que tumores desse tipo são como gêmeos parasitas. Angelique Riepsamen, da University of New South Wales, da Austrália, disse à revista New Scientist que “elementos semelhantes aos do sistema nervoso central são frequentemente encontrados nos teratomas ovarianos, mas estruturas parecidas com a de um cérebro adulto são raras.” [3]

Tais informações nos remeteu a uma reportagem que havíamos lido na antiga Revista Visão, de dezembro de 1986, onde lemos que "ao ser internado no setor pediátrico do Hospital de Bombain, na Índia, acometido de uma inflamação abdominal, um menino de quatro meses foi submetido a uma laparotomia (abertura cirúrgica da cavidade abdominal) por uma equipe médica, chefiada pelo Dr. B. L. Chitalangia, e, em meio à cirurgia, os médicos encontraram nada mais, nada menos, que um feto, pesando quatrocentos gramas, de estrutura anatômica com braços e pernas, mas, desprovido de crânio." [4]

Para a Medicina, os fatos se constituem como um provável processo teratológico de precedentes raríssimos, visto que se caracterizam por uma interrupção da própria Natureza biológica de prováveis xifópagos.

Como buscarmos uma explicação espírita para essas "anomalias" da Natureza? Acidente na estrutura do conjunto genético? O "acaso" satisfaz a estas indagações? Evidentemente, as academias científicas não buscarão na etiologia de tais desarmonias genéticas as legítimas "raízes-causas", posto que - e isso não é temerário afirmar - restringem-se a ilações de superfície, presas aos compêndios acadêmicos, atribuindo tais insólitos fenômenos ao fortuito acidente biológico.

Os Espíritos afirmam que no processo reencarnatório o Espírito se une ao corpo no instante da concepção, mas o processo só é completo no momento do nascimento. Durante a gestação o Espírito pode renunciar a habitar o corpo designado. Como os laços que a ele o prendem não são muito fortes, se o reencarnante recua diante da prova que escolheu, os laços reencarnatórios facilmente se rompem pela vontade do Espírito, e nesse caso o feto não sobrevive.

Muitas gestações são interrompidas, e isso se dá frequentemente como provação, quer para os pais, quer para o Espírito reencarnante. Advertindo porém que há natimortos a que não tinha sido destinado um Espírito à encarnação. É então uma gestação provida pelo desejo dos pais [gravidez psicológica] em que essa criança é gerada. [5]

Muitos desses processos gestacionais se estendem por muitas reencarnações, deixando estigmas no modelador do corpo biológico, ou períspirito (matriz das anomalias genéticas).

Quando a Medicina desvendar a estrutura funcional do perispírito e buscar o conhecimento sobre a preexistência dos Espíritos encarnados, encontrará a explicação para muitos desafios científicos, posto que se temos uma vida física somente, e tão-somente uma existência, nossa visão sobre Justiça Divina torna-se excessivamente acanhada.

Referencias: 


[1] Jornal Correio Braziliense, de 03 de julho de l997

[2] Disponível em https://br.noticias.yahoo.com/cirurgioes-encontram-pequeno-cerebro-cranio-e-cabelo-dentro-de-ovario-de-uma-adolescente-165327465.html acesso em 16/01/2017

[3] Idem

[4] Revista Visão, de dezembro de 1986

[5] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Perguntas: 344/345/354/355/356, RJ: Ed. FEB, 2002

Aberrações biológicas diante dos engenhos da reencarnação (Jorge Hessen)


Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com
Brasília.DF

No dia 02 de julho de 1997, uma equipe médica liderada pelo Dr. Ahmed Al Fadall anunciava a retirada de um feto do abdome de Hicham Ragab, pesando dois quilos, com olhos, nariz, língua, braços e pernas, conforme notícia veiculada no Jornal Correio Braziliense de 03 de julho de l997. O jovem, de apenas quinze anos, chegou ao Hospital al-Demardache, queixando-se de fortes cólicas abdominais, o que os médicos suspeitaram tratar-se de um tumor desenvolvido naquela região. Aparentemente, o feto seria o irmão gêmeo de Ragab, arriscou o médico. [1]

Lendo as notícias do portal Yahoo constatei que Cirurgiões japoneses fizeram uma descoberta macabra ao procederem uma apendicectomia de rotina. Os médicos acharam cabelo, osso e um pequeno cérebro deformado crescendo no ovário de uma adolescente. Os profissionais disseram que o tumor retirado pelo abdômen era um teratoma cístico, no qual as células se transformam em diferentes tecidos, como ossos, nervos, cabelos e dentes.

