sexta-feira, 19 de junho de 2020

A lição de Jesus fulge como um Sol sem crepúsculo (Jorge Hessen)

A lição de Jesus fulge como um Sol sem crepúsculo (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
Brasília - DF


Nos tempo apostólicos, o historiador judeu Flávio Josefo fez pequenina referência a Jesus no livro de sua autoria ”Antiguidades Judaicas”. Vejamos: "Hanan [sumo sacerdote] reúne o Sinedrim [Sinédrio] em conselho judiciário e faz comparecer perante ele o irmão de Jesus cognominado Cristo [Tiago era o nome dele] com alguns outros". Mais adiante, Josefo registra : "Foi naquele tempo [de Pilatos] que apareceu Jesus, homem sábio, se é que, falando dele, podemos usar este termo -- homem. Pois ele fez coisas maravilhosas, e, para os que aceitam a verdade com prazer, foi um mestre. Atraiu a si muitos judeus, e também muitos gregos. Foi ele o Messias esperado (...)"(1)
Tácito, historiador romano (contemporâneo dos apóstolos) igualmente menciona Jesus. "Para destruir o boato (que o acusava do incêndio de Roma), Nero supôs culpados e infringiu tormentos requintadíssimos àqueles cujas abominações os faziam detestar, e a quem a multidão chamava cristãos. Este nome lhes vem de Cristo, que, sob o principado de Tibério, o procurador Pôncio Pilatos entregara ao suplício.” (2)
Ainda topamos com escritor Suetônio contando que o imperador Cláudio "expulsou os judeus de Roma, tornados sob o impulso de Chrestos, uma causa de desordem" e acrescenta: "Os cristãos, espécie de gente dada a uma superstição nova e perigosa, foram destinados ao suplício".(3)  Outro historiador da época  foi Plínio, conhecido como “o Moço”, em carta ao imperador Trajano, pede instrução a respeito dos cristãos, que se reuniam de manhã para cantar louvores a Cristo.(4)  Do mesmo período, trazemos Tertuliano, que escreveu: “Portanto, naqueles dias em que o nome cristão começou a se tornar conhecido no mundo, Tibério, tendo ele mesmo recebido informações sobre a verdade da divindade de Cristo, trouxe a questão perante o Senado, tendo já se decidido a favor de Cristo...”.
Compulsando os supracitados documentos históricos, o pesquisador Reza Aslan escreveu recentemente a obra “Zelota - A vida e a época de Jesus de Nazaré”, descrevendo Jesus como um homem cheio de convicção, paixão e contradições; e aborda as razões por que a Igreja cristã preferiu promover a imagem de Jesus como um mestre espiritual pacífico em vez do revolucionário politicamente conscientizado que foi. A tese central de Aslan é que Jesus não se assumiu como o Messias e Rei de um reino espiritual, mas sim como um revolucionário que visava a tomada do poder temporal dos romanos. (sic)  Para Aslan, Jesus é o mais bem sucedido e carismático dos profetas e messiânicos que em algum momento daquele período se julgaram o Messias, como Ezequias; Simão da Pereia; Judas, o Galileu; Menahem; Simão, filho de Giora; Simão, filho de Kochba, entre outros. (5)
Sob o viés da cultura “espírita”, vem se esguichando ideias exóticas com total  deturpação da fidedigna visão espírita de Jesus. Há estouvados que desejam proscrever Jesus do Espiritismo. Alegam que seria injusto que 2/3 da população da Terra que "nunca" ouviram falar do Messias, ficassem "órfãos" de suas lições. Ledo engano, na verdade, durante milênios Jesus enviou seus emissários para instruir povos, raças e civilizações com conhecimentos e princípios da lei natural. Examinando o trajeto histórico das civilizações, identificamos que em todos os tempos houve missionários, fundadores de Religião, filósofos, Espíritos Superiores que aqui encarnaram com a  autorização de Jesus,  a fim de trazerem novos conhecimentos sobre as Leis Divinas ou Naturais com a finalidade de fazer progredir os habitantes da Terra.
Ou sendo o Jesus “histórico”, ou o “Cristo” da teologia, recordemos que nos tempos áureos do Evangelho o apóstolo Pedro definiu a transcendência de Jesus, revelando que Ele era "o Cristo, o Filho de Deus vivo" (6) . No século XIX o Espírito de Verdade atesta ser Ele "o Condutor e Modelo do Homem" (7). Para Kardec, o célebre pedagogo e gênio de Lyon, o Cristo foi "Espírito superior da ordem mais elevada, Messias, Espírito Puro, Enviado de Deus e, finalmente, Médium de Deus."(8) Não há dúvidas que Jesus foi o Doutrinador Divino e por excelência o "Médico Divino". (9) Por sua vez, Emmanuel o denomina de "Diretor angélico do orbe e Síntese do amor divino". (10)
Amado por uns, odiado por outros, indiferente para muitos, Jesus deixou ensinamentos singelos, contudo profundos. Ele aplicou a filosofia que difundia, desconcertando os inimigos gratuitos, granjeando apoios do povo e confundindo os restantes. O Mestre foi, é e sempre será, inspiração para os majestosos arranjos literários e sobretudo para obras de arte (música, pintura, teatro, escultura, poesia). Mesmo assim, nenhum vocábulo, fórmula poética, artística, filosófica ou qualquer louvor em Sua memória conseguirá traduzir o que Ele representa para cada um de nós.
Ele é o caminho, a verdade e a vida. Nenhum de nós irá ao Criador (imo da própria consciência), senão por Ele. Em todos os milhares de volumes dos mais variados livros ditos sagrados, Jesus resumiu em uma única citação, que abrange toda a sabedoria e cultura terrestres – amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
Diáfano como um cristal era o Seu caráter – e no entanto, Ele continua sendo o maior enigma de todos os séculos. Para alguns religiosos, é entronizado como uma divindade. O motivo pelo qual alguns consideram Jesus um Semideus, é a sua colossal elevação espiritual. Diante Dele, todos ficamos muito diminutos.
Os mandamentos inesquecíveis de Jesus estão contidos no Sermão do Monte. Nessa belíssima lauda, avaliada por Mahatma Gandhi como a mais pura essência do cristianismo. Gandhi pronunciou que se um cataclismo extinguisse toda a sabedoria humana, com todos os seus livros e bibliotecas, se restasse apenas o Sermão do monte, as gerações futuras teriam nele toda a beleza e sabedoria necessárias para manter a vida.
A coroa e a cruz representaram o desfecho da obra do Mestre, mas o sacrifício na sua exemplificação se constatou diariamente durante sua passagem pelo Orbe.
Anunciando as bem-aventuranças à população no monte, não a desvia para a brutalidade, a fim de assaltar o celeiro dos outros.
Evidenciando as apreensões que o vestiam, diante da renovação do mundo íntimo, não se regozijou em assentar-se no trono dos gabinetes, de onde os generais e os legisladores costumam ditar ordens. Desceu, Ele próprio, ao seio do povo e entendeu-se pessoalmente com os velhos e os doentes, com as mulheres e as crianças.
A Sua lição fulge como um Sol sem crepúsculo, conduzindo a Humanidade ao Porto da paz!
Para a maioria dos teólogos, Ele é objeto de estudo, nas letras do Velho e do Novo Testamento, imprimindo novo rumo às interpretações de fé. Para os filósofos, Ele é o centro de polêmicas e cogitações infindáveis. Para os espíritas ajuizados, Jesus foi, é e será sempre a síntese da Ciência, da Filosofia e da divina Moral (tripé do edifício da Terceira Revelação).

Referências bibliográficas:

1              JOSEFO Flávio. História dos Hebreus, Antiguidades Judaicas, XVIII, III, 3 , apud Suma Católica contra os sem Deus, dirigida por Ivan Kologrivof. Ed José Olympio, RJ: 1939, p. 254, p. 254 (1, pg. 311 e 3)
2              TÁCITO. Anais, XV, 44 apud Suma Católica contra os sem Deus, dirigida por Ivan Kologrivof. Ed José Olympio, RJ: 1939, p. 2541 pg. 311; 3
3              SUETÔNIO. Vida dos doze Césares, n. 25, apud Suma Católica contra os sem Deus, dirigida por Ivan Kologrivof. Ed José Olympio, RJ: 1939, p. 254p. 256-257). (1 pg. 311; 3)
4              (Epist. lib. X, 96)
5              ASLAN Reza.  Zelota A vida e a época de Jesus de Nazaré, SP: Ed. Zahar, 2013
6              Mt 13, 16-17.
7              KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, pergunta 625
8              KARDEC, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 1998, XV, item 2
9              XAVIER, Francisco Cândido. Os Mensageiros, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2000, cap. 27)
10            XAVIER, Francisco Cândido. Missionário da Luz, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB 2003, cap. 18

segunda-feira, 8 de junho de 2020

A morte não é senão um vocábulo sem nexo (Jorge Hessen)

A morte não é senão um vocábulo sem nexo (Jorge Hessen)