Quando os médicos cortaram o tumor, encontraram pedaços de cabelo emaranhado e uma estrutura cerebral com um fino crânio em volta. De um lado, a massa se assemelhava a um tronco cerebral. O tumor era uma pequena versão de um cerebelo, parte do cérebro humano. O tumor era benigno e os pesquisadores do Centro Médico de Shiga, no Japão, disseram que os teratomas de ovário frequentemente contêm material cerebral. [2]

Existem algumas teorias sobre o motivo disso. Uma delas sugere que tumores desse tipo são como gêmeos parasitas. Angelique Riepsamen, da University of New South Wales, da Austrália, disse à revista New Scientist que “elementos semelhantes aos do sistema nervoso central são frequentemente encontrados nos teratomas ovarianos, mas estruturas parecidas com a de um cérebro adulto são raras.” [3]

Tais informações nos remeteu a uma reportagem que havíamos lido na antiga Revista Visão, de dezembro de 1986, onde lemos que "ao ser internado no setor pediátrico do Hospital de Bombain, na Índia, acometido de uma inflamação abdominal, um menino de quatro meses foi submetido a uma laparotomia (abertura cirúrgica da cavidade abdominal) por uma equipe médica, chefiada pelo Dr. B. L. Chitalangia, e, em meio à cirurgia, os médicos encontraram nada mais, nada menos, que um feto, pesando quatrocentos gramas, de estrutura anatômica com braços e pernas, mas, desprovido de crânio." [4]

Para a Medicina, os fatos se constituem como um provável processo teratológico de precedentes raríssimos, visto que se caracterizam por uma interrupção da própria Natureza biológica de prováveis xifópagos.

Como buscarmos uma explicação espírita para essas "anomalias" da Natureza? Acidente na estrutura do conjunto genético? O "acaso" satisfaz a estas indagações? Evidentemente, as academias científicas não buscarão na etiologia de tais desarmonias genéticas as legítimas "raízes-causas", posto que - e isso não é temerário afirmar - restringem-se a ilações de superfície, presas aos compêndios acadêmicos, atribuindo tais insólitos fenômenos ao fortuito acidente biológico.

Os Espíritos afirmam que no processo reencarnatório o Espírito se une ao corpo no instante da concepção, mas o processo só é completo no momento do nascimento. Durante a gestação o Espírito pode renunciar a habitar o corpo designado. Como os laços que a ele o prendem não são muito fortes, se o reencarnante recua diante da prova que escolheu, os laços reencarnatórios facilmente se rompem pela vontade do Espírito, e nesse caso o feto não sobrevive.

Muitas gestações são interrompidas, e isso se dá frequentemente como provação, quer para os pais, quer para o Espírito reencarnante. Advertindo porém que há natimortos a que não tinha sido destinado um Espírito à encarnação. É então uma gestação provida pelo desejo dos pais [gravidez psicológica] em que essa criança é gerada. [5]

Muitos desses processos gestacionais se estendem por muitas reencarnações, deixando estigmas no modelador do corpo biológico, ou períspirito (matriz das anomalias genéticas).

Quando a Medicina desvendar a estrutura funcional do perispírito e buscar o conhecimento sobre a preexistência dos Espíritos encarnados, encontrará a explicação para muitos desafios científicos, posto que se temos uma vida física somente, e tão-somente uma existência, nossa visão sobre Justiça Divina torna-se excessivamente acanhada.

Referencias: 


[1] Jornal Correio Braziliense, de 03 de julho de l997

[2] Disponível em https://br.noticias.yahoo.com/cirurgioes-encontram-pequeno-cerebro-cranio-e-cabelo-dentro-de-ovario-de-uma-adolescente-165327465.html acesso em 16/01/2017

[3] Idem

[4] Revista Visão, de dezembro de 1986

[5] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Perguntas: 344/345/354/355/356, RJ: Ed. FEB, 2002

domingo, 15 de janeiro de 2017

Chacotas inconsequentes - Jorge Hessen


Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com
Brasília.DF



Paulo escreveu aos Gálatas: “Não vos enganeis; Deus não se deixa zombar; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. [1] Alguns humoristas impiedosos, armados de repertórios controvertidos, costumam debochar das desgraças alheias (bêbados, homossexuais, analfabetos, jagunços, idosos, aleijados etc.), a fim de bancarem os seus estúpidos shows. 