Jorge Hessen
Brasília – DF

Sobrevivendo à retórica dos que afirmam em alta voz que a Covid-19 é uma cilada ideológica, reafirmamos que estamos diante de um novo coronavírus que carrega consigo mais interrogações do que certezas, mormente para as pessoas com fatores de risco. Sou pai de uma filhona especial (não é Down), que é uma pérola preciosíssima para nós. Sei que no mundo inteiro há famílias de milhares de filhos especiais (pessoas com síndrome de Down) que estão vivendo dias de angústia pelos enigmas quanto aos efeitos da Covid-19 nos filhos especiais, além de mudanças drásticas no dia a dia de intensas terapias e ensinos por conta do isolamento social.
É significativa a parcela de pessoas com síndrome de Down que já nasce com comprometimentos no coração, pulmão e sistema imunológico, e que desenvolvem diabetes e obesidade — observando que todas essas condições são fatores de risco para a Covid-19. [1] É verdade! Quaisquer portadores de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, asma ou indivíduos acima de 60 anos são os mais propensos a terem complicações fatais.
Um estudo recém-publicado no British Medical Journal (BMJ) traz novos dados sobre os tais grupos de risco do novo coronavírus. De fato, os idosos estão mais suscetíveis às complicações do Sars-Cov-2 por causa de alterações no sistema imunológico naturais da idade. No caso dos males cardíacos, a circulação prejudicada e a debilidade dos pulmões parecem favorecer a agressividade da infecção. Asma, enfermidades hematológicas, doença renal crônica, imunodepressão (provocada pelo tratamento de condições autoimunes, como o lúpus, ou câncer) e obesidade também estão ligadas às mortes. [2] Todavia, o curioso é que um estudo inédito realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta que mais de 80 milhões de adultos brasileiros estão no grupo de risco para a Covid-19. Aqui em Brasília, “o número alcança 49,2% da população, o equivalente a 1.136.833 pessoas.” [3]
A grande maioria (84,5%) dos médicos brasileiros considera que o Brasil ainda não atravessou a pior onda do novo coronavírus, como mostra a segunda pesquisa da APM (Associação Paulista de Medicina). Foram entrevistados 2.808 profissionais de todo o país, das redes pública e privada, entre os dias 15 e 25 de maio [de 2020]. Eles responderam a questionário estruturado online, na plataforma Survey Monkey. A grande maioria (75,3%) considera o isolamento social importante, mesmo com as perdas financeiras advindas dele, pois 85,2% relatam queda de renda em razão da pandemia. Cerca de 79,3% dos médicos da linha de frente seguem apreensivos, pessimistas, deprimidos, insatisfeitos e revoltados. Entre os profissionais da linha de frente, 33,7% tiveram pacientes que morreram em razão da doença. [4]
Dos diferentes debates, todos são unânimes em afirmar que há três coisas para serem praticadas nesta pandemia: o isolamento social, a solidariedade e os testes diagnósticos. Sem solidariedade, não tem isolamento. Sem teste, não adianta fazer isolamento. As pessoas um dia vão ter que sair de casa e, quando saírem, podem se contaminar. Será que a fé espírita pode ser um antídoto contra a Covid-19?
Cremos que o conhecimento espírita propicia uma força moral que é capaz de nos preservar de muitas doenças, até porque, para o espírita convicto, não deve haver esse temor da morte. Na devastadora pandemia da cólera do século XIX, Allan Kardec expressamente registra que devemos seguir as medidas sanitárias.[5] 
A calma deve ser exercitada, dominada, a fim de que possamos aproveitar o período de isolamento social imposto pelas circunstâncias da pandemia, na busca da meditação, daquela infrequente viagem interior e do conhecimento de si mesmo, auxiliando na conquista da paz interior. A oração será recurso primordial por nos manter conectados com Deus e com as forças superiores mantenedoras da vida. É urgente darmos a devida importância da higiene para evitar contaminações.
É mister evitar o medo, que é pior do que o próprio mal pandêmico. E não ignorarmos os primeiros sintomas da doença, que recomendarão medidas específicas. Em 1868, Kardec publicou na RE que “(...) é apavorante pensar em perigos dessa natureza [pandemia], mas, pelo fato de serem necessários (…), é preferível, em vez de esperá-los tremendo, preparar-se para enfrentá-los sem medo, sejam quais forem os seus resultados. Preparai-vos, pois, para tudo, e sejam quais forem a hora e a natureza do perigo, compenetrai-vos desta verdade: A morte não é senão uma palavra vã e não há nenhum sofrimento que as forças humanas não possam dominar.” [6]
Referências bibliográficas:
1              Disponível  em https://www.bbc.com/portuguese/geral-52627581)  acesso 21/05/20
2              Disponível em https://saude.abril.com.br/medicina/coronavirus-novos-dados-sobre-grupos-de-risco/ acesso 23/05/20
4              Disponível em https://br.yahoo.com/noticias/m%C3%A9dicos-consideram-que-o-pior-154500848.html  em 06 de junho de 2020
5              KARDEC, Allan. Revista Espírita, novembro de 1865, RJ: Ed Feb 1990
6              KARDEC, Allan. Revista Espírita, novembro de 1868, RJ: Ed Feb 1990 - mensagem mediúnica recebida na Sociedade de Paris, em 16 de outubro de 1868, sobre a “Epidemia na Ilha Maurícia”


segunda-feira, 1 de junho de 2020

Para os mexeriqueiros de plantão (Jorge Hessen)

Para os mexeriqueiros de plantão (Jorge Hessen)



Jorge Hessen
Brasília - DF


Tiago anota em sua epístola “Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, fala mal da lei e julga a lei; e, se tu julgas a lei, já não és observador da lei, mas juiz.”[1] Ora, o fuxico espera a boa-fé para turvar-­lhe as águas e inutilizar­-lhe esforços justos. O mal não merece o laurel dos avisos sérios. Atribuir­-lhe muita importância nas atividades verbais é alagar-lhe a esfera de atuação.
Emmanuel adverte que “falar mal” será render homenagem aos instintos inferiores e renunciar ao título de cooperador de Deus para ser crítico de suas obras. A maledicência é um tóxico sutil que pode conduzir o discípulo a imensos disparates. Quem sorva semelhante veneno é, acima de tudo, servo da tolice, mas sabemos, igualmente, que muitos desses tolos estão a um passo de grandes desventuras íntimas. [2]
Quando se fala mal de algo ou de alguém para um cúmplice e este concorda com o que é dito, ambos por autoengano sentem-se “melhores” e “avigorados”, pois ambos legitimam aquele sentimento ruim, e faz com que “percebam” mais força, e ganhem uma imensa “autoconfiança” para o mal. O filósofo Platão admoestou: “Calarei os maldizentes continuando a viver bem; eis o melhor uso que podemos fazer da maledicência” [3].
Amaldiçoada e destrutiva é a palavra na boca de quem alista falhas do próximo; tóxico perigoso é a demonstração condenatória a escoar nos beiços de quem fuxica; barro podre, exalando enxofre, é a oscilação desafinada das cordas vocais de quem recrimina; braseiro tenebroso, escondendo a verdade, é a intriga destrutiva. "Ai do mundo por causa dos escândalos, porque é necessário que venham os escândalos, mas, ai daquele homem porque venham os escândalos.”. [4]
Quem se afirme espírita não pode esquecer que os críticos do comportamento alheio acabam, quase sempre, praticando as mesmas ações recriminadas. Deploramos o clima de invigilância admitida pelas aventuras do entusiasmo desapiedado dos caluniadores, com suas mentes doentias, sempre às voltas com a emissão ardente da fofoca generalizada. Confrades que ficam “felizes” ante as dificuldades e eventuais deslizes do próximo. Assestam a volúpia do fuxico, com acusações infames sobre fatos que ignoram, sempre em direção às aflições e lutas íntimas de pessoas que tentam se erguer de algum desacerto na caminhada.
Aos mexeriqueiros malévolos e viciados críticos dos erros de conduta do próximo recomendamos a seguinte reflexão: na viagem de mil quilômetros, como dizia Chico Xavier, não nos podemos considerar vitoriosos senão depois de chegarmos à meta almejada, porque nos dez últimos metros, a ponte que nos liga ao ponto de segurança pode estar caída e não atingiremos o local para onde nos dirigimos.
Finalmente, não esqueçamos que a palavra constrói ou destrói facilmente e, em segundos, estabelece, por vezes, resultados gravíssimos para séculos.