Há dois mil anos Jesus foi ridicularizado. Notemos: Nisso os soldados do governador levaram Jesus ao pretório, e reuniram em torno dele toda a coorte. E, despindo-o, vestiram-lhe um manto escarlate; e tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e na mão direita uma cana, e ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus! E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e davam-lhe com ela na cabeça. Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto, puseram-lhe as suas vestes, e levaram-no para ser crucificado. [2]

Ridicularizar, segundo o dicionarista, é aquele que tira "onda" zomba; que vive caçoando, causando riso com a intenção de debochar de algo ou de alguém; fazendo chacota com palavras, expondo-a ao ridículo. Que trata alguém com escárnio. Que exprime, demonstra e utiliza sarcasmo. Procurar tornar ridículo por meio de gestos, atitudes ou palavras irônicas. 

Os motivos podem ser muitos, dentre eles: Por diferenças raciais, doenças deformantes, forma de ser (personalidade), características regionais. Na verdade muitas pessoas são ridicularizadas pelo fato de não estarem enquadradas no atual perfil psicossocial, que parece eleger as pessoas "normais" e as "estranhas" que são alvos de zombarias cruéis.

Cientistas da Universidade de Leiden (Holanda) concluíram que rir dos problemas dos outros – um hábito muito comum entre os seres humanos – é sinal de baixa autoestima. Isso significa que, cada vez que alguém faz chacota ao ver alguma pessoa em desventura está mostrando que tem sérios problemas de auto aceitação.

Os estudos foram liderados pelo professor Wilco W van Djik e analisaram 70 pessoas. A grande maioria delas confessou ficar ditosa quando sabe que outra pessoa cometeu alguns deslizes ou se machucou. Van Djik afirmou para a revista LiveScience que “pessoas com menor autoestima se sentem melhor quando observam a desgraça alheia”. E esse sentimento (de gostar de ver os outros sofrendo) tem um nome: Schadenfreude. [3]

Raciocinando, dialogando ou trabalhando, “a força de nossas ideias, palavras e atos alcança, de momento, um potencial tantas vezes maior quantas sejam as pessoas encarnadas ou não que concordem conosco, potencial esse que tende a aumentar indefinidamente, impondo-nos, de retorno, as consequências de nossas próprias iniciativas”. [4]

Nos anos 1940, Chico começava a ser conhecido nacionalmente, e também era processado pela família do jornalista Humberto de Campos , que exigia na justiça o pagamento dos direitos autorais pela venda dos livros psicografados. Nessa mesma época, desembarcou em Pedro Leopoldo, David Nasser[5] e Jean Manzon, respectivamente, repórter e fotógrafo da revista O Cruzeiro, a revista de maior circulação no Brasil nessa época. O objetivo era entrevistar e achincalhar Chico Xavier.

A dupla expôs ao extremo ridículo a vida de Chico, justamente no momento mais crítico de sua vida, faltavam apenas alguns dias para que o juiz proferisse a sentença no caso Humberto de Campos. Com o título de “Chico Xavier, detetive do além” e dez páginas, a reportagem foi publicada na revista no dia 12 de agosto de 1944. Em meio a elogios, David aproveitava também para colocar em contradição os dons mediúnicos de Chico, sua ingenuidade em alguns momentos e sua esperteza em outros. 

Chico ficou indignado ao ler a reportagem. Ao ver sua vida e sua imagem (dentro de uma banheira) sendo manipulada daquela maneira, teve a certeza de que seria condenado. Chico chorava desesperadamente, não acreditava que havia sido enganado, e se perguntava porque Emmanuel não o alertou, se assim tivesse feito toda aquela humilhação não estaria acontecendo. 

Em meio à crise de choro Emmanuel surgiu no quarto e perguntou:

- Por que você chora?

- Por quê? É muita humilhação, uma vergonha, um vexame.

E Emmanuel respondeu:

- Chico você tem que agradecer. Jesus foi para a cruz, você foi só para “O Cruzeiro”. [6]

Toda a brecha de sombra em nossa personalidade retrata a sombra maior. Qual o pequenino foco infeccioso que, abandonado a si mesmo, pode converter-se dentro de algumas horas no bolo pestífero de imensas proporções, o deboche, a zombaria, “a maledicência pode precipitar-nos no vício, tanto quanto a cólera sistemática nos arrasta, muita vez, aos labirintos da loucura ou às trevas do crime”. [7]



Em suma, se zombarem de nós, sigamos o sábio conselho de Emmanuel - façamos do limão uma limonada e prossigamos em paz.

Referências bibliográficas:

[1]Gálatas 6:7
[2] Mateus, 27: 27-31
[3] A palavra deriva do alemão Schaden “dano, prejuízo” e Freude “alegria, prazer”.é um empréstimo linguístico da língua alemã também usado em outras línguas do Ocidente para designar o sentimento de alegria ou satisfação perante o dano ou infortúnio de um terceiro.
[4] Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e Vida, cap. 8, ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 1977
[5] Na década de 1970, David Nasser, em uma reportagem publicada no jornal carioca O Dia, se mostrou arrependido ao definir Chico Xavier como “o maior remorso da minha vida”.
[6] http://www.acaminhodaluz.net.br/v2/momentos-com-chico-xavier/103-chico-na-revista-o-cruzeiro.html
[7] Idem

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Sentimento e moralidade precedem à intelectualidade (Jorge Hessen)


Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com
Brasília.DF


Será que há uma tarefa especializada da inteligência no orbe terrestre? Emmanuel ilustra que “assim como numerosos Espíritos recebem a provação da fortuna, do poder transitório e da autoridade, há os que recebem a incumbência sagrada, em lutas expiatórias ou em missões santificantes, de desenvolverem a boa tarefa da inteligência em proveito real da coletividade. Todavia, assim como o dinheiro e a posição de realce são ambientes de luta, onde todo êxito espiritual se torna mais porfiado e difícil, o destaque intelectual, muitas vezes, obscurece no mundo a visão do Espírito encarnado, conduzindo-o à vaidade injustificável, onde as intenções mais puras ficam aniquiladas. [1]

Há aqueles que possuem o chamado QI elevado, que entretanto desconhecem os cruciais problemas sociais. James Flynn, professor da Universidade de Otago, Nova Zelândia, pesquisador no campo de investigações sobre a inteligência, afirma que os resultados médios em testes de inteligência vêm aumentando em todas as raças humanas. Todavia, em que pese o enorme potencial intelectual, muitos “inteligentes” não têm noção da história complexa do mundo que os cerca. Em seu mais novo livro, Does Your Family Make You Smart?, Flynn discute as maneiras como o pensamento humano mudou ao longo dos tempos, incluindo um aumento misterioso no quociente de inteligência (QI).

Alguns pesquisadores argumentam que “aumento misterioso no quociente de inteligência” reflete a completa educação atual sob a crescente dependência da linguagem e inteligência tecnológica. Tempos atrás, lembram, nossos bisavós padeceram com máquinas de escrever, e nossos pais com o primeiro videocassete, mas as crianças atuais aprendem a usar com extrema facilidade um tablet ou um smartphone ainda em tenra idade. Com isso, a atual geração talvez pense de forma rápida e abstrata, o que pode resultar em aumentos médios de percentuais no QI, mas esse aumento não significa perspectiva de melhora social.

Nesse debate, cientistas se apresentam convictos de que, independentemente dos antecedentes familiares, as pessoas têm o poder de cuidar do próprio desenvolvimento intelectual e moral, pois os estudos mostram que circunstâncias tecnológicas atuais influenciam o QI no presente mais do que a tradicional e histórica experiência educativa da família. Dizem! Porém, James Flynn não concorda com isso. Seguimos o pensamento de Flynn, pois cremos que a família é o fator principal para o desenvolvimento da moralidade e da inteligência.

“Temos no instituto familiar uma organização de origem divina, em cujo seio encontramos os instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para a edificação do Mundo Melhor”. [2] Destacando aqui que “de todos os institutos sociais e educacionais existentes na Terra, a família é o mais importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida”. [3] Porquanto, no sagrado instituto da família há a base mais elevada para os métodos de educação, das noções religiosas, com a exemplificação dos mais altos deveres da vida.