Referências bibliográficas:
[1]          Tiago, 4: 11)
[2]          XAVIER , Francisco Cândido. Fonte Viva , ditado pelo Espirito Emmanuel, RJ: Ed FEB 1990
[3]          Platão , disponível em http://pensador.uol.com.br/autor/platao/ a cessado em 6/5/2013
[4]          Mateus 18:7

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Deus é um imenso “inexistir”? (Jorge Hessen)

Deus é um imenso “inexistir”? (Jorge Hessen)
Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com
Brasília/DF

Ora, quando refletimos sobre Deus e pensamos nele como “existente”, e ainda quando cremos que ele “existe”, nossa ideia dele não aumenta nem diminui. Científica e filosoficamente, Deus é impossível! Deus é um absurdo! No surto da Reductio ad absurdum, o bispo Anselmo afirmava que “Deus é aquilo maior do que o qual nada pode ser pensado ou o que é tal que não pode ser pensado algo maior.”[1]
Cada filósofo, cada cientista tem uma visão diferente sobre a possibilidade da “existência” de um “Deus”. Albert Einstein afirmava crer na visão de Deus de acordo com o definido pelo filósofo Baruch Spinoza, na qual tudo e todos fazem parte da composição do Criador. O genial cientista refutava a possibilidade de um Deus individual ou antropomórfico e se definia como agnóstico, ou seja, reconhecia a possibilidade da “existência” de um Deus – por mais difícil que fosse descobrir se isso é verdade ou não. [2]
Carl Sagan negava ser ateu, porque para ele um ateu é alguém que tem evidências persuasivas de que não existe um Deus Judaico-Católico-Islâmico. Sagan dizia que não era tão sábio, mas ao mesmo tempo não considerava que havia algo próximo a uma evidência adequada para a “existência” de um Deus. O astrofísico americano Neil Degrasse Tyson, o mais ativo divulgador da ciência depois de Carl Sagan, também afirma que não enxerga evidências que corroborem a existência de Deus.[3]
Stephen Hawking se definia como ateu. Acreditava que o universo era governado pela supremacia das leis da ciência. Para ele, existia uma diferença fundamental entre a religião, que é baseada na autoridade, e a ciência, que é baseada na observação e na razão. A ciência é suprema porque ela funciona, afirmava Hawking.[4]
Deus “É” imaterial, portanto incriado, porém criou a existência ou essência de tudo, logo, Deus não pode ser a própria criação, ou seja,  não pode “existir”. Deus criou não só um Universo, mas infinitos universos. Nos fenômenos materiais, tudo o que pode ser verificado, o cientista procura encontrar os porquês do existente como possibilidade de ser raciocinado e medido, entretanto, Deus “É” não existente como possibilidade de ser verificado e mensurado.
É impossível  provar a “existência” de Deus, isso apenas porque sua inexistência é perfeitamente possível. Vale ressaltar aqui que nossa reflexão não é provar a impossibilidade de Deus “existir”, mas apenas a impossibilidade de se demonstrar Sua possível “existência”, até mesmo porque Ele é o Criador da “existência”. Deus “existente” é coisa limitada; o Deus “existente” é um ente restrito; o Deus “existente” é uma concepção da fé da criatura;  o Deus “existente” é uma finitude; o Deus “existente” é adstrito ao pensamento do crente.  Em verdade, Deus tem que SER, e não pode “existir”, até porque tudo o que “existe” é o que d’Ele procede, pois Deus simplesmente “É”. Se Deus “existisse”, teria criado a si mesmo.
A compreensão de Deus alcançada por uma pessoa é aquela possível em face do seu conhecimento e do conhecimento do seu grupo social. No entendimento do Espiritismo, Deus não se relaciona ao mágico, ao místico, ao divinal, ao sacro, ao infinito, ao absoluto. Deus não é matéria, nem energia: é imaterial. Para Kardec, não é permitido ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Se o homem não pode penetrar na essência de Deus, sendo a existência divina dada como premissa, o homem pode chegar pelo raciocínio ao conhecimento dos seus atributos necessários; porque, vendo o que ele não pode ser sem deixar de ser Deus, deduz-se daí o que ele deve ser.
Sem o conhecimento dos predicados de Deus, seria impossível compreendermos a obra da criação. Deus é a inteligência suprema e soberana. Se a imaginássemos limitada num ponto qualquer, poderíamos conceber outro ser mais inteligente, e assim por diante até ao infinito. [5]
Deus é eterno, isto é, não teve começo e não terá fim. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada. Ora, não sendo coisa alguma, o nada não pode produzir nada. Deus é imutável. Se ele estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não teriam nenhuma estabilidade. Deus é imaterial, de outro modo, não seria imutável, pois estaria sujeito às transformações da matéria. Deus é todo-poderoso. Se ele não possuísse o poder supremo, poderíamos imaginar um ser mais poderoso e assim por diante, até encontrarmos o ser que nenhum outro pudesse ultrapassar em potência, e então esse outro é que seria Deus. [6]
Deus é soberanamente justo e bom. Deus não poderia ser ao mesmo tempo bom e mau, porque, não possuindo qualquer dessas duas qualidades no grau supremo, ele não seria Deus. Consequentemente, Ele não poderia deixar de ser ou infinitamente bom ou infinitamente mau; se fosse infinitamente mal, não faria nada de bom; a soberana bondade resulta na soberana justiça.
Deus é infinitamente perfeito. É impossível concebermos Deus sem o infinito das perfeições. Para que nenhum ser possa ultrapassá-lo, faz-se preciso que ele seja infinito em tudo. Deus é único. Não poderia existir outro Deus, salvo sob a condição de ser igualmente infinito em todas as coisas, visto que, se houvesse entre eles a mais ligeira diferença, um seria inferior ao outro, subordinado ao seu poder, e então não seria Deus.
Em resumo, Deus não pode ser Deus senão sob a condição de não ser ultrapassado em nada por nenhum outro ser, pois o ser que o superasse no que quer que fosse, ainda que apenas na grossura de um cabelo, é que seria o verdadeiro Deus.  Portanto, Deus é a inteligência suprema e soberana, é único, eterno, imutável, imaterial, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, infinito em todas as suas perfeições, e não pode ser de outra forma. Tal é a sustentação sobre a qual repousa o edifício universal. [7]
Em filosofia, em psicologia, em moral, em religião, só há de verdadeiro o que não se afaste — nem que seja um til — das qualidades essenciais da divindade. A religião perfeita será aquela que não contenha entre seus artigos de fé nenhum que esteja em oposição com aquelas qualidades, em que todos os seus dogmas suportem a prova desse controle, sem sofrer nenhum dano. [8].

Referências bibliográficas:

[1]           ANSELMO. Proslogion. Universidade da Beira Interior, Covilhã, 2008.
[2]           Disponível em https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/01/5-reflexoes-de-cientistas-sobre-ateismo-e-agnosticismo.html  acesso em 17 de maio de 2020      
[3]           Disponível  em https://veja.abril.com.br/ciencia/nao-vejo-evidencias-que-corroborem-a-existencia-de-deus/    acesso 18/05/2020
[4]           Disponível em https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/01/5-reflexoes-de-cientistas-sobre-ateismo-e-agnosticismo.html  acesso em 17 de maio de 2020      
[5]           KARDEC ,Allan. A Gênese,SP: Ed. Portal Luz Espírita,  2018, item 8 cap. II (versão digital da 1ª edição traduzido por  Louis Neilmoris )
[6]           Idem
[7]           Idem
[8]           Idem

quarta-feira, 6 de maio de 2020

O bem-estar coletivo é mais importante do que o comportamento individual (Jorge Hessen)

O bem-estar coletivo é mais importante do que o comportamento individual (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com
Brasília




Há estudiosos que atestam que o SARS-CoV-2 se originou através de processos naturais. Os vírus não são organismos vivos, portanto,  não se pode matá-los com antibióticos, apenas se pode desintegrar sua estrutura com os diversos métodos higiênicos. O SARS-CoV-2 se expande com muita rapidez entre os humanos, por isso o isolamento social tem sido a solução admissível. Apesar de a longa quarentena ocasionar múltiplos efeitos colaterais, com agravos na economia e nos recursos financeiros para países, empresas e pessoas, até agora, esta é a principal medida exequível adotada por quase todos os países do planeta.
Obviamente, as estratégias de confinamento não afiançam que a pandemia não ocorra em algum lugar, porém desacelera seu processo de expansão, ocasionando uma incidência menos drástica e mais gradual, permitindo que as instituições de saúde garantam o atendimento médico.
Para o psicólogo e sociólogo Jocelyn Raude, especialista em doenças infecciosas emergentes e professor da Escola de Altos Estudos de Saúde Pública de Rennes, na França, o individualismo e o "otimismo irrealista" em relação aos riscos de contágio dificultaram o confinamento social para a prevenção ao coronavírus em países ocidentais. É verdade, por displicência, tanto na Europa quanto nos EUA, onde as sociedades são bastante individualistas, causou devastadores efeitos diante da Covid-19. Em países da Ásia, o bem-estar coletivo é mais importante do que o comportamento individual. Por exemplo, o uso de máscaras é habitual para proteger os outros quando alguém está contaminado. Isso é algo pouco frequente no Ocidente, enquanto na Ásia é praticamente corriqueiro.
No Brasil, algumas vezes ocorreram as displicências  das doenças emergentes, decorrentes das diferentes epidemias dos últimos anos. Atualmente, já bastante afetado pelo novo coronavírus, o comportamento dos brasileiros está mudando ante o crescente número de contaminações e óbitos no país.
Em que pese a estatística, a despeito de tudo e de poucos desajuizados, há os brasileiros "destemidos irrealistas" que não levam a sério a devastadora pandemia, batizando-a de “gripezinha”. (Pasmem!) Uma “gripezinha” que já matou no Brasil mais de 7 mil pessoas em menos de 90 dias.  Uma “gripezinha” que em menos de 90 dias matou quase 60 mil pessoas nos Estados Unidos, portanto, mais do que os 58 mil soldados americanos que morreram no Vietnã durante os 9 anos da guerra.
Para nós, espíritas, o fato de não se temer a morte não significa que não damos valor à vida física, tanto que Kardec, na RE de 1865, cita categoricamente que devemos seguir as medidas sanitárias, ou seja, o espírita segue as diretrizes e as normas das autoridades públicas, visando prolongar a vida, não por apego, mas por desejo de progredir e ponto!
É mais do que óbvio que o conhecimento espírita propicia uma força moral capaz de nos preservar de muitas doenças, porquanto essa força moral repercute no corpo físico, inclusive no sistema imunológico. Há diversos estudos que correlacionam o binômio fé/saúde, que não se limita, é claro, apenas na crença espírita.
Urge aqui refletir na questão solidária em que o bem-estar coletivo é mais importante do que o comportamento individual. A solidarização é o “sentimento de identificação com os problemas de outrem, o que leva as pessoas a se ajudarem mutuamente” (1). Mas, ainda vivemos num ambiente social de ilusões, de sonhos frustrados, de mentes cansadas, numa sociedade de manchas morais, de “mentes vazias” e atoladas nas futilidades modernas, isoladas nas teias do “ego” glacial. Vivemos completamente mergulhados na vida egocêntrica.
A pandemia que hoje aflige a Humanidade é resultante do orgulho, do egoísmo e da ausência de solidariedade. A eterna preocupação com o próprio bem-estar é a grande fonte geradora de doenças, delírios e paixões desajustantes.
O Espiritismo ensina aos homens a grande solidariedade que deve uni-los como irmãos. Deste modo, “quando o homem praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade” (2). A recomendação do Cristo “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”(3) assegura-nos o regime da verdadeira solidariedade e garante a confiança e o entendimento recíproco entre os homens.
Em época de pandemia ou não, a solidariedade na vida social é como o ar para uma aeronave, pois o avião, com toda tecnologia, não voa se não tiver o ar.
A prática desse sentimento vivifica e fecunda os germens que nele existem em estado latente nos corações humanos. A Terra, local de provação e de exílio, será pacificada por esse fogo sagrado e verá exercido na sua superfície a caridade, a humildade, a paciência, o devotamento, a abnegação, a resignação e o sacrifício, virtudes todas filhas do amor e da solidariedade.

Referências bibliográficas:
[1]       Cf. Dicionário Caldas Aulete
[2]       KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, pergunta 799
[3]       Jo 15.12




domingo, 5 de abril de 2020

Bestialidade familiar também em tempo de quarentena (Jorge Hessen)


Bestialidade familiar também em tempo de quarentena (Jorge Hessen) 


Jorge Hessen 
Brasília-DF 

Segundo ONGs de proteção à mulher, a violência contra a mulher aumentou durante quarentena da Covid-19 na China. Denúncias das vítimas aumentaram três vezes desde o início da contenção social. A ativista chinesa Guo Jing narrou à BBC, que mais mulheres estão noticiando casos de violência que sofreram. Feng Yuan, da ONG de defesa à mulher Weiping, afirma que sua organização municiou três vezes mais consultas às vítimas do que antes das quarentenas. A hashtag #AntiDomesticViolenceDuringEpidemic (#ContraViolênciaDomésticaDuranteEpidemia) foi usada mais de 3 mil vezes na rede social chinesa Sina Weibo com relatos de vítimas denunciando violência doméstica. 1 

Há muito tempo a família vem-se arruinando, acompanhando as mudanças econômicas, socioculturais e religiosas do contexto em que se encontram culturalmente inseridas. Hoje em dia paira grande ameaça sobre a estabilidade familiar, e quando a família é ameaçada, por qualquer razão, a sociedade inteira perde a direção da paz. O materialismo, a ambição econômica, os modernos conceitos e promoções sensualistas, têm investido contra a organização familiar, dilacerando a estrutura da família tradicional. Não será um vírus avassalador que transformará essa realidade de imediato. 

Emmanuel esclarece que “de todas as associações existentes na Terra, excetuando, naturalmente, a Humanidade – nenhuma delas, talvez, é mais importante, em sua função educadora e regenerativa, do que a constituição da família.” 2 Para o Mentor de Chico Xavier, “através do casal, estabelecido na família, funciona o princípio da reencarnação, consoante as Leis Divinas, possibilitando o trabalho executivo dos mais elevados programas de ação do Mundo Espiritual.” 3 

Independemente da atual forçosa limitação da mobilidade social (quarentena), a rigor, as relações familiais deveriam ser, acima de tudo, de ordem ética. Mas, observa-se nelas uma deterioração emocional profunda e uma complexa malha de desestabilidades morais. A violência contra a mulher chinesa infelizmente não é caso avulso. Em realidade, a violência tem as suas raízes profundas e vigorosas na selva. O homo brutalis (de qualquer cultura) tem as suas atávicas leis: subjugar, humilhar, torturar e matar a mulher. 