Considerando que o colégio familiar tem suas origens sagradas na esfera espiritual, preponderam nesse instituto divino os elos do amor, fundidos nas experiências de outras eras. Obviamente os valores intelectivos representam a soma de muitas experiências, em várias vidas do Espírito, no plano material. Uma pessoa de QI elevado significa um imenso acervo de lutas planetárias. Atingida essa posição, se o homem guarda consigo uma expressão idêntica de progresso espiritual, pelo sentimento, então estará apto a elevar-se a novas esferas do Infinito, para a conquista de sua perfeição. [4]

Lamentavelmente, a inteligência humana sem desenvolvimento moral e sentimental tem sido arma letal, porque nesse desequilíbrio do sentimento e da razão é que repousa atualmente a dolorosa realidade do mundo de guerras. O grande erro das criaturas humanas foi valorizar historicamente apenas o intelecto, olvidando os valores legítimos da moralidade e do coração nos caminhos da vida.

Referências bibliográficas: 

[1] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 208, RJ: Ed FEB, 2000

[2] Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, cap. 2, RJ: Ed FEB, 2006

[3] Idem cap. 17

[4] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 42, RJ: Ed FEB, 2000

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Extinção, prejuízo, abandono e “luto” (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com
Brasília.DF


Um estudo da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, descobriu que aqueles que viveram recentemente um quadro de luto [1], especialmente idosos, podem passar por um processo de redução das funções dos neutrófilos.[2] Mas apesar do peso do conhecimento científico sobre o relacionamento entre luto e a doença física, os sintomas costumam ser completamente inesperados.

Para Jessica Mitchell, gerente do serviço de apoio telefônico da ONG Cruse Bereavement Care, as pessoas ficam bastante assombradas com a notícia da morte de um parente e se sentem atormentadas achando que há algo errado com elas. As pessoas realmente não entendem, porque não se discute mais sobre a morte, explica Susan Hughes, da ONG Compassionate Friends, que presta suporte aos familiares após a morte de crianças. [3]

A falta de compreensão do tema “morte e o luto” reflete a dificuldade da sociedade em falar francamente sobre a deserncarnação de alguém da família. Para alguns trata-se de um grande tabu. As pessoas não querem nem ouvir ninguém falar sobre esse assunto.

Ora, em verdade o luto não é essencialmente tão insuportável quanto se imagina. Sabe-se que grande parte dos enlutados consegue suplantar bem a “perda” de um parente; entretanto por que razão algumas pessoas não conseguem superar o trauma? Muitas pessoas atravessam anos sobrevivendo como nos primeiros e mais complicados períodos do luto. Elas não conseguem retomar a vida. Cultuam a dor, em uma espécie de luto crônico, chamado pelos psiquiatras de “luto patológico” ou “luto complicado”. Nas mortes traumáticas, como acidente, suicídio ou assassinato, pode haver uma fase de negação mais prolongada; a culpa e a revolta podem aparecer com mais intensidade.

Para alguns o luto pode provocar uma grave crise doméstica, pois exige a tarefa de renúncia, de excluir e incluir alguns papéis da cena familiar. Percebe-se então que existe aí uma confusão, pois essa crise pode estancar o desenvolvimento dos parentes, fator que pode definir o processo de um luto crônico coletivo.

É importante destacar aqui que o luto não advém apenas pela morte de um ente querido. Há diferentes tipos de lutos, às vezes mais intensos, que acontecem depois da perda de um objeto ou abandono afetivo de alguém a que se tinha apego. É verdade! Muitos adoecem fisicamente, totalmente apegados a algo, circunstância ou alguém. Eis aí a razão de suas desditas e o entrave para a ascensão espiritual.

Talvez o grande preceito da vida, que experimentamos severamente, é desapegarmos de coisas, situações e pessoas. Obviamente desapegar não é desamar ou abater a valor do objeto, da coisa, mas compreender e acolher o fato da transitoriedade das circunstâncias, dos objetos e pessoas. É importantíssimo irmos desapegando do passado remoto ou recente e sintonizarmos as emoções no presente, sobretudo naquilo que é essencial dentre as coisas e pessoas.

O Espiritismo nos esclarece bem sobre a imortalidade. Jesus, há dois mil anos, reafirmou a realidade da sobrevivência do espírito após a morte e a continuidade da vida em outras dimensões. Por isso, alivia-nos os corações sofridos no luto pelas grandes “perdas”, seja pela visita da desencarnação, seja pelo abandono de alguém querido, seja pela perda de ilusórios haveres ou de posição social. Tudo passa! Até mesmo o luto.

Referências:
[1]                   Luto [do latim luctu] – 1. Sentimento de pesar ou de dor pela morte de alguém. 2. A exteriorização do referido sentimento ou o tempo de sua duração. 3. Consternação, tristeza.
[2]                 A parte mais abundante dos glóbulos brancos do sangue, responsáveis por combater bactérias como a da pneumonia

[3]                 Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/geral-37030767. Acessão 08/12/2016

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Na ética cristã ou no “jeitinho brasileiro" - onde nos identificamos? (Jorge Hessen)


Jorge Hessen
Brasília – DF

Um estudo inédito realizado pela consultoria BrandAnalytics, empresa ligada à Millward Brown Optimor, um dos maiores grupos de pesquisa do mundo, revela o que os brasileiros pensam do País. Se o Brasil fosse “uma pessoa”, a principal característica, aquela que se vê logo de cara, seria a desonestidade. 

Segundo Dulce Critelli, professora de filosofia da PUC de São Paulo, os resultados da pesquisa demonstram que grande parte da população não confia nem no País nem no compatriota. No clássico “Raízes do Brasil”, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, ao falar do “homem cordial” destaca igualmente o que chama de “personalismo” do cidadão brasileiro. No Brasil, diz Holanda, as pessoas cultuam o mérito pessoal (o “cada um por si”), em vez do trabalho coletivo. [1]

Isso realmente corresponde à realidade? Olhemos para o lado e pensemos bem: a maioria das pessoas de nosso convívio é desonesta? Elas querem levar vantagem sobre nós? Ou como se diz: querem nos “passar a perna”, nos enganar, ludibriar, “dar o cano” ? 

Desde a Proclamação da República, construida sob os anseios dos valores da ordem e do progresso, até os nossos dias, ainda não nos ajustamos rigorosamente à honradez e à honestidade. 

Os brasileiros (ressalvadas as honradas exceções) necessitamos modificar a cultura da desonestidade, a fim de que nossa pátria progrida em ordem. Até porque, enquanto prosseguirmos conectados à tradição do “corrompido jeitinho”, o futuro desta pátria estará comprometida pela desordem e decadência geral. 

No cinismo das vis tendências desonestas trouxemos abaixo alguns cenários e práticas dos trágicos “jeitinhos” , a fim de que avaliemos se nos identificamos ou não como protagonistas. 

Vejamos, são os conterrâneos que furam a fila de carros em frente do colégio para pegar os filhos ou que colocam a viatura na vaga reservada para deficientes e idosos nos estacionamentos dos hospitais, supermercados, shopping. 

Compatrícios que furtam toalhas, roupões, talheres e outros utensilhos de hotéis, clubes, repartições públicas etc.; há os que surrupiam sinais de Internet e tv a cabo do vizinho; que oferecem dinheiro (propina) para subornar o policial, a fim de fugir da multa; que não emitem nota fiscal ao cliente; que não declaram Imposto de Renda; que bolam doenças para fraudar o INSS.

Há os conterrâneos que falsificam carteirinha de estudante (para meia entrada); que assinam a “folha de pontos” do colega; que compram produtos “pirateados”; que não restituem troco recebidos a maior; que batem o ponto pelo colega; que compram diplomas falsos para participação em concursos públicos e, mais comum ainda, há os que recorrem a falsos atestados médicos, para justificar ausências mais prolongadas no trabalho. 

Não haverá futuro promissor para um país com uma sociedade assim estruturada. É urgente uma higienização moral, aproveitando o momento histórico que estamos atravessando no Brasil, para que sejam exaltados os valores da Ética Cristã e consagrada a honestidade. 

É inconcebível um espírita desonesto. Um seguidor fidedigno do Cristo e de Kardec tem que ser fiel ao Evangelho e aos princípios que a Doutrina dos Espíritos impõem e ter noção de que honestidade é prática obrigatória para todo ser humano, principalmente para um “espírita cristão”(*). 

Cabe-nos viver e exemplificar a honestidade no lar, na vida profissional, nos negócios, na política, na administração pública, bem como nas outras situações, consultando sempre a consciência, onde estão inscritos os códigos da lei de Deus. 

O Brasil será um país bem-sucedido se cada compatriota banir da própria cultura o conspurcável “jeitinho brasileiro”.

(*). Hão “espíritas” que não se consideram cristãos

Referência:

[1] Disponível em http://istoe.com.br/360834_O+DESENCANTO+COM+O+BRASIL/ Acesso 23/11/2016