O pragmatismo das sociedades contemporâneas robotizou o homem, o que vale dizer que o esvaziou no plano moral. Vejamos: O mesmo indivíduo que se prostra diante das imagens frias dos altares, nos templos suntuosos, volta ao seu posto de autoridade doméstica para ordenar torturas canibalescas. O homem contemporâneo vive atormentado pelo medo, com o tal inóxio coronavírus que o assombra, uma vez submetido às contingências da vida atual, de insegurança e de incertezas, resultando em transtornos graves da mente, pela angústia dissolvente da própria individualidade. 

Pior que o CONVID-19 a selvajaria familiar tem eclipsado, assombrosamente, o logradouro para Deus. Há os que condenam a violência alheia, mas, no entanto, no dia-a-dia, ao invés de agirem de forma pacífica e fraterna, são quais fantoches, revidando com a mesma moeda as agressividades sofridas. Existem aqueles casais que dizem viver um amor recíproco e, no entanto, quando há qualquer improviso e ou desentendimento entre eles, são extremamente agressivos um com o outro. 

Há os que veem no cônjuge um verdadeiro teste de paciência, pois os seus "santos" não se "cruzam". Mais ainda, quando o assunto são os filhos, há pais que dizem adorar todos eles, mas os consideram espíritos imaturos, que dão muito trabalho e, não raro, desgostos. A vida em família para muitos, nessas condições de quarentena, transforma-se em verdadeiro tormento. 

Na verdade, se não nos tolerarmos hoje em plena quarentena, como será o amanhã? As leis da vida exigem, segundo nos ensinou Jesus, que nos entendamos com os nossos irmãos de penosa convivência enquanto estivermos a caminho com eles. A fuga aos deveres atuais será amortizada mais tarde com os juros devidos. 

Há um tipo de violência que muitos não damos atenção: é a que está fincada dentro de cada um de nós. Violência íntima, que alguns alimentam, diariamente, concedendo que ela se torne animal voraz. É o ato de indiferença que um elege para apunhalar o outro no relacionamento doméstico, estabelecendo silêncios macabros às interrogações afetuosas. São os cônjuges que, entre si, pactuam com a mudez, como símbolo do desconforto por viverem, um ao lado do outro, como algemados sem remissão. 

A violência de fora pode nos alcançar, ferir-nos e, até mesmo, magoar-nos profundamente, mas, a violência do coração (interna), silenciosa, que certas pessoas aplicam todos os dias, em seus relacionamentos, é muito mais perniciosa e destruidora. A paz do mundo começa sob o teto a que nos albergamos. "Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações?" 4 

O Espiritismo explica que "os que encarnam numa família, podem ser Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação." 5 

A família, para determinadas religiões e sociedades, é algo indissolúvel. Tempos atrás, a manutenção dessas famílias era, somente, para manter aparências de respeito e felicidade. Hoje, observam-se famílias se desfazendo por trivialidades. O que é o ideal? A família de "porta-retratos" ou a família que se dissolve na primeira "tempestade moral"? 

Cremos que o Centro Espírita pode dimensionar os serviços de suporte à família atual, mas não de forma isolada. Precisa a Casa Espírita integrar suas ações com outras instituições, tanto de caráter religioso como social, na busca da melhor qualidade do atendimento individual e coletivo, naturalmente, sem perder sua identidade doutrinária, mas, objetivando o resgate da ordem moral, que deve alicerçar a família como espaço de convivência. 

Notemos que "o estudo do Evangelho no lar” é uma forma de reunir a família em torno de um objetivo comum. “A comunhão familiar, onde todos conversam, trocam ideias, falam de seus problemas, comentam suas atividades à luz dos ensinamentos de Jesus, representa o mais eficiente estímulo para o estreitamento das ligações afetivas, transformando o lar em porto de segurança e paz, com garantia de equilíbrio e alegria para todos". 6 

É imprescindível praticarmos os Ensinos de Jesus no lar, contribuindo com a parcela de mansidão para pacificá-lo. O homem moderno ainda não percebeu que somente a experiência do Evangelho pode estabelecer as bases da concórdia, da fraternidade e constituir os antídotos eficazes para minimizar a violência que, ainda, avassala o ninho doméstico e deságua na sociedade. 

Portanto, mesmo num ambiente familiar momentaneamente conturbado pelo confinamento, onde existe a evidente reunião de Espíritos não afinados, se for instituído o estudo de Evangelho nesse lar, esse "(...) produzá sinais evidentes de paz, e aqueles que antes experimentavam repulsa pelo ajuntamento doméstico descobrem sintomas de identificação, necessidade de auxílio mútuo." 7 

Pensemos nisso. 

Referencias bibliográficas:



1                       Disponível em https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2020/03/violencia-contra-mulher-aumentou-durante-quarentena-da-covid-19-na-china.html  acesso 05 de abril de 2020
2                      XAVIER, Francisco Cândido. Vida e Sexo, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1972
3                     XAVIER, Francisco Cândido. Vida e Sexo, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1972
4                      XAVIER, Francisco Cândido. Jesus No Lar ditado pelo Espírito Néio Lucio, Rio de Janeiro: FEB, 2001
5                     KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, cap. XIV
6                     SIMONETTI ,Richard. Temas de Hoje, Problemas de Sempre, SP: ed. Correio Fraterno 1990



7                      FRANCO, Divaldo Pereira. Florações Evangélicas, ditado pelo Espírito Joanna de Angelis, Salvador: Ed. LEAL, 1987, cap.3

quinta-feira, 26 de março de 2020

Epítome descritivo sobre o cenário e a vida além da sepultura (Jorge Hessen)

Epítome descritivo sobre o cenário e a vida além da sepultura (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
Brasília-DF
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Conquanto haja kardequeólogos de plantão que andam rejeitando os livros do Espírito André Luiz,  particularmente sigo por outros caminhos, acolhendo as revelações do autor de “Nosso Lar” e de outros Benfeitores com serena confiança. Em face disso, discorreremos se na dimensão dos espíritos realmente existem casas, templos, escolas, hospitais, ruas, árvores, parques.

Com certeza por “lá” não há “vasos sanitários” e mictórios. Lamentavelmente, existem “romances mediúnicos” que não passam de abusos ficcionais criados por “médiuns” obsedados. Há um dilúvio desses “romances” alucinantes narrando que no além os espíritos se casam, copulam e geram filhos, sim! Reproduzem!!! Afiançam que pela fecundação, há a gestação, o nascimento dos “bebês” (pasmem!) Contam até que por “lá” o espírito morre, (morre!? meu Deus!!!) sobrevindo o sepultamento dos seus restos perispirituais em cemitérios d’além-túmulo.(Isso é consequência de médium com distúrbio psicológico, com certeza!) 

No Mundo Espiritual, o ambiente difere totalmente do planeta, pois lá, como descrevem os Espíritos comunicantes, não há frio nem calor excessivo, não há terremotos nem tempestades. Nas Colônias Espirituais, os domicílios não se amontoam uns aos outros como nas grandes cidades terrestres; eles oferecem espaços regulares entre si, como a indicar que naquele abençoado reduto de fraternidade e auxílio cristão há lugar para todos. Não há estabelecimentos comerciais, mas, em compensação, há grande número de instituições consagradas ao bem coletivo.¹

O processo utilizado pelos desencarnados em seus engenhos e edificações é pela energia do pensamento e da vontade. O pensamento é força criadora e a vontade é força propulsora. Através destas duas potencialidades, os Espíritos constroem tudo o que desejam. O Universo é seu laboratório.² Podem formar conjuntos com aparência, forma e cor determinadas. Kardec inclui essas possibilidades dos fenômenos peculiares ao mundo espiritual no que chamou laboratório do mundo invisível.

Muitos Espíritos dizem que a luz do sol por “lá” é agradável e reconfortante. Realmente há edificações belíssimas, algumas de séculos, protegidas por muralhas, armas e até animais, onde os habitantes têm o desfrute de deleites e costumes tipicamente físicos, como nutrição, por isso há plantações e fábricas diversas (sucos, roupas etc.).

Os desencarnados muito atrelados à vida material que chegam ao Mundo Espiritual sem compreenderem a transformação por que passaram, e têm ainda sensação de fome e sede, lhes são ministrados alimentos em instalações especiais, até que, adaptados ao meio em que iniciaram a nova vida, entendam que não têm mais necessidade desses alimentos.

Sobre esse quesito alimentação, alguns Espíritos necessitam de substâncias suculentas, tendentes à condição fluídica, e o processo será cada vez mais delicado, à medida que se intensifique a ascensão individual, pois a alma, em essência, apenas se nutre de amor.

De forma geral, é indispensável os concentrados fluídicos nas operações nutritivas. Em face da essencialização das substâncias absorvidas, não existem para o veículo psicossomático³ os exageros e inconveniências dos sólidos [bolo fecal] e líquidos [urina] da excreta comum.⁴ A exsudação se dá pelos poros. À vista disso, e não obstante algumas psicografias famosas de romances “espíritas” que descrevem supostos banheiros no além, constatamos aqui com André Luiz que inexistem “vasos sanitários” e “mictórios” por “lá”.

Pela difusão cutânea, o corpo espiritual, através de sua extrema porosidade, nutre-se de produtos sutilizados ou sínteses quimioeletromagnéticas, hauridas no reservatório da Natureza.⁵ A água é veículo dos mais poderosos para os fluidos de qualquer composição. No além, ela é empregada sobretudo como alimento e remédio.

É de extraordinária importância a respiração no sustento do corpo espiritual. Na Terra, o homem se alimenta muito mais pela respiração [70%], colhendo o alimento de volume [30%] simplesmente como recurso complementar de fornecimento plástico e energético, para o setor das calorias necessárias à massa corpórea. ⁶

Não ignoramos que os espíritos conservam as faculdades que tinham na Terra; eles têm visão, audição, sensação, percepção, mas diferentemente de quando possuíam um corpo físico, ainda que muitos deles em claudicação, julguem que tais coisas se passam, por lá, da mesma forma que no corpo.

Destaque-se que os Espíritos estão por toda parte, nenhum lugar circunscrito ou fechado se destina a uns ou a outros, segundo consta em o Livros dos Espíritos.⁷ O fato de estarem os desencarnados “por toda a parte” deve ser explicado com sensatez, como existindo colônias ou construções fluídicas em toda parte do além.


Referências Bibliográficas:

1 XAVIER, Francisco Cândido. Voltei, ditado pelo Espírito Irmão Jacob, RJ: Ed. FEB, 1958
2 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, per. 27, RJ: Ed. FEB, 1971
3 A constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os espíritos encarnados ou desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda. 
4 XAVIER, Francisco Cândido. Evolução em dois mundos, ditado pelo Espírito André Luz, 20ª. Edição, RJ: Ed. FEB, 1958
5 XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da Luz, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 1971
6 Idem
7 KARDEC, Allan. O Livros dos Espíritos, questão 188, RJ: Ed FEB, 1976